— Eu não vou. Não vou sem a senhora.
— Vá embora agora, eu estou mandando, vá para o térreo e fique lá. Agora!
Ela berrou, descontrolada.
Me afastei um pouco.
— Eu não vou.
Respondi descidida e fui em direção a sala. Ela veio atrás de mim.
— Vai fazer o que? Ficar aqui, Gabriela? Esperando-os comigo?
— E você? Vai fazer o que? Ficar aqui? Esperando-os sozinha?
Devolvi no mesmo tom de ironia.
— Eles vão te levar! Pelo amor de Deus, vá embora! Eles vão te levar de mim!
— E você? Quando eles chegarem aqui e não me ver? Eles vão te levar ou....
Travei minha fala, engolindo em seco.
— Não vou!
— Você está impossível, você vai. Acabou!
— Não vou. Acabou!
(.....)
As horas se passaram. Mamãe tinha desistido de tentar me convencer. Eu não ia sem ela e estava decidido.
Socaram a porta e mamãe levantou com um certo desespero. Ela mandou eu subir e eu me neguei. Então, mamãe me empurrou até o topo da escada.
Mamãe se direcionou à porta e abriu.
- Olá, Rosana.
O mesmo homem daquele dia esbarrou em minha mãe, entrando. Dessa vez, estava com mais um homem. Ele era alto, moreno, com barba bem grande e vestia uma jaqueta de couro preto. Ele analisou toda a casa e tragava um cigarro.
— Cadê a garota?
Falou ele, tirando o cigarro da boca.
— Gustavo, não leve minha filha, por Deus.
— Sou ateu. Não fui eu quem á apostei na mesa de jogos, você e seu marido sabiam muito bem com o que estavam se metendo.
Meu corpo gelou.
Mamãe também havia me apostado?
— Gustav..
— Cadê ela?
Gritou ele, se aproximando dela. Saí do meu transe na mesma hora.
— Estou aqui!
Gritei, descendo as escadas.
Todos me encararam. Meus olhos estavam lacrimejados e minhas pernas tremiam. Caminhei até minha mãe e à encarei com desgosto.
— Como você pôde me apostar como se eu fosse um objeto? Como você pôde mentir pra mim da maneira maia suja? Como?
Eu estava raivosa. Gritava sem nem se quer se importar com nada.
Mamãe não me olhava nos olhos de volta e isso era a pior coisa que ela poderia estar fazendo naquela momento. Ela não me respondeu.
— Me diz! Olha pra mim, como você pôde? Sua mentirosa!
Esbravejei e as lágrimas desceram.
Ela não me olhava, não esboçava reações.
VOCÊ ESTÁ LENDO
La puta
RomanceGabriela, uma menina de 20 anos, se vê completamente perdida ao descobrir que sua vida foi uma grande mentira. Forçada a se prostituir para pagar uma dívida deixada por seus pais, ela acaba encontrando paz em situações inesperadas, entrando assim, e...
