Liliana é uma bela jovem de cabelos negros como a noite e longos cachos que moldam o movimentar do quadril generoso. De fato, a jovem parece ter sido feita sob medida, toda arredondada e cheia nos "lugares certos", e assim me deixar mais consciente sobre minha própria aparência.
— Aqui está o quatro, Srta., espero que o ache agradável, mesmo não sendo nada feminino. — diz rapidamente ao pararmos em frente a uma enorme porta de mogno preta e, ao abri-la e forçosamente enviar meu corpo para dentro do enorme recinto, poder ver claramente o "nada feminino" daquele ambiente. O quarto não só é austero e masculino, como pertence, de fato, a um homem. Isto é visível pelos livros sobre a enorme escrivaninha, os papéis e o casaco negro sobre a cadeira. Uma caixa de charutos e a garrafa de vodka compõem ainda mais os traços de um homem refinado, ocupado e frio. Um provável solteirão tremendamente metódico. Entrar neste quarto é como entrar na biblioteca do velho Conde, só que certamente mais sombria.
— Gostaria que acendesse a lareira? —pergunta Liliana, me tirando do devaneio sobre o intrigante morador do quarto. O mais provável é que o quarto pertença ao filho do Conde, William. Entretanto, nas histórias que meu velho contava, William era um jovem caloroso e bagunceiro, o oposto do que este ambiente tão enfaticamente me sugere.
— Milady?
— Oh, me desculpe! Creio não haver necessidade para lareira.
— Mas senhorita, estamos no outono...
— A cidade é muito abafada, muito diferente do campo. — digo em uma resposta rápida para que possa mais que finalmente perguntar o que me queima. — Agora, Liliana, poderia me informar quem é o residente deste quarto? Porque claramente vemos que já se encontra ocupado.
— Pertence ao Príncipe Mikhail, o melhor amigo do Sr. William. — ela diz um pouco assustada, como se em qualquer momento o morador original pudesse aparecer e torturá-la. Agora sim tudo me parece muito mais estranho, principalmente por não me lembrar do meu avô comentar que Ingrid era tão descuidada com a comodidade e o bem-estar dos seus hóspedes. Em suas palavras, a Viscondessa era uma das maiores anfitriãs que teve a graça e o privilégio de conhecer.
— Então é muito gentil da parte do Príncipe em conceder seu quarto nos dias em que se realizam as reuniões. — digo na tentativa de tirar alguma coisa mais da jovem, algo que me ajude a desvendar o mistério instalado.
— Em verdade, a senhorita será a primeira pessoa a dormir neste quarto. — enquanto Liliana diz estas palavras, posso observar sua fisionomia e perceber como ela parece se sentir ainda mais desconfortável e um pouco envergonhada.
— Creio não ter problemas em dormir neste quarto esta noite, já que foi a própria Viscondessa quem ordenou. — digo com um pequeno sorriso, uma tentativa de afirmar que não me sinto afetada pelas pequenas informações dadas, além de não querer demonstrar que dormir no quarto de um estranho é algo assustador e excitante. Talvez porque meu corpo, estando tão moldado pelo álcool, deixe que o excitante ocupe a maior parte de todo o pensamento.
— Se não há necessidade de mais nada, senhorita, vou me retirar e deixar que descanse. Qualquer coisa, por favor, não hesite em chamar. — É palpável o alivio que a pobre moça sente com meu gesto afirmativo, pois em tão diminutos segundos já estou sozinha na imensidão escura do recinto.
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Sedução do Príncipe
RomanceNos contos de fada o amor surge dos momentos mais incomuns, mas para a realidade daqueles que nunca podem escolher, o amor surgiu do memento mais trágico. Alexia é uma jovem ativa e que aproveita de toda sua liberdade rodeada por campos verdes...
