|Cap. 21|

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Indicação de música pelo leitor(a): Under The Water, AURORA

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–– Não há necessidade disso!...–– digo incomodada quando já estamos no quarto e sou arrastada para a enorme cama e coberta até a cabeça.

–– Não seja teimosa, estou apenas cuidando de você! –– ele me repreende enquanto desabotoa a maculada camisa, deixando seu torço nu e despudoradamente exposto para meus atrevidos e necessitados olhos.

–– O que faz? –– forço minha mente nublada por sua beleza pálida e o confronto perante a repentina ação.

–– Me preparando para descansar. –– responde natural enquanto se deita ao meu lado, se cobre e me puxa para um abraço confortável.

–– Quem é Eleonora? –– pergunto depois de um longo silêncio, não conseguindo mais deixar a curiosidade e a necessidade de algumas respostas se fecharem em meu íntimo, só para sentir seu corpo enrijecer ao meu lado.

–– Quem te disse este nome? –– sua voz é grossa. Fria. Assustadora.

–– E-e... escutei de Marília no café da manhã. –– sussurro temerosa, observando cuidadosamente, pelo canto do olho, as tentativas de relaxar seu corpo entre várias respirações profundas.

–– Me desculpe, não quis te assustar. –– diz

–– Tudo bem, podemos só esquecer que perguntei. –– respondo mais calma e um pouco fria. A sensação que me rasga é forte agora, é assim sempre que sou obrigada a permanecer sufocada e sozinha no escuro, com medo de suas reações ainda desconhecidas, com medo de suas respostas e necessitando sua verdade.

–– Eleonora foi uma grande amiga, mas a pessoa que falhei ao tentar salvar. –– responde, e o vejo triste e sozinho dentro do seu próprio eu, a dor pungente em cada palavra. –– E, também, o motivo por Pedro tentar me destruir. –– continua ao me virar para encará-lo, para encarar sua dor azul. –– Nunca quis te machucar, Alexia, mas as coisas saíram do controle e agora devo consertá-las. –– termina.

–– Você não precisava chegar ao extremo de um casamento, Mikhail.

–– Foi a forma que encontrei para te proteger, Alexia. O mundo é um lugar perigoso e com pessoas que adorariam destruir a mim ao destruir toda felicidade que tenho à minha volta.

–– Mas ainda me sinto no escuro. Me sinto enfrentando aquilo que não vejo, e isso é assustador. –– sussurro

–– Meu passado é algo que gostaria de negar a mim mesmo, Alexia...

––Mas não dá para continuar assim para sempre. Não posso continuar assim para sempre. Uma hora não terá mais saída e poderá ser tarde demais.

–– Só não quero que veja o pior de mim e saia correndo...

–– Todos nós temos coisas ruins e tristes, alguns mais e outros menos, mas no final estamos igualmente marcados, e só o que nos difere é em quem confiamos e dividimos nossos tormentos. Estou aqui por você, Mikhail, e se me deixasse te amar, eu o faria.

–– Não diga isso, Alexia! –– sua voz é triste. –– Não tenho direito de ser amado por ninguém, muito menos amar. Entenda de uma vez por todas: Nunca poderei amar você! –– sua voz é como o próprio sussurro da mais agressiva raiva e da mais dilacerante amargura. Esses são os sentimentos que parecem tão profundamente amadurecidos em seu olhar.

Tudo o que ele diz me entristece. Uma parte, por ver como uma pessoa pode se privar de afeto e amor, e ainda ter que carregar o denso peso de um passado que o mata a cada dia. Por outra, me sinto quebrada em milhares de pedaços quando escuto suas tortuosas declarações e me vejo sem esperança para qualquer futuro ao seu lado, me pondo ainda mais destruída e sozinha.

–– Então estarei condenada se algum dia me permitir te amar, mesmo que por um segundo. –– sussurro sufocando minhas lágrimas.

–– Sim, estará! –– diz me prendendo no aperto de seu abraço e me envolvendo com todo seu corpo, me tirando qualquer vontade de abandonar seu calor. Qualquer vontade de abandoná-lo mesmo quando estiver condenada.


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Sedução do PríncipeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora