REAGAN
O Halloween é uma comemoração celebrada todo o ano no dia 31 de outubro, véspera do dia de Todos os Santos. Ela é realizada em grande parte dos países ocidentais, porém, é mais frequente nos Estados Unidos. A história desta data comemorativa tem mais de dois mil e quinhentos anos. Surgiu entre o povo celta, que acreditava que no último dia do verão os espíritos saíam dos cemitérios para tomar posse dos corpos das pessoas vivas. Para espantar os fantasmas, os celtas colocavam objetos assustadores em suas casas, como caveiras, ossos decorados e abóboras enfeitadas. Por ser uma festa pagã, foi condenada na Europa durante a idade média. Foi quando o dia passou a ser conhecido como o "Dia das Bruxas", pois aqueles que comemoravam o Halloween eram perseguidos e condenados à fogueira pela lei da Inquisição.
Na minha antiga escola, em San Diego, não tinham muitas comemorações de Halloween, mas aqui no Lewis H. High School é bem diferente. Todos os alunos passaram a semana toda organizando uma grande festa no próprio colégio. O meu único problema foi conseguir encontrar a fantasia ideal. Acabei decidindo de última hora ir de Freddy Krueger, mas não fiz nada muito grandioso. Apenas um vestido curto com listras horizontais nas cores vermelho e marrom, um chapéu e uma luva com aquelas garras assustadoras dele. Há alguns cortes na minha roupa, para simular um ataque, e eu usei uma maquiagem com direito à sangue falso para tornar tudo mais assustador.
— Você está assustadoramente linda — Danon comenta enquanto eu passo o batom vermelho em meus lábios. — Quero voltar a ser adolescente e ter a chance de dançar com você — ele faz uma pausa e pisco para meu tio pelo reflexo no espelho. — Ou ser morto por você, não sei dizer qual alternativa é mais tentadora — brinca.
Solto uma gargalhada.
— Veja pelo lado bom — comento, me virando para encará-lo e mostrar minhas garras falsas. — Você não precisa ser um adolescente para ser morto por mim.
Ele ri e se aproxima de mim, me envolvendo em um abraço carinhoso. Não estou acostumada a nenhuma dessas demonstrações de carinho, mas com Danon eu tenho tudo isso, inclusive a figura paterna que nunca tive, e confesso que gosto dessa sensação de estar protegida do mundo lá fora. Meu tio tira alguns dólares do bolso, que serão úteis para comprar um lanche mais tarde, e em seguida me dá um chiclete.
— Queria ser o primeiro a te dar uma gostosura — diz.
Soco seu ombro levemente.
— E essa aqui é a minha primeira travessura — brinco, me referindo ao soco.
Hierly entra no quarto com algumas sacolas. Ela está tão animada com as crianças batendo em sua porta para pedir doces que fez questão de atravessar a cidade para ir comprar mais. Não posso negar que estou tão empolgada quanto ela, por isso, pego algumas guloseimas para entregar para algumas crianças que encontrar pela rua. Olho um chiclete igual ao que Danon me deu segundos atrás e eu o pego para entregar para Bessie, guardando o mesmo no sutiã.
— É para alguém especial? — minha tia pergunta.
Nego com a cabeça.
Desço com eles para a sala e me despeço de cada um com um beijo no rosto. Quando vou em direção à porta da sala, Danon segura em meu braço e olha com atenção.
— Fala pra sua namorada cuidar bem de você e tomar cuidado — falo baixinho para mim.
Quero dizer que Bessie não é minha namorada, mas fico tão contente de alguém achar que o que temos é verdadeiro, que deixo passar. E também, fico emocionada por Danon aceitar tão tranquilamente o fato de me ver com uma mulher, isso demonstra que ele não tem nenhum tipo de preconceito e eu o admiro ainda mais.
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Love Affair
RomanceEla quase a atropelou. Se aquilo fosse o destino lhe dizendo que, para conhecer o amor da sua vida, Reagan Gray precisava ver a morte passar diante dos seus olhos, talvez ela já tivesse tentado fazer isso antes. Ela não era uma suicida e nem nada do...
