O marido não respondeu,mas expressava um rosto contraído e sisudo.Seus pensamentos fervilhavam nervosos nas dúvidas que começavam a pairar em suas ideias.Pegando a bolsa da irmã,começou a olhar.Para ele,não seria problema Raquel estar saindo com alguém,sua irritação era por ela ter mentido e criado um conflito de informações no passado. - Marcos - tornou Alice - tenho medo da Raquel nos dar trabalho. - Que tipo de trabalho? - Raquel não assume responsabilidade alguma,pelo visto. Ela não admite estar errada e sempre quer ser a vítima.E se ela engravidar e abandonar a criança aqui? Sabemos que já fez isso e nem temos ideia de onde está sua filha. Marcos,contrariado,pediu: - Tudo o que acontecer com a Raquel ,de hoje em diante ,eu quero que me conte. - Não vá dizer nada a ela. Vá com calma. Pegue-a no "pulo". Você vai conseguir. Ele resolveu seguir os conselhos da esposa e concordou. Algum tempo depois,ao colocar a bolsa de Raquel no lugar,Alice tomou o cuidado de transferir para sua bolsa os preservativos que usara para acusar a cunhada. Agora ela agira com inteligência. Se quisesse Raquel longe dali,tinha de ser astuciosa. Não haveria mais de impor as condições.Ela encontraria maneiras de fazer com que Marcos vise o que ela queria. Na manhã seguinte,Marcos por não haver dormido bem e repleto de preocupações,apresentou-se sisudo e quase não cumprimentou Raquel que,percebendo-lhe a indiferença,ficou magoada,mas não disse nada. Sem fazer o desejum,ela foi para o trabalho,torturando-se em pensamentos tristes,principalmente por estar sendo envolvida por aquele espírito que lhe passava ideias lamentáveis,deprimentes e com vibrações pesarosas. No trabalho, Raquel não conseguia ficar atenta ao que fazia. - Droga! - reclama para si mesma. - Preciso entregar isso hoje. Parece que nada quer dar certo. As ideias pessimistas aquele espírito sem instrução cravavam-se cada vez mais nos sentimentos de Raquel. Mesmo sem ter,nesta existência,ou em vidas passadas,ligações com Raquel,agora aquele espírito sofredor e tão perturbado ficava próximo da encarnada,que não o percebia,por ter se afinado com os seus sentimentos,por ter,vamos dizer,gostado dos pensamentos preocupados e tristes que Raquel vinha experimentado nos últimos tempos ,sem reagir,sem ter fé nem esperança que situações melhores pudessem ocorrer. Ao vê-la nervosa com o que fazia,esse espírito sugeria: - Não adianta. Você vai se matar para que tudo saia perfeito e depois de pronto ninguém vai valorizar. - Que droga! - reclamava Raquel. - Isso não vai dar certo. Você não é competente e vão colocá-la no "olho da rua".Eu descobri que só tem valor aqueles que conquistam os chefes,sabiam? Há tempos Alexandre não interferia nas coisas da colega.Vendo-a agora embraçada,ele não resistiu e foi em seu socorro,oferecendo: - O que foi,Raquel? Quer ajuda? - Não estou conseguindo.Veja. - Dê-me licença - solicitou o colega com brandura e suave expressão no olhar. Raquel quase chorando,tinha a visão turva.Ela se afastou e Alexandre trouxe a solução em poucos minutos. - Prontinho! - desfechou animado. Ela,desanimada e embaraçada ,nem sabia o que dizer e ficou parada olhando o serviço. - Vai,garota! Continua agora! impulsionou alegre e repleto de energia. Sorrindo ao ver Raquel retomar novamente o trabalho ,ele voltou para o seu lugar e ficou olhando-a , admirando-a. Raquel era bonita,simpática. Sua quietude oferecia um ar que o intrigava e atraía.Ele sentia vontade de ficar perto dela,mas... Na verdade ,ele desejava poder tocá-la,abraçá-la com carinho... Raquel era encantadora! Seus pensamentos corriam apressados e Alexandre buscava ,sem perceber,uma maneira de conquistar Raquel.Contrariando assim suas promessas de dias anteriores. " Preciso conhecê-la melhor" pensava. " Engraçado,sou capaz de sentir sua sensibilidade.Eu sei ,de alguma forma,que ela é frágil,delicada.Não posso me impor,isso vai agredi-la.Serei paciente."
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Um motivo para viver
SpiritualRaquel nasceu em uma fazenda,numa pequena cidade do Rio Grande do Sul.Morava com o pai,a mãe,três irmãos e o avô,um rude e autoritário imigrante clandestino da antiga Polônia russa. Na mesma fazenda,mas em outra casa,residia seu tio Ladislau,com a m...
