|Cap. 21|

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Os dias passam calmos e lentos desde o primeiro reencontro com Mikhail. Nossos corpos se unem em tranquilidade todas as noites e nossos corações se aproximam cada vez mais arrebatados pelo sentimento de carinho e amor que nos exprime. As manhãs são delicadas ao lado de Guez que sempre está disposta em me ajudar a cuidar do jardim, as tardes são quentes e tropicais com seu verde incansavelmente esplendoroso e seu céu sempre azul que, por diversas vezes, nos brinda com chuvas gostosas, refrescantes e que me levam a recordar as travessuras de criança.

André segue seus dias cada vez mais silencioso, principalmente quando nos reunimos para as refeições e é obrigado a conviver com a mulher que carrega seu filho. Mikhail, o homem que me ponho a admirar todos os momentos possíveis, e sem nunca parecer ter suficiente, tenta, através de meus incentivos, reatar, mesmo que por cordialidade, a difícil amizade com a jovem que uma vez se chamou Eleonora.

Olhar para todos eles como faço agora, sentada numa das poltronas da sala principal, enquanto André se posiciona ereto e incomodado em um dos cantos, Mikhail escorado na parede próxima à lareira em uma posição de controle e elegância, e Guez sentada entre almofadas no chão com pensamentos distantes e imperturbáveis, só me mostra a necessidade de ação urgente a se tomar. Olhar toda esta cena pacata, plácida, nunca feliz ou animada e, mesmo com todos estes negativos, se deixando caminhar pela comodidade, me deixa acreditar que o nosso cruel opressor e aquele que deve ser finalmente e duramente castigado, possa escorrer por entre nossos dedos e sair pelo vasto mundo, atormentando, de forma egoísta, minha felicidade e, de maneira perturbadora, o espirito de Guez e o destino das mulheres que por azar passarem por seu caminho.

–– Precisamos fazer alguma coisa! –– exclamo vigorosa e irritada, tirando do torpor do momento os que estão à minha volta. –– Precisamos pegar aquele infeliz antes que ele nos pegue. Vamos, olhem para nós, estamos inertes e mortos em nada, apenas esperando que Pedro apronte algum ato inaceitável?! Já não basta o inaceitável que ele colocou nossas vidas? –– digo olhando para cada um, perfurando com olhos em chamas as almas de todos os presentes.

–– Esta foi a melhor hora para suas palavras, cunhadinha. –– André diz com um sorriso nos lábios, o que me deixa estranhamente confusa. –– Tenho algumas notícias para dar a vocês, e depois disso colocar minha ideia sobre a mesa e deixar que decidam.

–– Que notícias? Que ideia? –– pergunto inquieta, me levantando de um pulo da macia poltrona de couro marrom.

–– Ande, irmão, não nos deixe aflitos pela curiosidade. –– Mikhail condena ao abandonar sua posição anterior e verter toda sua atenção para André.

–– Pode parecer que não faço nada, mas para não ter que brigar com essa mocinha de rosto encantador e modos brutos e com isso levar outra surra, além da dela, do meu irmão, segui espionando, junto do meu pessoal, toda e qualquer movimentação de Pedro. –– André diz num sopro, com sua boca perdendo o sorriso anterior de provocação e transformando-o em uma linha firme e séria, com seus olhos fixados em Guez e sua necessidade de estar sempre atento aos movimentos da jovem de rosto impassível.

–– E o que descobriu? –– Mikhail se adianta.

–– Ele tem saído constantemente, mesmo que por curtos períodos de tempo, e pelos lugares que tem frequentado e a quantidade de provisões que tem comprado, me fazem pensar em um cúmplice. Um cúmplice muito esperto que nunca se deixa ser pego.

–– Ele sabe sobre mim? –– Guez pergunta em voz baixa, com um sussurro forçado por palavras que, pelo pavor cravado em seus castanhos olhos, rasgam sua garganta aos saírem.

–– Acredito que não! Ele não est... –– André sufoca o final de sua frase, uma tentativa vã de não contar o que elas realmente significam.

Sedução do PríncipeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora