Com a simplicidade que lhe era própria e sem refletir sobre o que falava,Alexandre perguntou: - Ele é rigoroso e a deixa morar sozinha? Raquel não esperava por aquela questão.Ela se viu confusa e ficou só olhando-o sem nada responder: Alexandre logo se retratou,dizendo: - Desculpe-me. Por favor Raquel! - Ao dizer isso,impulsivamente Alexandre colocou suas mãos sobre as dela,que estavam estendidas sobre a mesa,completando: Eu não tenho nada com isso e...... Raquel sorriu delicadamente e,abaixando o olhar,retirou suas mãos ,que ainda estavam envolvidas.Mesmo percebendo sua reação,ele não disse nada,porém intimidou-se.Passram a conversar,então,sobre alguns assuntos de serviço.As horas foram correndo e ao consultar o relógio,Raquel informou: - Tenho que ir.Já é tarde. Alexandre reu e disse,em tom de brincadeira: - Oh! Cinderela! Fique tranquila.Eu a levarei para casa.Meu carro não vai se transformar em abóbora.Eu garanto. - Por que: Cinderela? Sorrindo,ele respondeu: - Por que você sempre quer estar em asa antes da meia-noite.Não são nem nove horas! Eu a levo. - Não.Por favor - pediu Raquel com voz mansa,sem encará-lo. - Eu vou dar uma passada na casa dos meus pais.É caminho. - E,sorrindo,falou: - lém de visitá-lo ,eu janto lá. Diante da indecisão de Raquel,Alexandre mudou o assunto,impedindo-a de pensar a respeito. - Então,conseguiu falar com seu irmão a respeito de você vai sair da casa dele e ir morar em outro lugar? Novamente um semblante aborrecido figurou no rosto de Raquel,que respondeu: - Falei por alto,mas... Marcos não quer concordar.Disse que sou a única família que ele tem e... - Já sei.Você continua ajudando com as despesas e não consegue juntar uma grana para conquistar novamente sua liberdade. Raquel perdeu a cabeça positivamente confirmando a conclusão do colega e confessou: - Não sei o que está acontecendo.Parece que minha vida fica mais complicada a casa dia.Seja no serviço,seja em assutnos particulares,tudo é difícil de ser esolvido.Acho que... - Raquel deteve as palavras. Alexandre ,atento e curioso ,ficou aguardadno ,mas adiante da demora,perguntou: - O que você acha? Os olhos de aquel estavam brilhando e tomando um impulso ,ela revelou: - Nunca dei importância a magias ou coisas assim.Agora,porém,depois que visitei junto com minha cunhada aquele "lugar" ,começei a ficar cismada,duvidando .Desde o princípio,comecei a me sentir mal,com o coração oprimido,tristte.Hoje as coisas estão piores.Nada está dando certo. - Mas você não está indo mais lá,está? - Eu disse para Alice que nunca mais volto lá.Não mesmo! - Encarando Alexandre,Raquel revelou: - No instante em que disse isso,eu senti que Alice olhou-me com uma raiva,com um rancor... Ela não me disse nada,mas eu senti,entnende? - Raquel,dê um jeito de afastar daquela casa o quanto antes. - Como?Você não sabe o que é dificuldade,Alexandre.Por mais que eu tente,não estou conseguindo.Depende sempre do maldito dinheiro.Além do mais,não é só isso.Você mesmo pode comprovar que,lá no serviço,não estou fazendo nada direito.Já fui chamada a atenção várias vezes.Alguns colegas têm me ajudado,mas ultimamente ando tendo ideias fixas que vou ser demitida,que vão memandar embora de uma hora para outra pela incompetência ,e... - E?.... - Ora,Alexandre,nem preciso falar. -Falar o quê? Não entendi. - Você sabe que o Vagner está insuportável.Ele começou a insistir e... Tenho medo. Alexandre respirou fundo e franziu o semblante,não conseguindo dosfarçar seus sentimentos,e ela continuou: - Não gosto dele.E você sabe que ele é muito amigo do senhor Oliveira,o diretor de negócios.Disseram-me que o Vagner é primo da esposa dele.Veja,nós estamos sem um chefe no setor por