Dona Virgínia pareceu não ouvir e o pai de Rosana ficou refletindo sobre o pedido,depois disse: - Preciso conversar com meus outros filhos,doutor. Podemos pensar? - Claro. Mas, por favor ,perdoem-me por ter que avisar,mas vocês terão que ser breves.Seus filhos estão aqui? - O Alexandre e a Raquel sim,eles estão lá embaixo,mas não sei se a Vilme e o Walter chegaram,o Walter talvez... - respondeu ele,atordoado. DonaVirgínia chorava muito e senhor Claudionor estava como que em choque,incrédulo.Tudo fora muito rápido.Logo Alexandre ,Raquel e Walter chegavam assustados por terem sido chamados,da sala de espera,com urgência.Após serem avisados sobre a soliitação da autorização para a doação de órgãos,Raquel abraçou-se a dona Virgínia,enquanto Alexandre e Walter ficaram chocados e pensativos. Forçando-se a se recompor,o irmão perguntou: - Doutor Cardoso,o que é a morte encefálica? - É a inibição irresversível das atividades cerebrais.Ela pode ser causada por uma pancada,que é o traumatismo craniano,por um tumor ou uma lesão,como é o caso da sua irmã. - Descupe minha ignorância - tornou Alexandre-,mas como se tem certeza disso,digo como se tem certeza da morte encefálica? - É possível que diagnosticamos a morte encefálica com exames clínicos ,mas a Lesgislação Brasileira exige diagnóstico preciso através de médicos sofisticados.Através dos exames: Eletroencefalograma,angioagrafia cerebral e outros como o eletroencelógrafo que regstra as ondas cerebrais... Aqui está - disse o médico,estendendo-lhe alguns papéis -,eu os trouxe para que veja.Inclusive a arteriografia. Alexandre pegou os paéis e os olhava atento ,acompanhado por Walter,enquanto o médico lhes mostrava melhor e explicava ao mesmo tempo. O senhor Caludionor parecia ter deixado a decisão para eles. Alexandre se sentou,olhou para a esposa e para a mãe,passou as mãos pelo rosto,e erguendo o corpo,olhando para o teto,rogou: - Deus! O que faremos? Walter,parecendo estar mais consciente,lembrou: - Alguém sabe dizer o que Rosana diria em uma situação dessa? Todos ficaram em silêncio. Por fim,Alexandre perguntou: - Doutor,quanto tempo nós temos? - Não muito.Após a morte encefálica,alguns órgãos resistem por mais tempo,outros não. Estamos manetendo as condições de circulação sanguínea e a respiração de forma artificial,através de respiraddouros e medicamentos que aumentam a pressão arterial. Veja,a equipe encarregada para fazer a retirada dos órgãos para o tranplante tem que ser acionada.É uma equipe com treinamento específico para esse tipo de procedimento.Eu não faço parte dela e nem poderia fazer. Os porváveis receptores têm que ser chamados aos hospital e cada órgão tem um tempo diferente de duração após cada retirada. Por exemplo,o pâncres dura doze a vinte quatro horas,dois rins,de doze a quarenta e oito horas,um fígado de doze a vinte quatro horas,duas córneas até sete dias e um coração e dois pulmões somente de quatro a seis horas.É uma corrida contra o tempo. Fora essa dez partes mencionada,temos ainda as válvulas cardíacas,medula óssea,veia safena,etc. Muitas vidas dependem disso.Hoje em dia,eu acredito que há cerca de 30.000 ou 35.000 pessoas esperando na lista para receber uma doação.Mais de trinta por cento morrem antes de conseguir esse "presente de Deus" e somente dez por certo recebem um órgão por ano. - Doutor Cardoso - perguntou Walter -, amorte encefálica de Rosana foi dignosticada só pelo senhor? E se quisermos chamar um médico de nossa confiana ,agora,é permitido? - Se vocês tiverem um médico de confiança da família,por favor,chame-o imediatamente! Isso será ótimo! Contudo ,não somente eu,mas também o doutor Reinaldo,outro neurocirurgião.foi acionado assim que diagnosticamos a morte encefálica de Rosana.Ele não está aqui no momento,pois atende a uma emergência,mas junto comigo ele dignostica e atesta.Como devem saber ,são dois médicos,que não façam parte da equipe de remoção e transplante de órgãos,que precisam chegar ao mesmo parecer,o da morte encefálica,para que seja slicitada a