A tensão parecia ter se materializado na sala. Marco cuidava cuidadosamente do braço de Ashy, enquanto a mesma mantinha seus olhos gelidos fixados em Henry. Ele podia sentir a aura assassina, o desejo pela sua cabeça rolando por aquela sala e depois empalhada em cima da lareira.
— Eu ainda não acredito que você atirou na sua própria mãe... _ Marco diz com o tom firme, quebrando o silêncio da sala.
Os irmãos se mantinham em silêncio, espalhados pelo cômodo, apenas como espectadores do momento, sem poder fazer absolutamente nada para intervir na situação.
— Que escolha eu tinha? Deixa-lo morrer e em breve uma guerra iniciar com os militares do comando especial? _ Avril responde áspera, mantendo seu olhar distante dos pais sentados no sofá.
— Poderia ter evitado se tivesse usado o mínimo de raciocínio exigido! _ Marco enfaixa o braço de Ashy e da um pequeno nó, a libertando de seus cuidados.
— Claro... _ Avril rebate rebelde fazendo Marco estreitar os olhos.
— Você sabe as regras! _ Ashy se põem de pé, e Henry percebe Avril trocando o peso do corpo para a outra perna, seus músculos ficaram rígidos, como se ela ja esperasse por qualquer movimentação perigosa da mãe.
— Perfeitamente! Mas eu tenho assuntos a resolver esta noite. Pode me executar pela manhã! _ Avril a encara no fundo dos olhos, azuis contra azuis. _ Mas saiba que se matar Henry... Será questão de poucos dias até que a família dele venha atrás de vocês. E aí.... Bom, todos vocês vão ser executados!
O telefone da garota toca e ela o atende de prontidão sem desviar o olhar severo do da mãe. Ela fala em Ucraniano com Tristan e após alguns minutos desliga e abaixa o objeto.
— Avril.... _ Mathew sussurra a chamando e a garota não o olha, continuando com o olhar na mãe. Ambas pareciam conversar em uma troca de olhares intenso.
— Eu preciso ir! Se tocar nele, eu mato vocês! _ Avril passa pela mãe sem olhar para o pai. Na escada troca um olhar abatido com Charlotte e Brayan, quase a implorar por " cuidem dele até que eu volte, por favor..."
Henry tinha as mãos no bolso da calça jeans ainda úmida, cabeça baixa encarando os próprios pés, suspira e levanta a cabeça quando Avril desaparece no andar de cima para se trocar. Olha para o casal o encarando e decide quebrar o silêncio e a tensão de uma vez por todas.
— Vocês realmente são surpreendentes! Ela os ama, ela se orgulha do nome que tem. E acho que ela está exagerando tentando me proteger de tal forma de vocês dois! _ Henry diz tranquilo, mas seu semblante estava sério. _ Eu amo a Avril! Eu faria o mesmo para protege-la. Eu deixaria de ser militar se o exercito quisesse a executar! Desde o dia em que a conheci, não consigo mais me afastar. As diferenças de nossas vidas é apenas um detalhe pelo que sentimos um pelo outro. Eu não vou deixar quem quer que seja a machucar!
Marco entrelaça os dedos e Ashy se escora na parede e olha para o teto, rindo debochada, balançando a cabeça negativa. Avril desce usando um vestido salmão, de apenas uma alça e sandálias trançadas em suas pernas. Ela encara Henry que a olha com ternura.
— Você está linda! _ Ele sussurra e ela da um sorriso triste e passa por ele, passando sua mão pelo braço e dando um leve aperto no bicips do rapaz.
— Eu volto logo! Me liga se precisar de alguma coisa. Mathew vai ficar aqui com você.
Avril se afasta sem dizer mais nada, passando pela porta de entrada. O silêncio paira mais uma vez, até que o silêncio recaia mais uma vez entre os presentes.
— Deixe-nos a sós! _ Ashy se desescorando da parede encara os filhos que acenam e saem receosos do cômodo.
Marco suspira e acena para a poltrona, para que Henry possa se sentar, apesar do jeito cortês, não havia gentileza no ar.
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Decodificação
RandomLivro 4 - Assumindo por fim sua responsabilidade com a máfia, Avril, filha de Marco e Ashley, terá que lidar com assuntos de "gente grande". Ela foi treinada para ser uma mulher forte e inteligente, capacitada para lidar com a máfia e com qualquer s...