que Edson pediu demissão.O Vagner conhece tudo ali dentro,é capacitado e tem um tempo razoável na empresa.Agora me diz: Quem você acredita que será nosso novo coordenador? Com os olhos arredondados pela supresa,Alexandre,muito sério,ficou em silêncio ,e ela prosseguiu: - Não vou ceder as investidas do Vagner.Ele me apavora.Não sou tão competente assim com meu trabalho a ponto de ser indispensável para a empresa.Entrei ali como digitadora e por força das circunstâncias,olha onde estou,sem capacidade. - Após poucos segundos de silêncio,ela admitiu: É uma questão de raciocínio lógico,Alexandre.A qualquer momento ficarei sem emprego por causa do rumo que as coisas estão tomando.Lá na na casa do meu irmão,posso também ,de repente,ficar sem ter onde morar.Tenho todos os motivos do mundo para ficar preocupada. Raquel estava com os olhos brilhando pelas lágrimas que começaram a brotar. - Deus" Eu não sei o que fazer - Raquel lamentou com a voz abafada pelas mãos que passava no rosto secando as lágrimas . - Estou desesperada,você entende? - Entendo sim,Raquel.Calma.Eu vou ajudá-la. - Como?Ninguém pode me ajudar - respondeu com a voz rouca,ela parecia inconformada.Abaixou a cabeça,escondendo o rosto para não chamar a atenção. Paciente,Alexandre argumentou: - Lá no serviço eu posso ajudá-la,sim.Já fiz seu trabalho antes,você sabe.Quando tiver dúvidas,ou alguma dificuldade,é só me falar. - Não posso usá-lo,Alexandre.Tenho que resolver tudo isso sozinha. - Preste atenção,Raquel.Ninguém precisa ficar sabendo.Eu posso e quero ajudá-la.Há alguns dias eu a vejo com dificuldades e só não me ofereço para não parecer intrmotido. - Você já me ajudou muito. - Não tanto quanto eu acedito que posso . - Diante do silêncio,ele perguntou: Se eu estivesse em dificuldade e com problemas,vocÊ não faria o mesmo por mim?- Raquel não respondeu nada ele continuou: - Então fica assim:lá no serviço,quando surgir aalguma dúvida,eu a ajudo.Assim você ficará mais calma e encontrará soluções para outras coisas.Vai dar tudo certo,Raquel.Não podemos ser pessimistas . - Depois de alguns segundos ,ele perguntou: - Você está com fome?Vamos comer alguma coisa? - Não.obrigada.Preciso ir. Encarando-o com jeito meigo,Alexandre conseguia figurar como um bálsamo reconfortante para Raquel,que o olhava firme.Exprimindo-se com gentileza,ele ofereceu: - Deixe-me levá-la em casa? Conheço o caminho,já fiz isso antes e você chegou inteirinha.Confie em mim. Raquel sorriu levemente, e sem entender,acabou aceitando o convite. Qundo se levanttaram,ela percebeu que Alexandre,rápido e discreto,tirou do bolso um pequeno recipiente,que manuseou com agilidade e pegou de dentro do mesmo um comprimido que ligeiro engoliu a seco. Raquel não disse nada,pois percebeu que o amigo não queria ser notado. No caminho para casa,ela contou sobre o sono pertubado que estava tendo e comentou sobre o pesadelo sem entrar em detalhes. Ao estacionar o carro,eles não puderam ver que Alice e Marcos os observavam por uma das janelas da casa. Sem perder muito tempo no interior do veículo,Raquel rapidamente agradeceu a carona,enquanto Alexandre com as costas na porta do carro,despediu-se a distância,pois sabia que Raquel não gostava de aproximações. Ao entrar em casa ,Maarcos e Alice ficaram em silêncio. Raquel sentiu algo estranho,mas não disse nada.Ela não tinha o que falar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Um motivo para viver
SpiritualRaquel nasceu em uma fazenda,numa pequena cidade do Rio Grande do Sul.Morava com o pai,a mãe,três irmãos e o avô,um rude e autoritário imigrante clandestino da antiga Polônia russa. Na mesma fazenda,mas em outra casa,residia seu tio Ladislau,com a m...
