Ao chegarem em casa,o senhor Claudionor avisou,quando elas entraram na sala: - O Xavier acabou de sair. - Ele tem novidades. - perguntou Raquel interessada,arregalando os olhos á espera de notícias. - Praticamente não. Ele disse que telefona amanhã. Logo depois ,ao se ver a sós com seu pai,Rosana perguntou: - Que levantamento demorado.É assim mesmo. - Vem cá - pediu o homem,indo até o escritório,enquanto mantinha um ceto ar de mistério mesclado com animação em esclarecer a filha sobre algo surpreendente: - É o seguinte,a menina foi encontrada.Bruna tem saúde perfeita e é a típica criança de maior solicitação para adoção por causa de suas características físicas.Admiro-me até que não tenha sido adotada novamente. - Como assim.Ela foi adotada. - perguntou Rosana afoita. - Um casal entrou com pedido de adoção. Após o procedimentos legais na Vara da Infância e da Juventude,o promotor de Justiça foi ouvido e o casal,dentro das normas legais,obteve o período chamado de "Estágio de convivência",por que a Bruna tem três anos de idade. - E aí. - indagou Rosana,quase em desespero. - Aí que a menina foi entregue ao casal mediante um termo de guarda e responsabilidade,enquanto se processava a adoção. Nesse período de estágio e convivência,houve graves conflitos. - Como assim. - insistiu Rosana aflita e curiosa. - Toda criança que passa algum tempo num orfanato traz consigo uma bagagem de vida ignorada e inacessível,até então ao casal adotante. Parece que a Bruna revelou uma não aceitação aos mesmos. Esse contato inicial que tiveram foi tão desajustado que requereu a intervenção dos técnicos que avaliam esse período , e os mesmo sugeriram a interrupção temporária dessa convivência. - E agora. - A Bruna foi retirada provisoriamente ,do convívio com a família adotante. - O que eles alegaram para que houvesse essa intervenção,você sabe. - interessou-se Rosana. - Sente-se porque você não vai acreditar - pediu o pai,que ficando á sua frente,revelou: - Bruna falava ,aos choros ,por dias seguidos que a mãe iria buscá-la.Ela contava que tinha sonhos e dizia que conversava com o pai,descrevendo-o como sendo muito risonho,alto ,forte,de olhos azuis,cabelos pretos e lisos.Falava ainda que a mãe se parecia com ela. Rosana ficou imóvel e boquiaberta. Sem trégua,o pai prosseguiu: - Fiquei exatamente como você quando ouvi isso do Xavier,No entanto ,tem mais. Com os dias,Bruna Maria parou de chorar,mas falava que os pais verdadeiros apareceriam e a levariam embora.Isso era dia e noite,e a mãe adotiva não suportou a pressão. Surpresa,Rosana sorriu quase espantada com o relato, e o pai continuou: - Precisaremos ser rápidos para não ter maiores dificuldades.Por enquanto não quero revelar tudo isso á Raquel para não preocupá-la.Combinei com o Xavier que quero pô-la em contato com a filha só quando for necessário e tudo estiver certo,sem riscos.Pretendo poupar a Raquel de expectativas angustiosas até quando puder. Imagino quantas dúvidas ela já tem. Bem,é assim,o juiz vai pedir comprovação laboratorial de filiação,serão analisados as condições e o motivo do abandono,pois Raquel desapareceu após o nascimento. Fora isso,atestado de saúde física e mental de Raquel. - Ela não tem emprego nem casa própria - lembrou Rosana. - Carência e falta de recursos materiais não a farão perder a menina.Problemas morais ou envolvimento com crimes,sim. - Papai ,eu estou preocupada.Passamos hoje na casa do irmão da Raquel e ele quer que ela volte a morar com ele. O Senhor Claudionor ficou surpreso ,depois perguntou: - Você acredita que ela irá. - Não sei. Raquel falou que ia pensar. - Isso me faz preocupado com o Alex - afirmou o pai. -Eu também pensei nisso. - Mas por outro lado,Rô,vejo a Raquel tão preocupada com seu irmão que não acredito que possa deixá-lo agora. - Sabe o que acontece,por causa dos costumes em que foi criada,Raquel não consegue aceitar viver daquele jeito com o Alex. - Se a situação se agravar,pediremos que fique morando aqui conosco.Quando for o momento,vou conversar com ela. Na próxima semana,o Alex deve voltar para casa e talvez,por ter que lhe dar atenção,Raquel ainda não pense em ir morar com o irmão. - Pelo que eu percebi,o interesse em ficar com a filha a prende aqui,pai. O homem sorriu,parecendo ter aluma ideia,depois falou: - Vamos aguardar,Rosana.
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Um motivo para viver
EspiritualRaquel nasceu em uma fazenda,numa pequena cidade do Rio Grande do Sul.Morava com o pai,a mãe,três irmãos e o avô,um rude e autoritário imigrante clandestino da antiga Polônia russa. Na mesma fazenda,mas em outra casa,residia seu tio Ladislau,com a m...
