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   Sam olhou em direção a mansão que ainda estava queimando.

— Beta 2 na esculta? _ era a voz Jackie no rádio o chamando abatido Sam ligou o rádio

— Na esculta, topeira!

— Passe para o Dragão Azul, tem alguém na conexão querendo falar com ela...

Sam olhou para Avril desperta mas ainda fora de si, os lábios pálidos e o rosto e as roupas banhadas em sangue.  Entregou o rádio e observou as mãos trêmulas de Avril tentarem segurar o objeto mesmo parecendo não reconhecer. Sam segurou as mãos dela, mantendo o rádio firme.

— Dragão Azul na esculta!_ Sam respondeu por ela abaixando a cabeça.

— Sou eu, querida..._ a voz de Marco fez os olhos de Avril brotarem lágrimas com força, como se a voz do pai pudesse a trazer a realidade. _ Precisa voltar... Eu não admito perder você!

— O Henry, pai..._ Avril sussurrou com a voz falha e rouca, quase em um esforço sobrehumano que fazia todo seu corpo doer.

— Aquele maldito safado e abusado morreria tão facilmente quando ele estava prestes a te amarrar a ele para sempre... Venha para casa. Deixe que os outros façam o necessário para acha-lo. _ Marco disse calmo, porém abatido, com medo de estar perdendo sua filha também. Lágrimas vieram aos seus olhos, e ele levou os dedos aos cantos tentando a todo custo segura-las.

Sam observou Avril chorar inconsolável, soluçando como uma criança. E cada soluço balançava seu corpo e Stefan pressionava com mais força seus ferimentos.  Uma lágrima escorreu pelo rosto do militar a limpou e olhou para Ray acenando.

Avril tentou se acalmar, mas era em vão, seus lábios tremiam como se estivesse fazendo tanto frio que era insuportável.

— Entendido. Eu vou voltar para casa pai. Mas me diga, meu filho... _ Avril puxou ar com força, mas as lágrimas rolaram sem controle e ela chorou fazendo seu corpo vibrar.

— Sua mãe foi buscá-lo querida. Tenho certeza que ela o trará de volta em breve. Eu te amo.

  Avril afrouxou sua mão do rádio e Sam o guardou no colete e alisou os cabelos da garota tentando a confortar.

— Você acha que ele morreu? _ Avril negou, era tudo que ela não queria acreditar. _ Então tenha fé! Stefan a leve para o hospital! Ela precisa de atendimento urgente!

Enquanto Stefan a pegava no colo cuidadosamente, Avril permitiu sua cabeça tombar sobre os braços dele e olhou para os escombros e para Sam se afastando apressado e tossindo pela fumaça.

   Ela perdeu a noção do tempo olhando para o lampejo alto das chamas, e por um momento ouviu a voz de Henry em sua mente e visualizou o sorriso malicioso e o olhar de menino apaixonado. Uma lágrima solitária escorreu por seu rosto.

— " Confie em mim!" Você disse ... Não me decepcione, militar metido a gostosão...

   O helicóptero levantou vôo depois de alguns minutos, levando Avril para longe daquela ilha.

    A mulher sentia que um pedaço de si estava sendo rasgado com a distância. Sentia que estava fugindo, que estava abandonando Henry ali.

O confronto havia acabado. Todos os agentes da S.A estavam mortos, com seus corpos esticados e ensanguentados pelo jardim. Alguns homens de Edgar se permitiram sentar e respirar ar puro para acalmar os ânimos.

— Ajudem aqui! _  Ray gritou abanando a fumaça, tentando enxergar alguma coisa em meio a todo aqueles escombros.  Sam e Edgar vieram ajudar a levantar  pedaços de concreto muito pesado. Os homens se esforçaram, até conseguir. _ HENRY! RESPONDE GAROTO! _ Ray o gritava a todos pulmões.

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