doação.Fora isso também se admite a presença de um médico de confiança da família.Um médico sozinho não pode atestar a morte encefálica para a solicitação do transplante de órgãos. Decidido,Alexnadre avisou: - Prefiro que seja assim. Dê-me alguns minutos,vou telefonar para meu médico. - Por favor.Chame o quanto antes - incentivou o neurocirurgião. Enquanto aguardavam a chegada do cardiologista acionado por Alexandre,Walter procurava saber ,com o neurocirurgião que atendia Rosana,maiores informações. - Doutor - perguntou Walter muito interessado -,ode me dar uma orientação? - Mas é claro! - Quem pode ser doador de órgãos? - Todos,desde que não sejam pessoas portadoras de doenças infecciosas incuráveis,câncer generalizado,diabetes,AIDS ou tenham comprometido o estado do órgão. Não é muito fácil ser doador se observamos a causa da morte ou em que condições esta se dá,a demora para a retirada... e tudo mais,inúmeors fatores comprometem todo o roteiroa ser seguido. Por esse motivo há muitos na fila de espera para doação.Isso sem contar com aqueles que não admitem ser doadores. Por exemplo,se a Rosana tivesse outro tipo de morte,um acidente,por exemplo e seu corpo fosse trazido para cá sem que fossem mantidas as funções vitais para os órgãos,como a circulação sanguínea e a respiração,muito mal se poderia aproveitar as córneas,porque após a autorização da família ,precisamos ainda acionar a equipe especializada para a reitrada dos órgãos,e esta equipe nem sempre está próxima. A equipe de atendimento do hospital não pode fazer o procedimento de retirada dos órgãos. - Doutor - tornou Walter -,por exemplo,nós estamos aqui com esse dilema de doar ou não.Nesse instante,a família ou as famílias dos possíveis receptores estão sabendo do caso e há um interesse ,ou uma pressão ,vamos dizer assim,sobre os médicos desse hospital para que nos convençam a fazer a doação? - Não há como isso ocorrer. - Logo o médico perguntou: - Qual é seu nome mesmo? - Walter. - Pois bem,Walter.É preciso que as pessoas saibam que a doação de órgãos sob a ótica da Legislação Brasileira ,não pode ser feita para uma pessoa especifíca.Isso é crime. Como eu já disse,quando há morte encefálica e essa pessoa é um doador em potencial,primeiro são mantidas as funções vitais dos órgãos,pos se é o cérebro que comanda tudo,a manutenção do corpo tem que ser feita por meios artificiais,senão,em pouqissimo tempo esse órgãos vão parar de funcionar. Constatada a morte cerebral,a família é avisada e consultada sobre a possibilidade de doação. Se não forem realizadas exames como eletroencefalograma,angiografia cerebral e arteriografia,a família eve exigi-los .Isso é lei. Mesmo se os esquipamentos necessários para esse exames não existirem no hospital,eles podem e devem ser trazidos.Além disso,a família pode pedir a presença de um médico de sua confiança para companhar o caso e dar um parecer. Como eu ia dizendo,Walter ,após o consentimento da família,o hospital onde está o doador potencial notifica a Central de Tranplantes,que por ua vez pede a confirmação do diagnóstico da morte encefálica e a autorizaçãoe somente a partir daí ,inciam-se os testes de compatibilidade entre o doador e os possíveis receptores da lista de espera. A Central de Transplantes aciona a equipe de remoção e transplante e o pessoa de apoio deslocando-os para o hospital onde o doador estiver. O possível ou possíveis ,receptor para cada orgão só então é comunicado e vai ao hospital onde ele será atendido,e que também já deverá estar de sobreaviso. Então veja,se você quer doar o seu coração para mim,é bem provável que não possa.Existem as compatibilidades entreo doador e o receptor,que é escolhido por Deus.
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Um motivo para viver
SpiritualRaquel nasceu em uma fazenda,numa pequena cidade do Rio Grande do Sul.Morava com o pai,a mãe,três irmãos e o avô,um rude e autoritário imigrante clandestino da antiga Polônia russa. Na mesma fazenda,mas em outra casa,residia seu tio Ladislau,com a m...