Cheguei na empresa e parei meu carro totalmente errado na vaga. Saí como um jato pelo elevador e cheguei ao andar da agência. Percorri meu olhar até a mesa da primeira secretária de Edgar e ela não estava na mesa. Caminhei até a minha, joguei minhas coisas e levantei a cabeça.
— Vicente, Lúcia está com Edgar?
Perguntei ao menino do rh, que olhava seu computador atento.
— Sim, Gabi.
Assim que ele acabou de falar, fui caminhando até a sala de Edgar. Eu já sabia do caso deles a muito tempo, só fingia que não, eu realmente não me importava com aquilo. Mas não hoje.
Empurrei a porta e me deparei com Edgar sentado na cadeira, Lúcia estava ajoelhada, com sua blusa social semi-aberta, ela chupava Edgar.
O espanto dos dois foi imediato. Lúcia avermelhou-se até os dedos do pé, se levantando e abotoando a blusa, já Edgar, ficou branco, igual um fantasma.
— Eu quero falar com você. Na sala de reunião. Agora!
Avisei, totalmente gelada, indicando meu olhar para ele, apenas.
Eu não tinha me afetado com aquilo em nada. Meu sangue fervia mas por outro motivo.
Saí, batendo a porta e caminhei pisando firme e batendo meu salto no chão, até a sala de reunião. Entrei, fui até um vaso de vidro, com flores e peguei-o. Reencostei minha unha na mesa e fiquei encarando a porta.
Uns dez minutos se passaram e Edgar entrou na sala. Ele fechou a porta atrás dele e levantou as mãos.
— Eu posso te explicar tudo.
Disse ele.
Segurei bem firme o vaso e arremessei ao lado dele. Os vidros se despedassaram, as flores voaram e a água derramou, fazendo um barulho enorme. Os olhos de Edgar se arregalaram.
— Cala a boca! Você só escuta.
Avisei, apontando o dedo.
— O que é isso? Calma.
Caminhei até outro vaso e arremessei novamente, a mesma coisa aconteceu.
— Eu quero saber.
Peguei mais um, arremessando no chão.
— Quem te deu o direito.
Falei, arremessando outro.
— De se meter.
Quebrei o último da sala.
— Na porra da minha vida?
Gritei a última frase com autoridade.
Edgar agora estava, além de branco, assustado. Ele olhava os vasos quebrados perplexo.
— Você está ficando louca! Do que está falando?
Ele perguntou, gesticulando.
— Você não sabe o que eu to falando? Vou refrescar sua memória. A palavra omitir, lembra algo?
Ironizei, debochando.
— O que? Não faça esse jogo comigo, do que está falando?
— Você mexeu seus palszinhos para que a notícia de que Gustavo está solto não chegasse até mim. Quem te deu o direito de se meter na minha vida?
Gritei, me aproximando dele.
Edgar parou na mesma hora de ficar branco, seus olhos ferveram e ele endureceu o rosto.
— Então, é por isso esse show? Por que eu não deixei contar que seu badboy está solto, para você ir correndo atrás dele?
— Show? Você não tinha o direito se meter na minha vida. O que te importa se eu ia?
— O que me importa? Você não seria ninguém se fosse eu, Gabriela. Você deve tudo à mim, eu te refiz. Eu não deixei contarem mesmo, você ia atrás desse babaca acabar com a sua vida como uma cadela sarnenta de novo. Se humilhar por um cara que não te quer e não te deu nada, enquanto eu, te dei tudo e você é uma ingrata. Prefere ser a vagabunda de um filho da puta. Que casal escroto.
Ele cuspiu as palavras com superioridade. O tom que eu nunca havia ouvido de Edgar. Cheio de rancor, mágoa e ódio.
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu virei as costas para ele. Eu havia acabado de perder um amigo, aquele ali, eu não conhecia.
Fiquei em silêncio alguns minutos e só se ouvia a respiração forte dele. Engoli em seco e fiz minhas lágrimas secarem.
— Eu esparava de qualquer um algo de ruim. De você? Nunca. Você acabou de me mostrar o ser mais desprezível que é. Você não me deu tudo, Edgar, você me abriu portas e eu era sim, grata demais. Mas se eu estou onde estou, é graças a mim, eu trabalhei e lutei pro meu crescimento, eu tenho esse mérito.
Sussurrei baixo, com todo desprezo na voz. Me virei para ele, pisando com os saltos devagar nos cacos de vidro e me aproximando. Parei em sua frente, encarando seus olhos.
— Nunca mais você pense em se meter na minha vida. Pode procurar outra faz tudo para você. Ou melhor, acho que já tem.
Avisei, contornando seu corpo e abrindo a porta. Dei uma pausa nela e virei meu rosto para ele.
— Ah! Você disse que o Gustavo era um babaca, né? Eu concordo. Mas parabéns, Edgar, você conseguiu ser pior que ele.
Despejei, batendo a porta.
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La puta
RomanceGabriela, uma menina de 20 anos, se vê completamente perdida ao descobrir que sua vida foi uma grande mentira. Forçada a se prostituir para pagar uma dívida deixada por seus pais, ela acaba encontrando paz em situações inesperadas, entrando assim, e...
