Consequências ferrenhas

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JAMES F. POTTER

...

- Alguma notícia? – Remus perguntou assim que voltou da cozinha.

- Nada. – Mexi no espelho na tentativa de ouvir ou ver algo.

- Será que ele está bem? – Peter se escorou na parede, nos observando.

- Não, ele não está... Não podíamos ter deixado ele lá, eu deveria...

- Ele pediu para irmos embora.

- Exatamente, Remus, ele pediu... e a gente foi... A gente simplesmente foi... e agora... nem sabemos se ele está bem... Podíamos ter ficado com ele, ou... ou sei lá, obrigar ele... a vir... com a gente.

- Eu tentei... – resmungou, sentando-se ao meu lado. – Mas ele é um teimoso... Não adiantaria ficar insistindo.

Assenti a contragosto e continuei mexendo no espelho. Senti o braço de Remus passar por meus ombros e retribui passando o meu por suas costas.

- Isso é uma merda – murmurei.

- É mesmo e... – antes que Remus pudesse concluir a frase, o espelho vibrou e meus olhos o miraram rapidamente.

- O espelho devia fazer isso? – Peter se aproximou, sentando-se ao meu lado direito.

- Ele só faz quando alguém quer se comunicar do outro lado. – Abri um pequeno sorriso. – Isso quer dizer que é ele! – Mas logo em seguida meu sorriso morreu. Um grito surgiu e eu soube de quem era.

- Parou... – As lágrimas caíam sem parar pelas bochechas de Remus.

- Isso é... bom, não é?

- Não, Piet... não é nada bom... – Meus olhos, apesar de embaçados, não se desgrudaram do espelho e mantive minhas mãos apertadas contra o espelho, ignorando completamente o tremor delas.

Duas horas se passaram em total silêncio. Nem mesmo um ruído era transmitido no espelho. A aflição havia nos tomado inteiramente, o medo e a incerteza trancaram na mais alta torre os nossos pensamentos otimistas, deixando apenas as coisas mais pessimistas possíveis a mostra.

- James?... Está aí? – ouvi a voz trêmula de Mary sussurrar.

- Ca... cadê o Sirius, Mary? – perguntei, desesperado.

- Não pode... falar agora. – O espelho permanecia mostrando somente a voz dela e um choro fraco, que tentava ser controlado.

- Que é que está acontecendo? Mary, como ele está? – Remus questionou, engolindo o próprio choro.

Antes que qualquer coisa fosse pronunciada novamente, Mary apareceu pela primeira vez na frente do espelho com um olho roxo e com sangue ao redor de seu rosto.

- Que é que eles fizeram com você?

- Estou bem... Não é nada demais.

- Nada demais? Você está sangrando! – Peter exclamou com os olhos arregalados.

- Entrei na frente dele... e acabei assim. – Ela suspirou, desviando o olhar.

- Mary, cadê o Sirius? – Remus insistiu, pegando o espelho de minhas mãos. – Como ele está?

- Ah... – Mary tentou dizer, mas tudo que ela conseguiu fazer foi chorar. – Desculpa... eu não...

- Como vocês estão? – Ela me encarou.

- Só tenho um olho roxo... Sirius está... Ele vai ficar bem... não agora..., mas vai. Órion... – Mais outro longo suspiro saiu de sua boca. – Ele... só parou quando o Six desmaiou.

- Ele espancou o Sirius? – Ela deu um risinho falso ao ouvir minha pergunta.

- Está pensando... muito pouco dos Blacks, James.

- Mary... e se a gente contasse para os meus pa...?

- De jeito nenhum! Não ouse abrir a sua boca, Potter! Acha que vai ajudar alguém? – O espelho tremeu em sua mão. – Existem regras... que não podem ser quebradas. Só o fato de vocês me verem... desse jeito... traria muitos problemas para ele. Espalhar o que acontece aqui dentro... Você não tem ideia do que isso geraria.

- Mas, Mary...

- Eu... – Ela se calou e fez um sinal para que ficássemos em silêncio também. – Vou tentar dar notícias... não sei se vou conseguir. – Ela virou o espelho de cabeça para baixo e, no instante seguinte, meu rosto refletiu no lugar do dela.

Me virei para Remus, mas ele já estava indo para o banheiro e se trancando lá. Peter caminhou até a cama e lá mesmo se sentou. Continuei olhando para o espelho, completamente estagnado e sem reação.

...continua no próximo capítulo...

Os Marotos (Livro 1)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora