BREE
Saio do banheiro vestida ou quase vestida. Não quis correr o risco de tomar banho e vir me arrumar no quarto com Serena Redfield nua em minha cama, ela tem tendência a querer repetir o sexo inúmeras vezes seguidas, o que particularmente temos muito em comum, mas não hoje. Essa manhã tenho assuntos pendentes para resolver na empresa, não posso me atrasar, porque uma papelada me aguarda e qualquer vacilo meu pode ser motivo o suficiente para que Michael Young queira assumir a empresa de volta. Assumir a Young Enterprise Inc. era o meu sonho desde criança, apesar de infelizmente isso só ter acontecido depois da mesma ter vindo à ruína. Ao contrário do que todos pensam, nenhum império me foi entregue numa bandeja, tenho esse acordo com o diabo do meu pai para conseguir manter de pé o império que ele construiu e levou a falência.
Mas eu não confio em Michael Young. De todos os homens nessa terra, ele é o que mais merece todo o meu desprezo. Irei tornar a minha empresa a maior no ramo de publicidade, quero recuperar o que a Young Enterprise Inc. foi um dia e torná-la ainda maior. Mas só vou atingir o meu objetivo se não tiver distrações pelo caminho, o que, no momento, é exatamente o que Serena Redfield está sendo para mim: uma distração.
— Não te vi no quarto e achei que tinha ido embora — eu digo ao entrar na cozinha.
Serena Redfield está de calcinha e sutiã pondo o café da manhã na mesa, está radiante por algum motivo do qual desconheço, mas que prefiro acreditar que seja por ter recebido algum convite para uma festa importante. É o que ela gosta de fazer, ir às festas, esbanjar dinheiro, atrair holofotes e ser capa de revistas. Uma vida que o seus pais, donos da maior empresa de cosméticos do mundo, certamente desaprovam.
— Quis preparar algo pra você comer, se esforçou tanto essa noite — responde, quando me aproximo dela para que ajeite os botões da minha camisa social. Permito-me olhar para o seu rosto e me perco em seus cílios longos quase fechados, não posso negar o quanto Serena é uma mulher extremamente linda. — Micaela ligou, disse que vai te encontrar na empresa durante o seu horário de almoço. Pediu para você não comer nada, porque ela vai levar algo para vocês comerem juntas.
Bufo.
— Provavelmente alguma coisa que contenha veneno — resmungo e ela ri.
Sento em minha cadeira quando Serena termina de abotoar os botões da minha camisa, ela me serve com um copo de suco de laranja e me passa o prato com waffles. O cheiro está formidável, não lembro da última vez que cozinhou, mas tenho quase certeza de que tenha sido um provável desastre tendo em vista que seus dons culinários eram tão bons quantos os meus. Com a ajuda da faca e de um garfo, corto um pequeno pedaço do waffle para experimentar, receosa que eles só estejam bons às minhas vistas, mas me surpreendo com o sabor.
Quando ela ficou tão boa na cozinha?
— Não seja tão ruim com a sua irmã, Brianna — fala, sentando-se à mesa e pegando com o garfo um pouco de salada de fruta em seu prato. Ela saboreia as frutas que tanto gosta de comer pela manhã, é a única coisa que ela come sem que eu precise adular por isso, porque se preocupa em manter o seu corpo esteticamente bem. — Devia passar um pouco mais de tempo com ela, apesar de Micaela ser...
— Uma peste? — sugiro, interrompendo a sua fala.
Serena assente discretamente com a cabeça.
— Eu ia dizer "um pouco difícil de lidar", mas acho que essa palavra também serve. Não deixe que Micaela tenha a mesma vida que você teve, sabe ao que me refiro.
Sei, mas não me importo.
Micaela é só uma infeliz de doze anos que não sabe a hora de ficar quieta. Michael deveria mesmo colocá-la no internato como disse que faria no ano passado caso ela não tirasse boas notas. Suas notas não melhoraram significativamente esse ano, o que é impressionante que a direção da escola não tenha informado a ele sobre o ocorrido, mas por que infernos eu ainda não a dedurei? Era eu quem estava me divertindo todos os meses indo falar com a diretora para me certificar que essa benção aconteceria. Micaela em um internato seria perfeito, não teria dores de cabeça por aturá-la e nem o seu nariz intrometido na minha vida pessoal.
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Love Affair
RomanceEla quase a atropelou. Se aquilo fosse o destino lhe dizendo que, para conhecer o amor da sua vida, Reagan Gray precisava ver a morte passar diante dos seus olhos, talvez ela já tivesse tentado fazer isso antes. Ela não era uma suicida e nem nada do...
