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2 meses depois...

Heloísa:

Eu me sentia realizada. Agora, aos 24 anos de idade, eu me sentia completa. Formada, noiva e, agora, com as pessoas mais importantes da minha vida: meus filhos, Pedro e Gustavo.

Meu parto foi cesariana. Gustavo nasceu primeiro e Pedro nasceu quatro minutos depois. Meus filhos são a coisa mais linda. Pedro é um pouco mais agitado que Gustavo, mas ainda assim continuam sendo meus amores.

Eu estava extremamente feliz, porque, além dos meus filhos, agora eu estou noiva. Mês passado, o Luís me pediu em casamento e é óbvio que eu aceitei; ele é o amor da minha vida. É uma das pessoas que mais me trata bem e, além do mais, é o melhor pai que meus filhos poderiam ter.

Eu estava formando minha família. Depois de tanto sofrimento que já passei em outros relacionamentos, depois de decepções, agora eu estava formando minha família.

Helena: estou entrando, hein – escutei a voz dela e virei meu rosto, vendo-a passar pela porta da sala, com a barriga destacada na roupa que vestia. – Como vão as minhas vidas?

Heloísa: Eu vou ótima – falei, rindo, e ela sorriu, me abraçando. – E como vão minhas outras vidas? – alisei a barriga dela.

Helena: Estamos bem. Graças a Deus, os enjoos passaram. – Concordei e sentamos no sofá. Olhei para os meninos que estavam dormindo no carrinho, e a Helena se inclinou, dando um cheiro nos dois. – Não vejo a hora do Kauã nascer também.

Heloísa: Daqui a três meses – falei, e ela concordou. – Vai aproveitando, que depois que ele nascer, você mal vai conseguir dormir. – Ela deu risada.

Helena: Seria estranho se eu falasse que estou ansiosa para essa fase? – Deu risada. – Eu não vejo a hora de poder pegar ele no colo, encher de beijos e cheiros, vestir ele, assisti-lo jogar futebol. – Sorriu, alisando a barriga. – Eu estou tão ansiosa. Não vejo a hora de janeiro acabar e abril chegar logo.

Heloísa: Imagina o Kauã, o Gustavo e o Pedro jogando juntos – sorrimos. – Além de primos, vão ser melhores amigos, assim como a gente. E ainda vai ter o Vinícius, que vai ser um primo ou tio deles – falei meio confusa e ela deu risada.

Helena: Ai, Helô, não vejo a hora disso tudo acontecer – sorriu. – Acho que é minha maior vontade.

Sorri olhando para ela. Estava nítido que a Helena estava feliz, que ela estava se sentindo realizada. Eu achei que, depois do acidente que aconteceu há um ano, ela se sentiria perdida com a gente. Achei que nossa amizade iria esfriar. Mas continuamos as mesmas, e eu agradeço demais por isso.

Torço também para que ela possa recuperar sua memória 100%. Torço para que ela me conte tudo, exatamente tudo o que aconteceu naquele dia. Porque, de alguma forma, eu sinto que faltam coisas a serem ditas sobre aquele dia.

Heloísa: Você ainda vai tentar engravidar de novo? – perguntei, porque me veio à mente de quando ela vivia falando que queria ter uma filha mulher.

Não que eu não esteja feliz com a gravidez do Kauã, porque eu já sinto muito amor por esse bebê e sei que a Helena sente também. Mas eu também sei que era o sonho da Helena ter uma menina e, mesmo depois do acidente, ela já chegou a me falar que sonhou com uma bebê chamando por ela.

Helena: Sim – sorriu – quero muito. – Olhou para a própria barriga – eu estou muito feliz e amo meu filho, amo de todo o meu coração, mas, nesta última semana, eu tive vários sonhos repetidos com uma bebê me chamando de mamãe. Ela se chamava Júlia.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora