Alexandre não perguntou nada e ela mesmo com as lágrimas correndo pelo seu rosto,falou: - Por favor,podemos conversar depois? Ainda estou atordoada e preciso de um banho. -Claro.Vou preparar algo para você comer. Raquel se retirou para o quarto sem nada dizer. Após se recompor fisicamente ela se sentia melhor e foi para a sala,percebendo que Alexandre estava no banho. O telefone tocou e mesmo sem vontade a moca atendeu: - Raquel! Que bom falar com você! - anunciou Rosana,ao ouvir a voz da amiga. - Você está bem? - Mais ou menos.Sinto-me péssima. - E o Alex? - perguntou Rosana. - Está no banho. - Vocês conversaram? - Não. Rosana estava pouco á vontade para fazer perguntas,pois sua mãe estava em outro cômodo poderia ouvir a conversa. - Isso é uma fase,Raquel. Vai passar,acredite.Logo tudo muda. - Vamos ver, Rosana. - Sei como se sente,mas tenha ânimo.Converse com o Alex.Ele ficou muito preocupado com você. - Vou conversar.Obrigada pelo apoio. - Conte comigo,Raquel. -Obrigada. Após pequena pausa,Raquel perguntou: - Quer que eu diga para o Alexandre ligar para você? - Não. Eu só estava preocupafa com você. Sabendo que está bem,fico tranquila.Amanhã eu falo com você. Após Rosana desligar,dona Virgìnia ficou intrigada com o pouco que ouvira daquela conversa. Logo ela procurou pela filha e perguntou: - O Alex está bem? - Está. -É,não deu para eu ir vê-lo e eu liguei para lá ,a Lourdes atendeu e disse que vocês haviam saído. - Saímos mesmo. - Almoçaram fora com ele daquele jeito. - Não.Na verdade nem almoçamos. Rosana não mentia para sua mãe,e vendo que não adiantaria esconder-lhe a verdade,pois esta viria a se exibir a qualquer momento ,resolveu contar. - Sabe,mãe,assim que falei com você que estava na casa do Alex,o telefone tocou,eu atendi e era Raquel. A mãe ouvia demonstrando paciência, apesar de ansiosa para saber o que havia acontecido.Rosana prosseguiu: - Era a Raquel.Ela estava chorando . - E ,sem trégua,anunciou: - A Raquel foi demitida. - Demitida?! - admirou-se dona Virgínia. - Sim,foi.Ela estava péssima. O Alex disse que iria buscá-la.Eles marcaram um lugar,mas quando chegaram lá,nos desencontramos e por fim ele me trouxe. Acho que a Raquel chegou bem depois ao apartamento. - E o Alex? - preocupou-se a mãe. - A princípio ,creio que ficou aflito pela dificuldade da Raquel,pela decepção que ela enfrentava .Mas,depois,sabe com é... Depois que conversamos,acho mesmo é que o Alex ficou contente. - Por quê? - Ora,mãe! Não adianta querer "tapar o sol com a peneira",como o papai diz.Está na cara que o Alex gosta da Raquel.Ele está apaixonado mesmo! Só você não quer ver isto.Aí é o seguinte:sem emprego será difícil ela arrumar um lugar para ficar e consequentemente,até arrumar outro serviço,terá que morar com ele. - Isso é absurdo.Filha,estou preocupada com essa história. Aproximando-se da mãe,Rosana a abraçou com carinho,dizendo: - Mãe,a Raquel é uma boa moça.Conversei muito com ela e sei o quanto de dificuldade já passou. - Afastando-se ,Rosana ,a olhou nos olhos e completou: - Mãe,por favor,procure compreender a situação.Procure vê-la como uma filha.Pense se acaso não me tivesse gostaria de ter uma companheira,ela tem a índole que você gosta. Procure conhecê-la e terá certeza do que estou falando. O Alex gosta dela,mãe,e há muita coisa que você e o papai não sabem e eu sei que quando souberem ,ficarão comovidos e passarão a respeitar e a entender o que o Alex está fazendo. - O que não sabemos,Rosana. - Na hora certa,o Alex vai contar mãe.Acredite nele.Confie em seu filho e não faça julgamentos precipitados. Olhando Rosana ,a mãe perguntou: - Estou achando você pálida.Está tudo bem. - É só um pouco de dor cabeça.Quando você me der um beijinho vai passar. - brincou a filha. Sorrindo ,a mãe se aproximou,a abraçou carinhosamente e com ternura deu-lhe um demorado beijo na testa,como sempre fazia com os filhos quando se queixavam de alguma dor. O senhor Claudionor que acabava de chegar ali,abraçou as das embalando-as vagarosamente com generosidade,antes de afastar,beijou cada uma. - Tudo bem. - perguntou ele,esboçando felicidade pela amorosa cena que presenciara. - Quase tudo velho. A Rô está com dor de cabeça e... - Precisa ir ao médico,filha. Isso não pode se normal - alertou o pai. - Estou preocupada também com Junior. A Vilma ligou hoje dizendo que ele teve febre alta e está com garganta inflamada - informou dona Virgínia. - Isso é coisa de criança. - Eu sei - prosseguiu a esposa -,mas não consigo ficar tranquila. - Papai,isso é coisa de avó coruja. Eles riram e depois Rosana avisou: - Vou tomar um remédio e me deitar. Dizendo isso,a filha saiu e dona Virgínia continuou: - Claudionor,fiquei sabendo ,pela Rosana que a Raquel perdeu o emprego. O homem ficou sério e pensativo.Logo a esposa prosseguiu: - Você não acha que é o momento de termos uma boa conversa com o nosso filho. - O que diríamos. - Você não acha que essa moça o está usando. - Não quero julgar,Virgínia.Ms,por outro lado... - Rosana e disse que o Alex gosta dela. - Isso é óbvio. - Mas e ela. Será que o respeita.Será que não o está enganando. - Façamos o seguinte:na sexta feira você liga para o Alex e diga que eu quero conversar com ele. Peça para que venha aqui no sábado ou no domingo. - E se ele trouxer a Raquel. - Daremos um jeito.Vou tentar pegá-lo a sós para conversar.Isso é fácil. Indo á direção da esposa,o marido a envolveu ,beijou-lhe e a apertou contra si,procurando deixá-la segura ,dizendo-lhe ,sem palavras,que ele estaria lhe apoiando.
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Um motivo para viver
SpiritualRaquel nasceu em uma fazenda,numa pequena cidade do Rio Grande do Sul.Morava com o pai,a mãe,três irmãos e o avô,um rude e autoritário imigrante clandestino da antiga Polônia russa. Na mesma fazenda,mas em outra casa,residia seu tio Ladislau,com a m...