Entramos e esperei o Thomas comer um pouco, e pedi que ele fizesse brigadeiro.
Fiquei sentada no balcão dando risada com ele sobre as coisas que vivemos juntos, e olhamos no relógio do microondas que já eram quase cinco horas da manhã.
- Meu Deus perdemos a noção da hora. - disse Thomas
- Vamos dormir assim que você terminar. - disse
- Você esta cansada ou com sono ? - perguntou ele enquanto mexia na panela
- Nenhum pouco, parece que acabei de acordar. - disse
- Então você vai me contar mais. - disse ele. - Só que agora na sala pois já estava com frio lá no carro. - completou
Concordei e assim que ele terminou ajudei ele a guardar num prato dentro do freezer e fomos para a sala cada um com uma garrafa de água na mão.
Entrei e tranquei a porta, liguei a tv e sentamos no mesmo sofá, cada um com a sua coberta para um não encostar o pé gelado no outro.
- E o que aconteceu depois que você bateu nele? - perguntou Thomas abrindo um saquinho de jujuba
- Eu não lembro direito, só sei que naquela noite eu me tranquei no quarto e depois pulei a janela para ir jantar na casa da dona Joaquina, a empregada lá do rancho, e fiquei por lá mesmo. Pedi para ela chamar um táxi assim que eu acordei pois eu queria ir no shopping e ligar pro meu pai, afinal nunca fiquei um dia sem falar com ele, e nisso fui tomar banho, assim que terminei de me trocar ela me avisou que o táxi havia chego, eu agradeci por tudo que ela fez pra mim mas eu iria ficar na cidade e não voltaria, ela disse que avisaria a minha mãe mas como todos estavam dormindo ainda por ser bem cedo, era melhor eu ir logo. Lembro que deixei um bilhete bem grande pra minha mãe com a dona Joaquina e entrei no táxi com a minhas malas. - disse
Peguei umas jujubas enquanto Thomas bebia um pouco de água.
- Então para você deve estar sendo difícil tudo isso né, de ficar sem ver seu pai e sem falar com ele. - falou Thomas
- Sim, mas eu ainda não superei tudo sabe, mas quando eu conseguir digerir tudo eu vou conversar com ele. Bom, continuando eu fui para Curitiba pedi que o taxista seguisse até eu conseguir internet para encontrar algum hotel. Ele me perguntou o que uma menina tão linda, com todo o respeito, e bem vestida estava saindo a essa hora de um rancho no meio do mato onde não pegava telefone. Eu respondi educadamente, falei que vim fazer companhia para minha mãe mas se arrependimento matasse, ele não fez mais nenhuma pergunta, eu estava com uma calça social bege, uma camisa preta social bem soltinha e um scarpin preto, assim que consegui sinal, procurei um hotel e fiz a reserva por um site que não me lembro, o hotel me ligou dez minutos apos eu receber a mensagem de comprovação do pagamento, perguntando que horas eu entraria, se tinha alguma preferencia. No começo achei bem estranho nunca nenhum hotel tinha me ligado, mas enfim, cheguei no hotel, a gerente me perguntou o que eu era do doutor Carlos Borges, falei que era meu pai e então ela ficou conversando comigo um pouco e me acompanhou ate o quarto. Entrei, guardei as malas e perguntei sobre alguma festa para aquele dia a noite, era sexta ou sábado se não me engano, ela falou que sairia em duas horas e depois podia ficar conversando comigo, me mostrar a cidade, shoppings e depois podíamos ir em alguma festa. Assim que ela saiu meu pai me ligou, perguntando o que eu estava fazendo em Curitiba, disse que a gerente do hotel ligou para ele falando que haviam passado meu cartão e ele queria confirmar se era eu, falei para ele que minha mãe estava no rancho de uma amiga e eu não consegui ficar lá, então eu sai de lá. Ele ficou meio ressabiado mas aceitou o que eu estava falando, perguntei como estava a viagem, mudando de assunto e ficamos conversando por um bom tempo. - disse
- Gente seu pai também. - disse Thomas me dando o pacote de jujubas.
- Segundo ele depois me contou o hotel tinha um registro dos nossos nomes e avisava ele caso algo aparecesse no sistema deles, eu nem liguei né. Ele ainda me deu varias dicas sobre Curitiba. - disse rindo. - Eu lembro que acordei com a gerente batendo na porta, e então me levantei e convidei ela pra entrar. Nos apresentamos ela se chama Daniela, uma ruiva não natural, alta, vestindo um terninho azul marinho e um lenço no pescoço, seu corpo não dava pra ver como era devido a tanta roupa. Ela me convidou para irmos até a casa dela para ela trocar de roupa, e depois iriamos passear que no dia seguinte ela estaria de folga, eu lembro que até cheguei a perguntar pra ela se foi meu pai quem mandou ela ficar me guiando por Curitiba. - disse rindo. - Mas ela falou também, mas eu parecia ser legal e não uma serial killer, até porque eu magrinha, tinha muita força pra ser uma serial killer né. - completei rindo com o Thomas.
- Ai ai eu imagino a cena. - disse ele rindo. - Ai essas jujubas são tão boas. - disse ele abrindo o segundo pacote.
- Você vai passar mau depois. A gente saiu, fomos até a casa dela, ela morava com os pais, esperei ela se arrumar na sala junto com os três gatos que ela tinha, pelo menos os que eu vi né. Lembro que a mãe dela gritava, Heitor tira esses gatos de cima da moça ela vai ficar cheia de pelos, ai o pai o senhor Heitor gritava de volta, a moça ta na dela e os gatos também, não enche mulher e me pedia desculpas, eu só dava risada e brincava com os gatos. Logo ela desceu, de calça social preta, sandália e uma camisa social manga ¾ com perolas na gola. Ela tinha um carro e então não precisamos chamar táxi, ela me mostrou umas baladas que tinha e me deu um convite para um open bar que teria num club perto dali. Topei na hora né e fomos ao shopping, queria roupa nova e cabelo novo, fiz tudo que tinha direito, vi que ela ficou sem graça e ela me disse que não tinha dinheiro naquele momento porque ajudava em casa, eu me distanciei dela um pouco e falei pra mulher do salão fazer tudo nela (risos) pois eu pagaria de presente. - disse
- Ai que fofa como sempre. - disse Thomas.
Continuamos conversando um pouco até minha mãe bater na porta me chamando para tomar café.
...
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A Vida Da Ema
Short StoryE se o seu verdadeiro amor sempre estivesse ao seu lado? avidadaema.tumblr.com Capa feita pela linda da Renata Machado.