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2 meses depois...
Helena:
Gavião: Tá com raiva? - desviei meu olhar do Vini, que dormia ao meu lado, e olhei para o Igor, que entrava no quarto com uma sacola de mercado.
Helena: Por que eu estaria? - perguntei e escutei ele estalar a língua e resmungar alguma coisa que não deu para escutar.
Gavião: Sou menino, eu - resmungou de novo e sentou ao meu lado. - A mina lá é mulher de um parceiro meu; ela só veio pegar um recado para ele.
Helena: Ué, eu não disse nada - dei de ombros e olhei de novo para o Vinícius, que dormia tão lindo com a chupeta na boca e agarrado ao ursinho que dei a ele.
Nesses meses que se passaram, descobri que sou apaixonada por crianças e por querer ajudar as pessoas. Mas descobri também que eu sempre fui assim, e quando a Helô e o Igor disseram isso, eu me senti feliz, sabe? Porque, de certa forma, mesmo que eu não lembre de muita coisa, a minha essência ainda continua sendo a mesma.
Comecei a trabalhar também na ONG, estou ajudando nos projetos de lá e, sinceramente, eu estou amando.
Gavião: E eu não vi o tamanho do seu bico? - puxou meu rosto na direção dele - quem estivesse na entrada do morro via o bico que tu fizeste. - Revirei os olhos e vi ele sorrir de lado e me beijar - sou só teu, minha gata. - Me abraçou pelo pescoço - não precisa ter ciúmes.
Helena: Eu não tenho ciúmes - joguei meu cabelo para trás - o ciumento é você, não eu. - Ele deu risada e eu coloquei a mão na boca dele - o Vini está dormindo.
Gavião: A única diferença entre nós dois é que eu falo mesmo, já tu fica com bico grande e dizendo que não tem nada. - Dei de ombros - trouxe chocolate pra tu.
Helena: Que fofinho - falei, sabendo que ele não gosta quando o chamo assim, e peguei a sacola - obrigada - dei um selinho rápido nele e senti ele segurar meu pescoço, e dei risada.
Gavião: Tu faz isso pra provocar, né? - perguntou sério, e eu dei risada.
Helena: E o que tem demais você ser fofo? - ele resmungou. - Mas sabe o que eu queria mesmo? - ele ficou me encarando. - Ir para a praia.
Gavião: Ih, pô. Tu sabe que não dá certo esse bagulho - suspirei. - Segurança tem que ser ainda mais redobrada.
Helena: Parece até que eu que sou a bandida - resmunguei. - O que esses caras querem comigo? Eu não tenho nada a ver com essas coisas.
Gavião: Porque tu é minha mulher - falou sério. - Eles querem tentar me desestabilizar, pô. E sabem como fazer, e eu não vou deixar isso acontecer. Ninguém mexe com você, nem com a Heloísa, nem com o Juninho, nem com a Camile e nem com o pivete aí. - Olhou para o Vini e olhei também, vendo ele sorrir enquanto dormia. - Vocês que são minha família, minha prioridade.
Helena: Mas isso é chato, Igor - peguei um pedaço do chocolate. - Dois meses já. Será que eles já não esqueceram? - Olhei para ele. - Não é que seja ruim ficar no morro, mas só ficar aqui, sem sair para nenhum outro lugar, é chato.
Gavião: E eu tô ligado - me puxou para ele - tô tentando resolver essa porra, tá ligado? E se eu não resolver por agora, eu faço uma praia só pra tu. - falou sério e eu dei risada - tá rindo de quê? Tô dando o papo certo.
Helena: Ai, Igor - abracei ele, sentindo ele me apertar, e fiquei quietinha, só sentindo o toque dele.
Acho que, durante esse tempo, o abraço dele tem sido um dos melhores lugares. O nosso abraço se encaixava, sabe? Às vezes eu tô triste, daí abraço ele e ele não fala nada, só me abraça apertado e, depois, quando eu me solto dele, ele diz que me ama.
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Lágrimas de ilusão.
Fan-FictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
