Raquel parecia entorpecida.Envolvida por Sissa,ela se comovia coma condição de Alice. Sissa,através de Raquel,iria procurar ajuda a sua protegida e colocá-la em uma situação melhor. Raquel,sem conseguir raciocinar,quase automaticamente,fazia os contatos necessários para empregar Alice. Em uma das oportunidades que teve durante o horário de serviço,ela comentou com Alexandre o ocorrido e ele se indignou: - Você ficou louca?! - exclamou ele,incrédulo. -Sua cunhada tripudia você e ainda quer ajudá-la. - Mas Alexandre,ela precisa.Além do que quando Alice está desempregada ela é horrível! Parece que com os pensamentos ocupados no serviço ,ela não se revolta dentro de casa e fica menos implicante. - Quer um conselho,Raquel? - E sem aguardar,ele concluiu: - Cuide de sua vida.Arrume um jeito de sair dali. Procure alugar uma casa,uma quitinetesei lá... - Como? - Ora,Raquel,procure - insistiu Alexandre,sem se exaltar. - Deve haver um jeito.Tem que haver um lugar sem tantas exigências. - Tá! Tudo bem,eu arrumo o lugar e como vou dormir?Como vou comer? Preciso de móveis e utensílios básicos.Vendi tudo.Mal me sobraram as roupas,pois Alice vive pegando emprestado o que tenho de melhor. Suspirando e pendendo a cabeça de forma negativa,Alexandre confessou: - Tudo isso me deixa indignado.Como você foi entrar nessa? Ninguém se desfaz de tudo o que tem e... - Devo muito a meu irmão.Você não entende porque não sabe o que já me aconteceu. Alexandre,fixando o olhar sério,encarava Raquel,aguardou que ela contasse. - Já me vi em muitas dificuldades, Alexandre e somente Marcos me ajudou.Por isso faço por ele o que for preciso. - Você deve ajudá-lo,sim.mas sem se prejudicar.Ultimamente,Raquel ,vejo você triste,abatida,desaminada de tudo. Como vai querer ajudar seu irmão sem ter forças nem para você? - Eu sei que você tem razão,mas a verdade é essa: sinto-me realmente sem forças,sinto-me incapacitada.Encontro-me num serviço que não me acho competente,não me dou bem nessa função e acredito que vou perder o emprego a qualquer hora. - Quem falou que você vai perder o emprego? - Alexandre,para tudo o que faço fico dependendo de você. - Ora,Raquel,nem tanto. - É verdade! Eu o uso o tempo todo. Tudo o que faço dá errado.Eu luto,trabalho,me esforço ao máximo e ninguém me reconhece. Nem minha família. A moça se deixava envolver pelas vibrações daquele espírito que a acompanhava e que desalento,passava-lhe suas impressões. O colega ouviu calado. Um espírito de maior evolução mral,que agora acreditou ser o momento certo de agir,envolveu Alexandre que reagiu otimista ao pessimismo de Raquel. - Quem precisa valorizar os seus feitos é você mesma Raquel,e não os outros.Não ressalte o seu orgulho ,mas você deve se considerar uma pessoa vigorosa por ter chegado one chegou.Não fique olhando os problemas .Procure as soluções.- Após uma pequena pausa,ele prosseguiu: - Tem uma frase de Guimarães Rosa que é mais ou menos assim: " o nimal satisfeito dorme", Se não está satisfeita,acorde,Raquel! Não se acomode! Não creia que a vida seja assim mesmo,por que não é,não. Você sempre pode fazer algo para melhorar. Reaja! - Não tenho motivos que me impulsionem,Alexandre.Estou sem vontade. Olhando-a bem nos olhos ,ele se aproximou e como se quisesse embutir-lhes as palavras,afirmou: - A decadência de uma pessoa se inicia com frases desse tipo.Não pense assim.Seu humor ,seu ânimo,sua força de vontade e a reconquista da auto-estima serão renovados quando você sair da casa de seu irmão, mas para isso,você precisa se auto-afirmar como pessoa. Raquel não dizia nada ,e o colega continuou: - Não faça nada em favor de Alice até você se estabilizar.Guarde suas energias para você mesma. - Vendo a colega manter o olhar fizo no chão,ele completou: - Pense Raquel.Pense bem.Estabilize-se primeiro depois você pode pensar em ajudá-la.Antes não. Passado alguns segundos Alexandre tomou coragem e decidiu: - Eu preciso falar com você,mas não pode ser agora. Ela o encarou firme,e ele continuou: - O assunto é sério e por isso precisamos de um tempo maior.Quando encerrar o expediente,você me espera,certo? Raquel confusa e sem saber o que pensar,afirmou positivamente sem dizer nada.Alexandre voltou para o seu lugar e ficou planejando o que iria dizer.Durante todo esse tempo de conversa,Rita e Vagner ficaram paralizados e olhando-os sem saber qual era o assunto. Quando terminaram Rita,pensando em voz alta,falou entre o dentes: - Ela me traiu.Quietinha,ingênua e falsa. Vagner voltou-se para ela e avisou: - Acho que o cafajeste é ele. Alexandre ,como todo bonitão,só sabe dar em cima ,conseguir e cair fora. Rita o encarou perguntando: - Tá a fim da Raquel? Sorrindo maliciosamente,Vagner admitiu: -Não mais.Se bem que ela é tentadora. Rita sorriu cinicamente exibindo no lhar um brilho pelas ideias que começaram a durgir ,virou-se para o colega e decidiu: - Podemos ser grandes amigos,Vagner.O que você acha? Vagner quase gargalhou de satisfação e estendeu a mão para a amiga,que se encontrava sentada em sua mesa.
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Um motivo para viver
SpiritualRaquel nasceu em uma fazenda,numa pequena cidade do Rio Grande do Sul.Morava com o pai,a mãe,três irmãos e o avô,um rude e autoritário imigrante clandestino da antiga Polônia russa. Na mesma fazenda,mas em outra casa,residia seu tio Ladislau,com a m...
