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— Esse olhar me é nostálgico... – Maick comenta regulando o retrovisor, vendo Avril com o rosto apoiado na mão encarando a paisagem la fora de forma estóica  – Talvez seja algo de família.

— O que quer dizer? – Avril murmura e Maick nega rindo baixo.

— Agora posso saber quem era o rapaz?

— Você vai contar para o meu pai. Estarei morta antes do final do dia...

— Eu decidirei se contarei ou não.

— O conheci na Alemanha. Desde então temos nos esbarrado em ocasiões estranhas. É difícil explicar...

— E ele sabe?

— Sim! Ele sabe.... Além disso apontou uma arma para minha cabeça por causa disso.

Maick arqueia a sobrancelha intrigado.

— Estamos falando do mesmo rapaz?

— Ele é militar das forças especiais...– Avril murmura ainda encarando a paisagem lá fora.

Maick sai da pista e volta com o dito fazendo Avril o olhar pelo retrovisor.

— É... seus pais vão te matar! – Maick sussurra tenso.

— Eu sei...– Ela balbucia e bufa. – Mas não temos nada. Isso alivia as coisas?

— Eu duvido muito que não compartilham de alguma coisa. Ninguém estaria disposto a se intrometer entre uma guerra de facções  por nada. – Maick relaxa no volante. –  Eu vi as câmeras de segurança. Achei estranho a moto na sua garagem ele estava parado lá por pelo menos 10 minutos. Quando os suspeitos passaram com um tapete ele estranhou e agiu.

— Eu não me lembro de nada. Estava apagada... – Avril encara o por do sol e suspira. – Mas ele não vai querer nunca mais olhar na minha cara.

— É o preço, Avril. Mas não creia tão fielmente nisso. Pessoas mudam suas concepções rapidamente. Ele olharia de novo, se não, não  teria ficado aqueles  10 minutos na garagem olhando para o nada...

— Foi um choque para ele.

— E para você?  Quando descobriu que ele era um militar...

— Eu sabia que estaria ferrada se meu pai descobrisse, mas ele era um cara legal. Na verdade, acho que fiquei com um pouco de vergonha de ser chefe de máfia e ter que cuidar das coisas sujas do mundo.

Maick fica em silêncio, pensativo por algum tempo.

Suas palavras sairam com um toque de nostalgia.

— Eu era militar na minha juventude... Abandonei e segui na máfia, sendo o braço direito do seu pai. Se me perguntar se me arrependo, eu poderia responder talvez. Não é fácil realmente viver nas sombras do mundo. Mas é melhor do que viver na luz, ver as trevas fingir de luz e não poder fazer nada. Ja vi muita gente na minha vida que gritava pela paz mundial, e por trás das cortinas fornecia a guerra.

Avril fica em silêncio.

— Espero que um dia consiga fazer as coisas do jeito certo. Ser boa como meus pais...

— Você apenas é jovem. Vai aprender. E quanto ao seu amigo... bom, eu posso não contar, mas prefiro que você conte quando estiver pronta. Não crie mentiras para sufoca-la mais tarde.

— Tudo bem. Obrigada Maick! Aliás, Mathew tem estado distante ultimamente...

— Ele está passando por momentos de aprendizado. Ele é seu futuro capo, tem que aprender bem como as coisas funcionam.

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