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A partir deste capítulo, começa a terceira parte da história, onde novos desafios, personagens e reviravoltas surgirão. Se necessário, voltem ao capítulo de apresentação e leiam-no com atenção. Muitas surpresas os aguardam. Pessoas que pareciam ter ficado no passado podem reaparecer.

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O que  foi esquecido,
um dia voltará. 💨

AUTORA:

Foi no susto. No baque. Naquelas horas em que o coração avisa que algo ruim está para acontecer, mesmo quando ninguém fala nada.

O telefone tocou. Número estranho. Mas a voz do outro lado da linha era firme, fria, direta:

— A senhora tem algum grau de parentesco com a Helena Fonseca?

Heloísa parou. O mundo ficou mudo por dois segundos.

Heloísa: Eu sou irmã dela. Por quê? Aconteceu alguma coisa?

A mulher respirou fundo. Era delegada, estava na cena do acidente.

— Ela sofreu um acidente grave. Está a caminho do hospital. A gente conseguiu esse número na última ligação registrada.

O resto das palavras se dissolveu no ar. Heloísa só pegou a chave, saiu batendo a porta, desceu sem rumo, como se o próprio corpo já soubesse o caminho. O coração batia como sirene. A Helena tinha ligado. A última ligação. A última voz. A última chance.

Ela dirigiu como quem corre contra o destino, mas sabia, lá no fundo, que já estava atrasada.

Heloísa:

A porta do hospital escancarou e eu entrei gritando, parecendo uma louca. O celular tremia na minha mão, assim como meu corpo inteiro. Eu sentia que minhas pernas iam falhar, mas continuei correndo.

Heloísa: Minha irmã! Helena Fonseca! Ela estava grávida, pelo amor de Deus, me fala que ela está viva!

A mulher da recepção travou. Um enfermeiro correu para me segurar pelos braços, mas eu estava em chamas.

Heloísa: FALA, CARALHO! ME FALA DA MINHA IRMÃ! — gritei, e meu grito ecoou pelo hospital.

Minhas pernas cederam. Caí no chão duro e gelado, soluçando alto, igual a uma criança.

Heloísa: NÃO! — gritei, antes mesmo de ouvir qualquer resposta. — NÃO! NÃO É ELA!

Eu me debatia, tentando negar o que meu peito já sabia.

Dois enfermeiros se abaixaram, tentando me levantar. Um deles falou baixo, como quem sabe que nenhuma palavra vai aliviar aquilo:

— Moça... a sua irmã chegou aqui sem batimentos. A gente tentou reanimar... mas...

Heloísa: NÃO! — berrei, me agarrando ao chão, como se pudesse impedir o mundo de desabar.

A enfermeira apertou meus braços com mais força, tentando me manter de pé.

— Mas o bebê... — ela engoliu em seco. — Ainda tinha batimentos. A gente fez uma cesárea de emergência.

Eu parei. Meu corpo travou inteiro.

Heloísa: O... o bebê?

Uma médica apareceu, com olhos vermelhos, talvez emocionados ou cansados demais.

— A bebê... — ela murmurou, hesitante. — Ela sobreviveu. Um milagre... uma menina linda.

Meu peito explodiu. Dor e alívio misturados em um mesmo golpe.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora