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Geme segurando a perna enquanto era colocada na poltrona do velho galpão.

— Foi apenas de raspão. _ Avril diz entre os dentes enquanto Mathew tirava as botas de couro.

Henry a olhava de longe, pois não deixaram que ele se aproximasse mais. Andava de um lado para outro até notar sua dog tag balançando deliberadamente. Ele a retira e enfia no bolso da calça jeans.

   Volta a olhar para Avril, sendo tratada atenciosamente no ferimento em sua coxa que pegou de raspão. Ela urra entre os dentes travados ao ter álcool despejado abundantemente em sua perna, segurando no encosto da poltrona com tanta força que seus dedos ficaram brancos. 

Henry esfrega o rosto e Maick se aproxima em silêncio.

— Não há motivos para tanta preocupação. Ela está segura agora!

— Não! Ela não está!

— O que quer dizer?

— Eu ouv...

— Maick! _ Avril o chama claramente irritada enquanto sua perna era enfaixada. _ Venha aqui!

— Teremos essa conversa depois. _ o velho diz sério indo em direção a garota, ele fecha as portas de blindex opacas, tirando toda visão de Avril e Mathew em pé diante dela.

Avril enfia a mão no bolso da jaqueta e entrega a bala que pegou como amostra.

— Mande para análise! Apenas para termos certeza se são os mesmos responsáveis.

   Maick pega o projétil e o olha curioso, acena positivamente e um capanga se aproxima levando a munição dentro de um envelope plástico.

— Poderia ter apenas ficado quieta até que eles fossem embora ...

— Não! Um deles estava juntando a bagunça, uma hora ele teria que jogar tudo no lixo e estaríamos em apuros maiores. É melhor ter o elemento surpresa...

— Do que ser pego desprevenido! _ Maick completa em um sussurro. _ Os ensinamentos de seus pais ainda estão frescos na sua cabeça oca!

Avril solta uma risada nasal debochada.

— E sua memória ainda está boa para um velhote de 60 anos. _ Se coloca de pé ajeitando o vestido e pegando suas botas, as avalia e entrega para Maick. _  Acho que uma boa lavada serve para doação.

— O lado Marco Bradson ativo em suas veias... _ Maick pega as botas da garota com desgosto.

— Eu vou para casa. Chega de adrenalina por hoje!

— Acho que seus problemas da noite ainda não acabaram...

  Avril para na porta ja semi-aberta e olha para Maick por cima do ombro que olhava os detalhes da bota. 

— Engraçadinho. _ murmura e sai deixando a porta aperta.

  Ela manca, andando descalço, sentindo o chão impecavelmente limpo.   Lembrou imediatamente do castigo dos irmãos, todos os quatro esfregando o chão com escovas, centímetro por centímetro enquanto Avril e Mathew desfrutavam de um belo sorvete de baunilha com calda de chocolate, balançando os pés no ar, sentados no ringue enquanto Marco e Ashy conversavam sobre assuntos da máfia na sala particular.

Mais uma mancada foi o suficiente para Henry a alcançar, levando as mãos para pega-la no colo.

— Nem mesmo ouse me tocar! _ Avril diz ríspida continuando seu caminho.

   Ela abre a porta do carro e entra, fechando a mesma com brutalidade. Henry bufa e caminha até sua moto estacionada ao lado do carro da garota que havia acabado de sair do galpão.

— Não encontramos mais ninguém a não ser alguns corpos... _ Mathew diz para Maick que arqueia a sobrancelha e olha de relance para Henry saindo também do galpão atrás de Avril.

— Averigue detalhadamente a situação! Você tem feito um bom trabalho como capo!

— Obrigado pai!

***

  Avril retira a jaqueta e joga no sofá com raiva. Passa as mãos nos cabelos que ficaram sujos por ter rolado no chão.

— Eu preciso de um banho. Eu vou ficar louca se isso continuar..._ Batidas timidas na porta a fazem se calar._ Vá embora Henry! Você nunca teve a decência de bater antes! Não banque o educado agora! Suma da minha vida!

— Não!  _ Henry diz com seu tom de voz  parecendo uma criança de seis anos a dar birra.

— Mais que merd.. _ Ela abre a porta e não o deixa entrar. _ Você não tem motivos para voltar!  Vá logo embora!

— Avril..._ Henry a chama, e a garota arqueia a sobrancelha claramente irritada. _ Você está exagerado..._ Avril começa a fechar a porta e Henry segura com firmeza. _ Espera!  Não era isso que eu queria dizer!

— E eu não quero ouvir ! Então... _ força a porta novamente para fechar.

— Eu faço o jantar! _ Henry diz um pouco afobado e não convence Avril que termina de fechar a porta.

Ele bate duas vezes sem muita força e suspira abatido.

— Eu não queria ter ido daquele jeito... Minhas irmãs ficaram feridas na última missão, o grupo estava desfalcado  e eu tive que assumir a liderança até elas se recuperarem. _ faz uma pausa encarando a porta abatido, esperando por alguma resposta, a sombra do corpo de Avril podia ser vista por baixo da porta, quieta. _ Quando eu vesti o meu uniforme, jurei a mim mesmo que não pensaria em você, que faria meu trabalho sem falhar e que voltaria o mais rápido possível para terminar aquela conversa, mas ... _ franze o cenho enquanto pensava nas palavras corretas. _ eu quebrei minha própria promessa várias vezes. Eu não conseguia tirar você da minha cabeça. Fui enfiado em missão atrás de missão, e ainda assim, eu tinha tempo em algum momento de quietude de pensar em você. Se estaria segura, se ja teria comido, se estaria em casa ou trabalhando em algo da máfia, se ja havia se metido em problemas... Avril, assim que eu pude, embarquei no primeiro vôo para cá. Eu precisava desesperadamente te ver, então não me mande embora antes de poder dar uma boa olhada no seu rosto, por favor...

   O silêncio paira dos dois lados da porta, Henry se afasta, batendo sutilmente seus dedos na porta deixando sua última esperança de que Avril abriria a porta.  Suspira pesadamente em rendição, e caminha um pouco sem rumo para o elevador, a porta abre e Avril aparece encarando  a parede oposta do corredor.

— Acha justo o que fez comigo?

— Eu ja expliquei os meus motivos... _ Henry diz sem a olhar, ainda de costas para ela.

— Claro... Os seus motivos são sempre os mais perfeitos. Se os seus motivos o levaram a parar, não sei então porque verdadeiramente está aqui! Talvez eu tenha ficado na sua cabeça por mero capricho seu... Estou cansada das noites mal dormidas enquanto eu ficava pensando onde você estaria! E você não merece o meu perdão por pensar em mim, Henry! Palavras bonitinhas não vão me fazer amolecer... Eu aprendi a lição!

   Henry se vira encarando a expressão séria da garota que o encarava.

— Se não mereço o seu perdão, porque servir praticamente de sacrifício para que um mero militar possa sair vivo de uma situação arriscada?

— Você salvou a minha vida algumas vezes. Nós estamos quites agora! _ Avril diz voltando para dentro do apartamento.

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Boa leitura!

❤️

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