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— Setecentos e... – Henry sussurra no corredor. – quatro.

A porta está apenas escorada, ja passa um pouco da meia noite, não há luzes ligadas. Ele abre a porta devagar, revelando o apartamento muito quieto. Leva as mãos a arma no cós da calça jeans, atento a qualquer movimentação.

— Está tudo bem, idiota. Foi eu que deixei aberta. – Avril sussurra assustando Henry. Ela estava sentada no sofá, o cheiro do shampoo estava impregnado pelo apartamento, o barulho dos gelos indicava que ela estava bebendo.

Ele bufa e fecha a porta.

— Me surpreendeu você ter me passado seu endereço. Não sente medo de que eu possa vir visita-la nas madrugadas enquanto você dorme?

— Não. Venha, será interessante. – Ela diz irônica e suspira. – Eu não moro aqui.

— Ah sim. Faz sentido... o que queria falar comigo?

— Eu não tenho nada para falar com você, Henry. – Ela o encara em meio a escuridão do apartamento quebrada pela luz da vidraça ao fundo.

— Ta bom então... – Ele sussurra sem entender. Avril aponta com o copo para a sacola de uma loja em cima do aparador próximo a porta.

— A roupa da sua irmã. – ela diz sem emoção provando de sua bebida.

— Então era isso... Ísis ainda está resolvendo alguns assuntos, não pode trocar de roupa. Trarei o seu assim que...

— Jogue no lixo. A tubulação estava imunda. Nem o melhor produto vai limpa-lo. – Diz tranquila.

— Uma pena, era um vestido bonito.

— Sim.

— Eu já vou indo. Vamos embarcar daqui a pouco...

— Tudo bem.

Henry suspira, pega a sacola e ameaça dizer algo. Ao abrir a porta, se lembra de algo que disse que pode ter ficado mal interpretado.

— Olha, quando eu disse que teria problemas...

— Não se preocupe.

— Não. Me escute, por favor. Minha irmã mais velha, Jennie, ela é a comandante do grupo. Ela é rígida de mais, se ela soubesse que envolvi você nisso...

— " Não vou me responsabilizar se machucar seu belo rosto." – Avril comenta. – Eu fiz isso por conta própria. Sua irmã é rigida porque tem muita pressão nela. Tente andar mais na linha e ela vai aliviar para você. .

— Disse a especialista em pressão familiar. – Henry bufa  escorando na parede.

— Entendo muito bem o que é pressão familiar... – Avril sussurra bebericando sua bebida novamente.

Henry esbarra no interruptor, acendendo a luz da sala. Avril fecha os olhos que não se acostumaram com a claridade. O rapaz olha para os pés de Avril que pareciam esfolados  pelas alças da sandália.

— Se não era da sua conta, por que se esforçou tanto em um serviço que não era seu, a ponto de se machucar?

— Minha irmã, a bailarina ruiva no palco... essa apresentação era a mais importante da carreira dela. Tudo tinha que sair perfeito. Eu não queria que uma bomba explodindo tudo... – Avril o encara sem expressão.

— Obrigado pela ajuda, Avril!

— Disponha! Estamos quietes agora...– Ela boceja e se coloca de pé. Usando uma camiseta branca longa, seus pés estão descalços e cabelos molhados.

Henry a olha, procurando por um assunto desesperado em sua cabeça. Avril esfrega o pescoço e encara a paisagem.

— É um adeus ou até logo. Sinceramente eu achei que levaria mais tempo se fossemos nos encontrar. – Avril diz tranquila. – Seu telefone está tocando...

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