Quando todas as portas se fecharam para ela, foi Marcos quem a amparou e cuidou até de sua saúde.
Raquel era grata a ele pelo que fizera e, com certeza,faria o possível para ajudá-lo.
Aquela situação,porém,era difícil demais,pouco ela poderia fazer.
Lembrando-se da pequena reserva em dinheiro que depositara em uma conta de poupança,a jovem ofereceu:
- Marcos,tenho algum dinheiro guardado. Não é muito,mais..... Ele é seu!. - afirmou ela convicta. E esperando um semblante mais animado por parte dele,Raquel se decepcionou quando o irmão anunciou:
- Já tenho dois meses de aluguel em atraso. Mais um e estou na rua.
Ante a revelação desagradável,Raquel empalideceu. Logo,porém,ligeira pela idéia imediata,ela decidiu afirmando:
- Mudem para a minha casa. Pronto! Está resolvido. Você,a Alice e os meninos virao morar aqui. Está casa não é muito grande,mas podemos noa ajeitar,certo?
Marcos levantou a cabeça, antes pendida,dirigindo o olhar, ainda tristonho para sua irmã,mantinha-se sem palavras ou argumentos.
- Eis a solução,Marcos! Eu continuo pagando o aluguel daqui e você só me ajuda com a alimentação e as contas de água e luz. Você se estabiliza,guarda algum dinheiro e aguarda sua situação se firmar.
- E se eu for demitido?
- Será melhor que você esteja morando aqui se isso acontecer. Vocês não vao ficar sem ter onde morar e será o tempo de arrumar outro emprego.
- Não posso fazer isso,Raquel - afirmou Marcos insatisfeito com a solução que ela arrumou.
- Você tem que aceitar!
- Não quero usar você,Raquel. Sabe com a Alice é..... Isso não vai dar certo.
- Será por pouco tempo. Tenho certeza de que esses "cortes",lá onde trabalha,vao parar e você não será demitido. Quando tudo voltar ao normal,vocês arrumam outro lugar até melhor.
Diante do silêncio de Marcos,parada diante dele,Raquel insistiu com voz generosa expressando um brilho sem igual no olhar:
- Por favor,aceite. Deixe-me fazer algo por você. Dê-me a oportunidade de retribuir o que já fez por mim. Não estarei fazendo isso por paga,é por amor. Somos um pelo outro,Marcos. Não somos?
Ele a encarou reconhecendo que Raquel era a única ajuda ao seu alcançe.
Com olhar melancólico e, no semblante,um forçado sorriso triste,Marcos pendeu com a cabeça afirmando positivamente as lágrimas que rolaram teimosas em seu rosto.
Ainda com a fisionomia expressando preocupação,Marcos argumentou:
- Ainda tenho que falar com Alice. - Pensativl,ele tornou a concluir quase desalento: - Não será fácil,minha irmã. Você bem conhece minha esposa. Eu só aceito sua oferta por não ter alternativa, não é de meu agrado que você se sacrifique tanto,perdendo sua privacidade,sua liberdade e ainda tendo de aturar o mau humor de Alice.
- Não pense assim,Marcos.Não estou me sacrificando. Sempre serei grata a você por tudo o que tenho hoje. Sempre estarei ao seu lado.
Com o olhar enternecido e grato,Marcos aproximou-se de Raquel,beijou-lhe a fronte e agradaceu:
- Obrigado,Raquel. Será por pouco tempo. Acredito que é uma faze. Logo irei me recuperar.
- Vai dar tudo certo. Não se preocupe - afirmou a jovem animada,escondendo com um largo sorriso sua preocupação.
Oferecendo novo rumo à conversa,ela convidou:
- Bem,hoje você fica para jantar comigo,não é?
- Não,Raquel,obrigado.
- Só hoje,Marcos!
- Não,obrigado. Quero chegar cedo em casa. Tenho que conversar com Alice e...... Creio que a noite será longa.
Logo após Marcos se retirar,um sentimento indefinido tomou conta de Raquel.
A inapetencia ganhou espaço em seus desejos,por causa dos semtimentos tristes pela incerteza com a situação de seu irmão.
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Um motivo para viver
EspiritualRaquel nasceu em uma fazenda,numa pequena cidade do Rio Grande do Sul.Morava com o pai,a mãe,três irmãos e o avô,um rude e autoritário imigrante clandestino da antiga Polônia russa. Na mesma fazenda,mas em outra casa,residia seu tio Ladislau,com a m...