|Cap. 52|

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Há mais de três semanas que viajo praticamente presa neste quarto. Saio nas raras ocasiões em que me é permitido tomar um pouco de sol ou respirar o ar marítimo noturno. Quase não vejo o Sr. Sombrio, e nesses poucos momentos nada falamos um ao outro. Ele sempre está ocupado demais para me dirigir um olhar de desgosto ou rancor. À noite, enquanto me preparo para dormir, escuto a conversa de alguns marinheiros e descubro faltar menos de três dias para chegarmos a Rússia. Com noites tão frias, o destino final se aproxima e sinto parecer a premissa do futuro que tenho pela frente.

Essa noite parece que o sono não vem, movimento meu corpo incessantemente sobre o colchão na tentativa da posição perfeita ou algo no mínimo não tão desconfortável como me parecem todas as outras. Mas em poucos minutos depois, e desistindo de dormir, escuto a porta do meu quarto sendo aberta e posso ouvir passos que vão até meu lado na cama em uma sintonia assustadora com o escuro que envolve por completo o ambiente. Fecho meus olhos com certo medo, mas como todas as noites indicaram desde a minha entrada nesse navio, o único provedor de cada pequeno e parco barulho só pode advir do homem que me roubou dos braços da minha pátria e se recusa a aceitar não ser o único dono do meu próprio destino.

–– Alexia, está acordada? –– escuto a voz de Mikhail num sussurro. Não respondo, finjo que durmo na esperança que assim ele vá embora e me deixe finalmente em paz. Ele se move, o que me faz pensar que talvez esteja partindo ao pensar que durmo, mas ao cabo de poucos segundos sinto como o colchão se afunda e como seu corpo despudoradamente se molda ao meu. Ele me puxa para seu peito num forte aperto e o calor do seu corpo me acende mais que externamente.

–– Sei que não dorme, Alexia! –– sussurra.

–– Agora que sabe, porque não vai embora?

–– também não consigo dormir! –– sua voz soa vazia.

–– E o que tenho com isso? –– bufo incrédula com sua justificativa. Ele ri com o barulho, provocando em mim ainda mais uma necessidade violenta de morte.

–– Seu calor leva embora os pensamentos ruins que me atormentam. –– diz simples, o que me cala, apaga qualquer pulsante raiva e me deixa sem saber o que dizer sobre essa revelação. Este homem tem o poder de me deixar confusa, perdida. –– Posso ficar aqui mais um pouco? –– pergunta tímido. O que não respondo, apenas me viro de frente para ele e o abraço, assim, deitado. Aperto meu rosto contra seu peito coberto pela camisa suave e planto um pequeno beijo, o sentindo num instante se enrijecer por completo e se manter atento ao meu próximo possível passo.

–– Apenas durma, Mikhail! –– é o único que sai dos meus lábios, e o vejo relaxar, dando condições de me entregar ao sono e ao estranho prazer de estar aninhada em seus braços e poder sentir em meu rosto todo seu calor e respirar seu masculino cheiro.


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Sedução do PríncipeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora