Reagan
Pondero se devo fazer isso, Meredith insiste em algo que acho praticamente impossível de acontecer por duas razões: conheço a Carter e sei que ela seria incapaz de traí-la. Geralmente quem é traído não trai e Carter foi traída por Meredith anos atrás, ao menos é o que Carter diz. De qualquer forma, eu não sou a pessoa mais indicada para bancar a investigadora, não é o meu lance ficar tomando cuidado para ninguém perceber minha presença sendo que as pessoas fazem isso naturalmente. Meredith diz que é um dom e talvez até seja, afinal, ser invisível nem sempre é tão ruim como pensam. E segundo: Carter é louca por Meredith. Sem chances.
Me espreito no banco do carro, mas fica um pouco difícil enxergar bem com os vidros levantados. Carter sai do restaurante com uma loira alta e granfina, bem como Meredith tinha dito, ambas sorriem uma para a outra e a minha amiga toca levemente o braço da mulher e se inclina para revelar algo em seu ouvido. Ao meu lado, Meredith observa atenta cada gesto que a sua namorada faz, calculando e repassando tudo em sua cabeça.
— O que eu disse? — protesta furiosa. — Eu disse que Carter estava me traindo. Olha só para essa loira oxigenada e com idade de ser minha mãe.
Na verdade, a loira não me parece tão velha assim, diria que tem seus vinte e poucos anos. Ela é bem jovem, está bem arrumada com um blazer vermelho e saia de cintura alta, usa óculos e seu estilo lembra muito o de uma secretária. Meredith continua bufando de raiva ao meu lado.
— Aposto que aquela bolsa nem é da Chanel, na certa é falsificada assim como o cabelo dela. Você está vendo aqueles sapatos? — aponta com o dedo e assinto. — Saíram de moda faz dois meses e ela ainda usa. Por favor, olha para mim e me diz qual é a porra do problema da Carter para me trair com essa vadia?
Me viro no banco e a encaro, seus olhos verdes irradiam ódio pela namorada e até por mim por cogitar pensar em um motivo para Carter traí-la.
— Mer, você precisa se acalmar. Não sabemos se Carter está te traindo mesmo, pode ser só uma amiga.
— Amiga que eu não conheço?
Dou de ombros.
— Pode ser amiga da mãe dela.
Meredith respira fundo.
Sabemos que Lilly Bloom não tem amigas nessa idade. Se a "loira oxigenada" como diz Meredith, andasse com a gente, passaria despercebida como uma garota do ensino médio, mas para o meu alivio, Meredith não contesta e posso finalmente checar meu celular e minhas mensagens. Fico com raiva quando não encontro nenhuma mensagem de Erick no meio das muitas que lhe enviei.
— Droga! — resmungo para ninguém em especifico, só para o universo.
Meredith me olha assustada e toma o celular das minhas mãos. Ela vê a conversa de Erick aberta e revira os olhos, mas não dá muita importância e me devolve o aparelho.
— Está irritada assim porque ele não te respondeu? — lanço um olhar mortal para ela que balança o corpo como se tivesse sentido um calafrio. — Veja o lado bom, ele não está te traindo com uma loira oxigenada.
— Vai saber... É a primeira vez que ele visualiza e não me responde.
— Calma, Gangan. — o apelido que Erick me deu estava mais presente do que o necessário na minha vida. Uma coisa é o garoto com quem estou saindo me chamar assim, outra bem diferente é Meredith me chamar. — Ele deve estar ocupado, dá um tempo. Depois de ontem à noite ele não deve estar conseguindo nem mexer os dedos.
Franzo o cenho e a encaro.
— Ai meu Deus! Ele não te contou? — antes que eu possa responder, ela continua: — Ontem à noite, Erick estava voltando do cinema com um amigo e uns cara o pegaram, Reagan. Bateram muito nele.
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Love Affair
RomanceEla quase a atropelou. Se aquilo fosse o destino lhe dizendo que, para conhecer o amor da sua vida, Reagan Gray precisava ver a morte passar diante dos seus olhos, talvez ela já tivesse tentado fazer isso antes. Ela não era uma suicida e nem nada do...
