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As luzes das sirenes cortando a escuridão da noite trazia curiosidade aos que passavam, que ainda não sabia da trágica situação.

  A maca foi levantada para dentro da ambulância, a máscara de oxigênio, o tutu manchado de sangue.

Outra maca passou, mas esta, coberta por um saco preto.

A ruiva desacordada foi cercada por seguranças particulares, naquele momento, Marco e Ashley estavam pegando um vôo para Milão o mais rápido que podiam, após receber a notícia:

A apresentação foi um verdadeiro espetáculo, as pessoas estavam encantados com a bailarina que executava cada passo com perfeição.  Quando o último ato acabou, e as cortinas fecharam, o som das palmas era intenso o bastante para fazer os presentes se arrepiarem. Voltando para o camarim, contente e realizada por aquela grande noite, notou a porta aberta, e um barulho de vidro sendo estilhaçado no chão.

Correu...

A tempo de ver seu noivo em uma luta corporal, o espelho atrás das costas dele estilhaçado com o impacto, a testa sangrando assim como o lábio. Ele segurava as mãos do meliante que tinha o rosto coberto.

— Saia daqui! _ Ele gritou ao ver a garota exasperada na porta.

Mas ela não o obedeceu, correu tentando ajuda-lo, agarrando nas roupas do mercenários e o puxando para trás, era uma boa intenção, dar tempo para seu noivo pegar a arma caída no chão. Mas o som do disparo fez seus ouvidos zumbirem, a dor alojou em seu interior, levou as mãos ao abdômen, e ouviu mais um disparo.

Suas pernas franquejaram, ela foi ao chão pela imensa dor, ao seu lado, viu Will também no chão, ele recebeu outro tiro, sua boca se abriu em um ' O', a lágrimas escorreu pelo rosto de ambos. Barulhos no corredor fez o mercenário se assustar, ele correu para fora.

E o casal, apenas pode se encarar, antes de ouvir gritos e mais disparos.

— Will..._ a voz rouca de Charlotte o chamou, mas ele não se moveu. A mão dele estava a poucos centímetros de sua bochecha, os olhos ainda abertos. _ Will! Responde!

Sua voz embargou, mas doía ainda mais quando o choro vinha a convulsionando.

— WILL! não... Não...

Sua visão foi se tornando turva, até que sua última visão foi de um suspiro sair dos lábios do homem a deixando por completo.

***

A ruiva abriu os olhos lentamente, o ambiente claro torturava seus olhos, sentiu uma mão fria envolver sua mão com carinho, tentou focar, e viu o olhar cansado de Ashy.

— Will...

— Eu sinto muito! _ Ashley sussurrou e a ruiva fechou os olhos. Ela cobriu a boca, e não pode deixar de sentir o anel em seu anelar direito. Ele ainda estava sujo de sangue seco.

Ashy viu o anel, uma única pedra simples, com poucas faces, um anel de prata bastante charmoso e singelo, compreendeu o quanto deveria estar doendo. Ela temia não ser a melhor pessoa para conforta-la, então, como se lesse seus pensamentos, Marco se aproximou acariciando os cabelos da filha e a enfiando contra seu peitoral e Ashy se afastou os deixando sozinhos.

— Ela acordou! _ Ashley disse em ligação. Do outro lado os outros filhos suspiraram aliviados. _ Will a protegeu... Eles tinham acabado de ficar noivos...

— Ah não..._ Avril alisou os cabelos para trás, seu sussurro não passou despercebido por Henry que se mantinha sério.

   Ele pensou na imagem dos dois na mansão Willians, pareciam verdadeiramente apaixonados. A maneira carinhosa que se olhavam. E agora ele tinha outras preocupações.

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