Jackie pousou na base, em Nova York, recebeu uma ligação de Henry, mas não foi preciso das palavras do filho para lhe deixar a par da situação. Em outdors eletrônicos pelos prédios, a notícia circulava, sobre o assassinato de Will, um marinheiro de boa patente e sobre sua namorada, o destaque das notícias, Charlotte Bradson, que foi baleada também no mesmo momento, mas que ja estava fora de risco.
Com o quepe de baixo dos braços, viu o momento em Beatrice o encarou, Jackie pensou nas melhores palavras para lhe dar, mas parecia que a mulher, ainda magoada com o filho, ja sabia o que ele tinha a dizer.
No entanto, ela não era a única a receber uma notícia, e quando Jennie e Isis se aproximaram intrigada com o silêncio, a distância e a troca de olhares, Jackie respirou fundo e encarou a filha, lhe dando a notícia.
Jennie apenas ficou parada no mesmo lugar, não mexeu um músculo, Beatrice aplumou o corpo e olhou para a filha, a garota tinha uma nuvem densa em seus olhos, que rolaram por seu rosto. Isis para conforta-la e se confortar, abraçou o braço de Jennie e afundou seu rosto no ombro da mesma.
Jackie abaixou a cabeça, por alguns segundos, ao levantar encarou Beatrice com pesar e ajeitou a quepe na cabeça. Se aproximou das filhas, as juntando mais perto, as abraçando em consolo. Outros que passaram, tentaram entender o que estava acontecendo, mas sabiam que deveria ser uma triste notícia.
Após isso, Jackie e Beatrice se reuniram no gabinete, o silêncio instalado no cômodo, enquanto cada um tentava prender a atenção em alguma coisa.
Beatrice sentada a margem da mesa, encarando o quadro com a antiga formação do Aurora 12 em seus melhores anos, a fotografia ja estava amarela, mas ela ainda se lembrava bem daqueles bons dias.
— Então ele realmente não vai voltar ...
— Não! Está decidido... Não há ninguém que possa o fazer mudar de ideia. Nem mesmo Avril foi capaz.
Beatrice abaixou a cabeça olhando para o piso.
— O que eu faço com esse garoto?
— Não ha o que fazer. Ele já é adulto, ja toma as próprias decisões... E... _ Jackie parou, refletindo se realmente deveria dizer tais palavras. _ Acho que... Acho que Henry finalmente achou o verdadeiro lugar na qual pertence.
Beatrice olhou para Jackie, o homem mexia constantemente com uma caneta.
— Quer dizer que o lugar do nosso filho é como um criminoso?
— Estou tentando dizer que tanto você quanto eu, sabemos que Henry era muito mais que um militar! Ele odiava esse lugar Beatrice! Ele só esteve aqui todos esses anos por nossa causa...
Beatrice ia protestar mas Jackie tinha razão.
— Como os Bradson estão?
— Beatrice..._ Jackie suspirou e levantou o olhar para a esposa. _ As coisas estão mais sérias do que pode imaginar. Assassinaram o antigo capo da máfia, tentaram matar a irmã da Avril, mas Will a protegeu e acabou morto por isso... Quem vai ser o próximo?
— Não podemos arriscar..._ Beatrice olhou para a porta, observando o movimento sutil na base.
— Henry pediu para que ninguém próximo a nós saia desta base. Os Bradson estão seguros enquanto estiverem na Colômbia, mas... Qualquer um de nós que sair daqui, pode ser morto a qualquer momento. Basta abaixar a guarda.
O casal trocou um olhar sério, Apollo bateu na porta e entrou, puxou uma cadeira e sentou encarando o teto.
— É isso que ele quer! Todos nós fora do caminho dele! Ele quer os arquivos, agora não sabemos o "porquê" disso. Edgar Vancowisck nos vê como uma pedra no sapato, e ele realmente vai nos tirar do caminho dele se não o dermos o que ele quer...
— O que sugere Apollo? _ Beatrice perguntou e o homem suspirou e encarou a irmã.
— Temos que achar os arquivos antes de mais nada. Vamos entregar o que ele quer e acabar com isso...
Jackie e Beatrice o encararam ainda intrigados com o plano.
— Isso é loucura!
— Confiem em mim! Vamos dar um fim nisso, ou me chamam de gênio em vao. Nós somos muitos, contra um. Ele vai cair!
***
Quando cerca de cinco carros blindados entraram pelos portões, os empregados correram de encontro com os patrões. A porta do automóvel que estava ao centro foi aberta por um segurança e Marco saiu primeiramente. Um segurança pegou Charlotte nos braços, e Ashy saiu de outro carro.
Eles caminharam pelo corredor de empregados. Um deles abriu a porta da mansão, e os irmãos tiveram a primeira imagem da irmã depois de três dias no hospital. Seus cabelos cacheados e ruivos, pareciam sem brilho assim como seu olhar, seu rosto ainda estava pálido. O sorriso vibrante da bailarina desapareceu, ela apenas passou seu olhar pelos rostos conhecidos sem dizer uma única palavra.
Ela ainda estava se recuperando, foi levada diretamente para o quarto. Avril a olhava aflita, andava de um lado para outro e ameaçou subir atrás da irmã. Mas Ashy a segurou pelo braço a trazendo de volta, a arrastou para dentro da sala privada e fechou a porta.
— Fique longe da sua irmã por enquanto!
— O quê? Mas...
— Escute Avril! É um momento difícil! É comum as pessoas culparem alguém nesse tipo de situação!
Ashy estava séria e Avril a encarou confusa.
— Mas a culpa não é minha! Mãe, Charlotte é minha irmã! Ela estava lá por mim quando mais precisei, ela ... não ia ...me culpar..._ Avril se calou aos poucos se dando conta, que sim, Charlotte ja a culpava pela morte de Will. Avril abraçou os próprios braços e encarou a mãe que a olhava atentamente. _ Você também pensa como ela?
— Não!
— Eu... Eu apenas não queria dar a Edgar o que ele tanto quer. Ele...
— Nós vamos dar a ele! Esse é o plano agora Avril!
Avril desviou a atenção para a janela, dando as costas a Ashy. A mãe continuou a olhando sem transparecer emoções.
— É isso que Edgar quer, não é? Nos jogar na lama, quebrar nossos muros, inferiorizar nossas certezas....
— Isso mesmo! Mas ele ainda não sabe quem desafiou... Eu não te treinei a toa, não te tornei mais inteligente e mais capaz do que para esse tipo de situação, para você se sentir um ratinho acuado!
— Eu não sou como você mãe!_ Avril rosnou a olhando por cima do ombro. _ Eu nunca vou chegar a ser a mulher extraordinária que você é! Sim, eu sou apenas um ratinho acuado!
Ashley veio em passos cheios de certeza, pegando o queixo da filha e a fazendo encarar no fundo dos seus olhos.
— Você é melhor! Você sabe de coisas muito melhor do que eu! Você é melhor mãe para Jason do que eu fui para você! Você tem sentimentos, é inteligente, e sabe usar muito bem dos dois! Então pare de querer ser EU, e comece a ser VOCÊ!
Avril engasgou com as lágrimas e Ashy a abraçou com força, acariciando os cabelos longos.
— Eu estou com medo de perder vocês! Estou com medo de que por minha culpa mais alguém acabe morto!
— Então é hora de fazer isso parar, Avril! _ Ashy sussurrou. _ Nós estamos juntos para isso!
O barulho de um tiro ecou do andar de cima, ambas correram para fora da sala privada e subiram a escada rumo ao quarto de Charlotte.
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Decodificação
RandomLivro 4 - Assumindo por fim sua responsabilidade com a máfia, Avril, filha de Marco e Ashley, terá que lidar com assuntos de "gente grande". Ela foi treinada para ser uma mulher forte e inteligente, capacitada para lidar com a máfia e com qualquer s...
