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— Então Vitor, o que você quer?

Gustavo perguntou, impaciente.

— Então, eu andei analisando todos os documentos de todas as meninas. A folha de pagamento da Gabriela está em destaque. Ela tem três meses e pouco conosco e já está com oitenta porcento da folha paga. Claro, isso mostra o desempenho dela dentro da boate, creio eu.

Ele deu uma pausa, me encarando. Um frio na espinha consumiu meu corpo. Apenas desviei o olhar.

— Com toda certeza, Vitor. Mas não entendi, onde você quer chegar?

Gustavo gesticulou, colocando as mãos sobre o queixo.

Tirando um pouco da tensão, ele ficou muito sexy fazendo isso.

Voltando a tensão, encarei Vitor novamente.

— Aí é que tá, meu brother. Você lembra dos indianos de Chennai? Eles adoraram nossa loira empenhada, ofereceram dois milhões de euros por ela, fora os...

— Recuse.

Gustavo ordenou, levantando as mãos.

Engoli em seco e arregalei os olhos.

Não sabia como assimilar aquilo, ele falava como se eu fosse uma mercadoria e eu só consegui ficar apavaroda.

— Irmão, eu já aceitei e...

— Desfaça, eu não mandei você fazer porra nenhuma, passando por cima de mim. Se vira!

Gustavo gritou, levantando e batendo na mesa.

— Irmão, a compra dela quita todas as nossas dívidas. O que está acontecendo com você? Qual problema nisso?

— Minha compra? Santo Deus!

Me pronunciei com os olhos cheios de lágrimas.

Gustavo me encarou com os olhos apertados e saiu em direção a Vitor, ele pegou em seu colarinho e socou seu rosto com força.

Vitor cambaleou pra trás, caindo no chão e encarou Gustavo, que respirava com fúria.

— Gustavo, calma! Por Deus!

Falei, correndo até ele e ô segurando.

— Seu inútil, você vai desfazer essa porra, você tá me ouvindo?

— Eu já assinei os papéis, brother. Qual teu problema? Você enlouqueceu?

Vitor respondeu, limpando o sangue do lado da boca.

— Foda-se, foda-se o que você fez, dá teu jeito, meu irmão. Meu problema foi ter confiado minha direção à você. Saí daqui agora, vaza! Some da minha frente antes que eu acabe contigo. Filho da puta!

O corpo de Gustavo impulsionava o meu, eu tentava fazer força pra impedir. Ele tremia e seus olhos ardiam encarando Vitor.

— Vamos conversar, irmão. Pelo menos dá uma olhada no negócio, é um bom neg...

— Saí da minha frente agora, porra. Saí!

Berrou Gustavo, indo pra cima dele novamente. Travei seu corpo com as mãos e olhei pra Vitor.

— Vitor, por favor. Depois vocês conversaram. Por favor!

Supliquei, encarando-o.

Ele encarou Gustavo por alguns segundos mas se rendeu ao pedido. Vitor abriu sua mochila e jogou uma pasta parda encima da mesa.

— Analisa, brother, eu só estava querendo seu bem. É a salvação da sua boate.

Ele falou, por fim, saindo.

Gustavo se afastou de mim, com as mãos sobre o rosto. Eu me tremia por inteira. Estava assustada, com medo e tentando entender tudo aquilo.

Encarei-o por alguns segundos e ele não retribuia.

Gustavo pegou um pequeno copo que tinha em sua mesa e arremessou na parede, bem longe. O copo se estourou em mil pedaços e ele apoiou as duas mãos na pequena estante, respirando, de costas pra mim.

Juntei meus braços e ô deixei assim, por alguns minutos.

La putaOnde histórias criam vida. Descubra agora