O quartinho

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SIRIUS O. BLACK III

...

O choque de realidade se deu verdadeiramente quando chegamos à Mui Antiga e Nobre Casa dos Blacks. Até então, eu permanecera quieto e de cabeça baixa, apenas aguardando. No instante em que o baque da porta se fechando reverberou, a gritaria começou:

- Um Potter, Sirius? – Eu continuei olhando para os meus pés. – Que desonra! Um Potter, Órion! Ele está andando com um traidor do próprio sangue! Olhe o que esse garoto está fazendo com o nome da nossa família!

- Walburga...

- Faça alguma coisa, Órion Black! Não fique parado aí! – esbravejou e ele não demonstrou nenhuma reação sequer.

O único pensamento de minha mente era: Como aquele homem e aquela mulher poderiam ser meus pais e me tratarem daquela forma? Fleamont e Euphemia nunca tratariam o James desse jeito... Pai nenhum deveria agir daquela forma com os filhos...

- Virou amiguinho de um Potter, é isso mesmo? – Órion deu um passo em minha direção e meus pés imediatamente recuaram. – Levante o rosto e olhe para mim. – Eu não queria obedecer, mas sabia que se não o fizesse, ele chegaria mais perto e me faria olha-lo, querendo ou não. – Eu te fiz uma pergunta, Sirius Órion Black III! – Seus olhos se fixaram nos meus e eu estremeci ao ver aquele brilho assustador, mas tão familiar presente em seu olhar.

- Somos da mesma casa. Eu sou obrigado a conviver com os outros grifanos.

- Conviver, é? – Eu conhecia aquele sorriso, todo o meu corpo se encolheu ao vê-lo. – Se é "obrigado" a conviver lá, porque estava o abraçando, então?

- Eu não estava – respondi, mantendo a voz firme, apesar do coração estar à mil. – Ele acha que somos amigos e me abraçou, mas eu não...

- Você conhece o caminho, Sirius. – Meus olhos se arregalaram e eu engoli a seco. – Vá.

- Eu não sou amigo de um traidorzinho de merda! – exclamei e me virei para Walburga. – Não tem motivos para que eu seja levado, mãe... Eu sei que gerei problemas, mas não estou do lado deles! O chapéu me colocou na Grifinória, mas eu disse para ele que meu lugar era na Sonserina! Eu... – Para Órion não valia a pena implorar, porque ele gostava que implorassem, mas se eu apelasse para Walburga, talvez...

- Não tem motivos, é? Você quebrou uma regra da família, Sirius... não só uma regra, quebrou uma tradição! E isso significa...?

- Nível um – respondi e ela assentiu.

- Você humilhou o nome honrado de nossa família... Me diga, o que isso significa?

- Nível dois... – Walburga chegou mais perto de mim.

- Você se uniu à traidores do sangue, mestiços e sangues-ruim.

- Mamãe... – O tapa estalou em meu rosto e eu apenas fiquei paralisado.

- Você não passou o natal em Hogwarts. Foi divertido se juntar com a família Potter? – Eu neguei e ela riu. – Se unir à traidores do sangue, mestiços e sangues-ruim, Sirius, o que isso significa?

- Nível três... – Walburga segurou meu queixo.

- Você é o herdeiro da Casa Black, me entendeu?

- Sim.

- Agora, me responda: Você se uniu à traidores do sangue, mestiços e sangues-ruim?

- Não. – Ela me deu outro tapa e Órion riu.

- Você é uma desonra, como filho e como herdeiro. – Walburga me soltou e começou a ir em direção às escadas. – Nível três, Órion.

- Se vocês fossem bons pais, eu não seria um filho tão ruim assim! – Os pés dela estagnaram no primeiro degrau e bastou um segundo para que eu sentisse o toque de Órion em meus ombros.

- O que foi que disse? – A raiva tomou conta do meu corpo e eu empurrei suas mãos para longe de mim, me sentindo sujo com a sensação formigante de seu aperto.

- Eu disse que se vocês fossem bons pais, eu não seria um filho tão ruim! – Órion ergueu a varinha em minha direção, sorrindo.

- Creio que eu ainda não tenha compreendido o que disse, Sirius Órion Black III, por que não repete? – Eu o encarei, cheio de ódio no coração e sabendo o que eu ganharia se respondesse, e mesmo assim eu dei um passo em sua direção e respondi, de cabeça erguida:

- Se eu sou um filho ruim, a culpa é de vo...

- Crucio! – Meus joelhos cederam quando a forte onda de dor percorreu todo meu corpo...

...continua no próximo capítulo...

Os Marotos (Livro 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora