Cada um tem o Monstro que merece

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SIRIUS O. BLACK III

...

- Se cuida, irmão. – James me abraçou fortemente.

- Eu vou, se cuida também, potinho.

- Não faça nada que eu não faria.

- Claro, Potter, pode deixar.

- Andem logo vocês dois, antes que eu não consiga mais ir embora daqui. – Jay retirou os óculos, limpando as lágrimas que escorriam por suas bochechas.

- Toma cuidado e tenta comer direito. – Dei um breve sorriso ao ouvir Peter.

- Pode deixar, Piet. Não vou morrer de fome, juro!

- É bom mesmo! – exclamou, me abraçando. – Tem muita comida nesse mundo para você justamente morrer de fome.

- Tudo bem, pode deixar.

Peter e James se encaminharam para perto da lareira, aguardando Remmie se despedir.

O observei parado em um canto, longe de todos, tentando conter as lágrimas. No momento em que cogitei ir até ele, lá estava Remus andando em minha direção.

Seu rosto foi de encontro ao meu ombro e seus braços se envolveram ao meu entorno. Minhas lágrimas, por mais que eu estivesse conseguindo as conter até aquele instante, após ouvir um soluço vindo de sua boca, se esvaíram no mesmo segundo.

- Eu não... não quero ir – sussurrou rente ao meu ouvido.

- Você não tem escolha – respondi, fazendo o mesmo.

- Você podia...

- Está tudo bem. – Remus deu outro soluço.

- Eu odeio isso.

- Eu também. – Me afastei um pouco dele, apenas para que pudéssemos nos olhar. – Mas agora você tem que ir.

- É... tenho.

- Vai.

- Ok... – Mais lágrimas desceram por suas bochechas. – Não fa... faça ou fale nenhuma bobagem que te co... coloque em risco, ouviu?

- Ouvi.

- Tchau, Six.

- Tchau, Remmie.

E lá estavam os três na lareira indo embora, estavam seguros e isso era o mais importante.

- Mary, aonde você está indo?

- Aonde você acha, Six?

- Você nem sabe se foi...

- É óbvio que foi ele!

- Não tem como você ter certeza disso! – Segurei sua mão e ela riu, falsamente.

- Sirius, por Morgana, não seja tão obtuso! É óbvio que foi o Reg!

- O que tem eu? – Me virei na direção da escadaria e o vi bem ali. Seus olhos não estavam encarando nenhum de nós, mas nossas mãos. – Os segredinhos de vocês são tantos que não podem me contar mais nada?

- Foi você! – Mary soltou minha mão e foi com tudo na direção de Régulus. – Foi você! Pourquoi?

- Eu? Que foi que eu fiz, hein? – Os dois se encararam. – Diz, Maryanne!

- Você... quer tanto agradar eles... que é capaz de nos prejudicar para isso?

- Do que você está falando? – Mary revirou os olhos.

- Mary! – Me interpus no meio deles. – Não foi ele... Ele não... – Virei-me para meu irmão. – Você não faria isso... não é?

- Nem sei do que está falando.

- Eles sabem. – Régulus empalideceu.

- Como...?

- Alguém abriu a boca – Mary murmurou.

- E você acha que eu simplesmente revelaria isso?

- Je ne sais plus rien, Régulus.

- Então, deixa eu te explicar uma coisa, Maryanne... Não sou um grifano ridículo e impulsivo como vocês. Pensem um pouco, por Merlin, por que eu contaria que a casa estava infestada dessa... gentinha...? Eu estou aqui também, caso não tenham percebido, e eles ficaram dois dias aqui, quase três, ou seja, eu acabo sendo cúmplice de vocês.

- Você pode muito bem-estar sendo recompensado! – Mary exclamou, olhando diretamente para Reg, que apenas arqueou as sobrancelhas.

- Eu realmente poderia, até seria mais inteligente da minha parte, mas eu não fiz isso, sabe porquê?

- Pourquoi?

- Porque eu ainda tenho consideração por vocês dois, seus imbecis, mas eu quero deixar registrado que eu avisei e que tudo que acontecer quando eles chegarem... vai ser culpa de vocês dois, principalmente sua, Sirius.

- Se não foi você, quem foi?

- Monstro...

- O quê? – Ela se virou para mim.

- O Monstro. Ele...

- Ele veio aqui – Régulus afirmou e eu assenti.

- E você nem pensou em contar para a gente? – Foi a vez dele de revirar os olhos.

- Não tenho o dom da adivinhação, caso queira saber. Além do mais...

O estrondo da porta poderia ter sido ouvido a quilômetros de distância e os gritos agudos romperiam facilmente os tímpanos de quaisquer pessoas que não fossem acostumadas com tais. Tudo aconteceu em um piscar de olhos. A escuridão tingiu minha visão e o gosto ferroso de meu sangue preencheu minha língua.


...continua no próximo capítulo...

Os Marotos (Livro 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora