O tempo foi passando e a melhora psicológica de Raquel,após a terapia que ainda realizava,podia ser notada,a princípio ,pelos pesadelos que deixava de sofrer. Em conversa com Rosana,a cunhada dizia: - Há tempos eu não tenho aqueles sonhos horríveis. - Que bom Raquel! Fico feliz - alegrou-se Rosana. - Creio que não é só a terapia que fazemos,mas também a assistência espiritual que recebo que está ajudando. - Pode acreditar que sim. Mas não deixe de fazer nem uma nem outra coisa. - Após poucos segundos,perguntou: - Sei que estou sendo indiscreta,mas... e vocês dois,como estão? Raquel ofereceu um sorriso forçado e revelou: - Alexandre é uma criatura maravilhosa,Rô. Mas... Nesse instante,seus olhos se embaraçam e ela abraçou-se a Rosana, que lhe afagando os cabelos,dizia: - Ainda é cedo,Raquel.Calma.Vocês já progrediram muito. Com a voz embargada,Raquel desabafou: -Nós temos quase um ano de casados!Não sei como o Alex me suporta. - Ele a ama,Raquel. - Ás vezes choro ás escondidas... - confessou Raquel,com voz lamentosa,afastando-se do abraço. - Divida com ele os seus pensamentos. O Alex é seu amigo. - Eu sei que é .Nunca pensei que ele pudesse tolerar tanto.Sabe,Rô,de repente sinto uma força,creio que consigo superar meus medos,eu o abraço,o beijo,o desejo,mas logo em seguida... parece que eu mesma me derroto,entro em pânico e o afasto de mim. É como se eu tivesse altos e baixos. É um conflito imenso. Você não imagina. - O que o Alex diz?Ele fica insatisfeito,se irrita? - Não! Ele entende.Aceita e me faz acalmar,conversando e me acariciando até que eu melhore da tensão. O Alex é muito compreensivo.Eu o amo tanto. Não consigo mais viver sem ele. Rosana sorriu satisfeita pelos sentimentos que observa na cunhada e falou com jeitinho: - Confie nele,Raquel. Vocês já progrediram muito. Isso não podem negar. Esta retribuiu o sorriso com modos tímidos. Logo o assunto mudou,quando Rosana lhe contou: - Ah! Não falei ,né? - O quê? - Vamos adiar novamente o casamento. - Por que,agora? - surpreendeu-se Raquel. - O Ricardo quer fazer um curso lá onde onde está,na Suíça.Será de grande valor para ele. - Nem sei o que dizer ,Rô. - lamentou a cunhada. - Sabe,Raquel,para dizer a verdade,estou tão frustada. - Não fique assim,não. Vai passar logo,você vai ver! - Serão mais quatro meses.Não estou gostando.Ás vezes sinto uma coisa. - O quê? - Sinto o Ricardo diferente. - Não,Rô,ele gosta muito você! Não pense assim. Pela primeira vez Raquel viu Rosana triste e chorosa. - Sabe,ás vezes sinto que nunca vamos ficar juntos. - Não diga isso! - Já pensei em terminar com esse noivado,sabia? -Pense bem,Rosana.Depois de tanto tempo... A cunhada abaixou a cabeça,suspirou profundamente e logo procurou outro assunto para fugir da melancolia. - Fiquei sabendo que a dona Conceição ,lá do Centro,foi falar com você! - Foi sim. Ela me convidou para ajudar na arrecadação de enxovais para os bebês e nos ajustes e consertos manuais de algumas roupinhas.Fiquei tão feliz! Estou indo lá duas vezes por semana,á tarde,e levo a Bruna comigo. - Que bom Raquel! - Nossa,Rô,como melhorei.Estou me sentindo tão útil! - Isso é maravilhoso.Aqueles que vencem suas dificuldades para ajudar os outros são os primeiros a ser socorridos.Ainda bem que o Alex não se importa. - Claro que não! E ainda me incentiva.Ele não quer que eu volte a trabalhar,só que ficar em casa trancada,não me faz muito bem. Sinto-me depressiva.Lá no Centro ocupo os pensamentos ,vejo outras pessoas,me envolvo com trabalhos úteis agradáveis.Tudo está me fazendo muito bem. - Mas nada acontece como mágica.Você tem que se esforçar para melhorar e se está se sentindo bem,é porque mudou os hábitos ,os pensamentos,as atitudes e procurou uma tarefa produtiva. Buscou conhecimento da Doutrina através das escolas,dos cursos. - O Alex está adorando. - Fiquei surpresa quando soube que ele estava fazendo cursos.Isso foi algo que sempre tentei e nunca consegui que ele fizesse.O Alex sempre dizia que não tinha tempo. Enquanto elas conversavam,o senhor Claudionor e dona Virgínia ouviam os planos do filho: -Então ,eu tiro férias em setembro ou outubro,pego a Raquel e vamos para o Rio Grande do Sul. - Deixe a Bruna aqui! - Não,né mãe! Será uma judiação fazer isso com a outra avó. - Então eu vou junto! - anunciou a mulher. - Não,né Virgínia! - advertiu o marido. - Eles têm que resolver isso sozinhos. A mãe ficou inquieta e Alexandre continuou: - Depois,quando voltarmos,falaremos sobre aquilo novamente,pai. - Aquilo o quê? - Negócios,mulher! - respondeu o marido ,sorrindo e abraçando-a completou: - Ô mulher curiosa! O filho sorriu e explicou: - É que estou pensando em sair do serviço e acompanhar o pai com outros negócios. - Alex - propôs a mãe -, quando a Rô se casar.por que vocês não vêm morar aqui? Já fiz esse convite para sua irmã,mas ela não quis porque disse que quer estudar,trabalhar... Mas veja,vocês têm a Bruna e ela adora essa casa! Aqui tem quintal,lugar para ela brincar,não é como aqueles apartamento fechado. Essa casa é grande. - É mesmo,Alex! Por causa dos negócios,seria até interessante vocês vierem morar aqui. O filho sorriu sem jeito,depois falou: - É pai,vamos ver. Sabe,estamos tão acostumados lá. - Até hoje eu não me conformo de vocês ter saído dessa casa. Você sempre teve tudo aqui. - Mãe,é que,para mim,foi o melhor a fazer. Mas eu nunca abandonei vocês. - Ele precisou aprender com o mundo e com a vida,Virgínia - disse o pai. - O Alex quis usar lá fora os valores que ensinamos. Alexandre sorriu e não disse mais nada.
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Um motivo para viver
EspiritualRaquel nasceu em uma fazenda,numa pequena cidade do Rio Grande do Sul.Morava com o pai,a mãe,três irmãos e o avô,um rude e autoritário imigrante clandestino da antiga Polônia russa. Na mesma fazenda,mas em outra casa,residia seu tio Ladislau,com a m...