|Cap. 2|

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A mesa de jantar está ricamente preparada para a noite de hoje. Em seu longo estrado de madeira polida, com suas infinitas porcelanas, cristais, prata e linho, posso ver desenhar aos poucos em meu interior os famosos e gloriosos jantares que pouco presenciei nesta bela e enfumaçada Londres. A mesa disposta por profissionais dos mais bem cotados em todo velho país, se desponta impecável para nove graciosas pessoas. O cheiro bom de assados, cremes amanteigados e o gosto do vinho do Porto que sigo tomando para abrir ainda mais meu apetite envolvem apressada e estonteantemente todo o meu corpo como um veludo de cor alegre e um mar calmo que me deixa flutuar sem preocupações. A curiosidade sobre meus dias passados na encantadora terra fria de Moscou ou no ardente e sedutor Caribe caem sobre mim como uma chuva de agulhas em um passado que preciso lembrar, mas que, ao mesmo tempo, quero esquecer. Tudo isso é como uma grandeza repentina que me força a cair lentamente fora do torpor e felicidade que esse breve dia de hoje anexou em meu sangue feito ópio que vicia aos homens mais fracos.

–– Alexia?! –– escuto a voz de Ingrid que amorosamente me chama. –– Deixe de encarar o vazio e venha ocupar seu lugar, pois o jantar já será servido. –– aponta em sua voz de comando graciosa, me tirando integralmente dos tortuosos pensamentos e me fazendo descer à realidade que se passa em minha frente.

–– Claro! –– concordo em um amplo sorriso ao me juntar sem muita cerimônia à mesa com todos.

–– Conseguiu passar bem esta tarde, Alexia? Creio que a diferença de horário deve ter te colocado tão louca quanto eu. Por mais que tente, não consigo descansar um minuto, muito menos com a curiosidade que corrompe violentamente minhas ideias. –– Helena diz rapidamente, terminando com um belo sorriso e um charmoso balanço de cabeça feito pelos longos e escuros cabelos ondulados que circundam uma pele suave. –– Sinto tanta falta do meu irmão caçula, até mesmo de seu encantador escudeiro. –– termina rompante.

–– Diz sobre aquele menino que vive aos pés de André? –– William pergunta tranquilamente, dando início a conversação.

–– Aquele belo espécime de homem, você diz. –– ela ri sem frescuras.

–– Por favor, Helena, aquela magra criatura não é um homem, mas sim um frágil garoto que tomou como pai aquele desavergonhado aventureiro do André. Diga-me, Alexia, você que passou grande parte do tempo com ele, é um homem feito ou apenas um jovenzinho sem força? –– William brinca com as palavras em sua pergunta impregnada da maior intenção em provocar ciúmes em Mikhail, e mesmo com todo esse charme, minha mente e meu coração preferem evitar toda conversa relacionada a Guez ou aos dias escuros que passei. Meus olhos evitam encarar abertamente ao grupo disposto e sorridente da mesa, minha boca trava ao não querer dar nenhuma resposta sobre algo que não sabem e, no agora ou no sempre, ninguém deverá saber.

–– Na verdade, Guez é um ótimo espadachim e um mais que excelente lutador. Aquele pequeno menino pode não ter minha força bruta, mas não duvido que com sua habilidade e sua maldita esperteza, conseguiria me derrubar em uma luta. –– o musculoso loiro normando responde por mim, e a sensação é de quem encerra um assunto e não deixa no ar espaço para mais qualquer outra objeção. Suas palavras decididas e seu senso de proteção para com a jovem Guez, seus olhos que buscam a confirmação de um segredo guardado fixam em mim um sentimento de força que uma verdadeira amizade consegue ter.

–– Por favor, meus queridos, nada de conversarem sobre Caribe e outros destinos quentes. –– A Viscondessa ri em todo seu frescor. –– O que precisamos saber é sobre quando chegará a próxima criança a esta casa. –– finaliza sem rodeios, me deixando tingida no mais profundo vermelho e fazendo com que meu pobre e silencioso avô quase se engasgue com a comida.

–– Creio que logo terei o orgulho de apresentar minha esposa grávida para toda Londres e poder, assim como William, rir da inveja que todos os homens terão de minha felicidade. –– Mikhail surge em sua voz firme, forte e rouca, impondo ao meu corpo um estado alerta pelo desejo e mesclado com a mais pura vergonha. Suas simples e afirmativas palavras levantam o espirito da mesa e podemos, junto com vinhos, doces e uma deliciosa comida, ir acalentando o tempo e preenchendo os espaços tão marcados pela saudade.


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Sedução do PríncipeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora