Só o amor pode machucar assim.

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Reagan

Saio da loja com o pressentimento de que alguém está me seguindo, olho para trás praticamente o tempo todo, mas não vejo ninguém. "O medo é capaz de nos fazer imaginar o que não existe", lembro das palavras da minha mãe e entro no meu carro, me sentindo segura e protegida dentro dele. Coloco a bolsa com barbantes e fitas em cima do painel e respiro fundo ao girar a chave na ignição, piso o pé no acelerador ainda olhando ao redor de cada rua que pego em busca de qualquer coisa suspeita. Ligo o rádio e deixo a música tocar, tento relaxar quando o meu celular toca o som de notificação e me assusto, desbloqueio a tela esperando encontrar um e-mail do tal Gordon, mas é apenas uma mensagem do Cal me pedindo para pegar ele à algumas quadras de onde estou.

Avisto meu irmão em frente à loja de artigos para festas segurando uma bomba para encher balões porque a que estávamos usando quebrou. Dentro do carro, através dos vidros escuros, espero ele conversar com algum colega. Aaron sai de dentro da loja e dá um tapinha nas costas de Cal que se vira e ambos se cumprimentam com um soco de mão. Toco a buzina uma, duas vezes até ele se dar conta de que o estou esperando.

— Foi rápida. — ele diz ao entrar no carro e fechar a porta. Me mostra a bomba de encher balões e continua: — Foi a mais barata que encontrei.

— Desde quando você e o Aaron são amigos? — questiono.

— Ele é um cara legal, me deixou jogar basquete com ele na quadra e tudo mais.

— Não quero você perto dele, Cal — meu irmão franze o cenho. — Aaron é o tipo de cara que tem o dom para atrair problemas e não me parece ser muito amigo. Se mantenha afastado dele, porque quando a coisa ficar séria ele vai ser o primeiro a dar o fora.

Cal não fala nada, apenas assente, se estiver irritado por eu me intrometer nas amizades dele, ele não demostra.

— Uma pergunta... — ele me olha sério, seus olhos cinzas se estreitam. — Pode me falar como que a Sra. Wilson morreu?

— Infarto — responde e desvia o olhar para a rua, seus olhos ficam vazios e distantes. — Ela tinha ido ao mercado comprar algumas coisas enquanto eu estava na escola. Antes de ir embora fui chamado na direção e me disseram o que tinha acontecido.

Levo minha mão a sua e acaricio a mesma, Cal sorri de canto ao olhar para mim, mas volta a olhar para a rua. Não insisto, piso no acelerador e dirijo de volta para o colégio. Isso quer dizer que o Gordon não teve nada a ver com a morte da Sra. Wilson como havia deixado sobre suspeita.

Meredith hoje está pior que ontem, agora ela apenas berra ordens e quase deixou Drina surda por ela não ter ido pegar as roupas para amanhã à noite. Me sinto terrivelmente mal por tudo o que fiz hoje ter sido apenas comprar os barbantes e fitas enquanto todo mundo está ralando para deixar tudo perfeito. Até mesmo Bessie parece focada demais na arrumação e fico preocupada com ela se esforçando tanto no estado em que se encontra, ela precisa pegar mais leve por causa da gravidez.

**

Abro a porta e encontro o Erick atrás da mesa do diretor, sentado no chão, escondido de Meredith, o cadarço solto do seu tênis o entrega. Entro em silencio e chamo por seu nome baixinho, ele se vira, me olha e me chama com a mão. Me sento ao seu lado atrás da mesa, ele come batata fritas e me oferece um pouco da sua Coca que aceito de muito bom agrado. Estou morrendo de sede e o calor hoje está intenso demais.

— Obrigado por ter vindo — ele fala e lhe entrego a lata de refrigerante. — Queria me desculpar por ter sido tão imbecil com você, não tive nenhuma intenção de te magoar, mas é que eu queria tanto que você me visse como um cara... alguém que te protege e não alguém que você precisa proteger.

Love AffairHistórias para pegar e não largar. Descubra agora