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Nem todas as lágrimas são de tristeza.
Algumas nascem da ilusão que virou vida.

Helena:

Eu dei risada vendo a Júlia correr na areia, soltando umas gargalhadas, e o Igor correr atrás dela, dizendo que ia pegá-la.

Juju: Mamãe, me ajuda, mamãe! – veio correndo na minha direção, dando risada, e eu a peguei no colo.

Gavião: "Mamãe ajuda" nada, sua pilantrinha – falou, e ela deu gargalhada, escondendo o rosto no meu pescoço. – Não é hora de jogar areia em mim, tu não chamou pela tua mãe, né?

Juju: Foi uma areinha de nada, papai.

Gavião: Ah, foi? – ela riu – Pois vai ser minha vingança agora. – Ele fez que ia pegar ela, e ela negou rápido, saindo do meu colo e voltando a correr pela areia.

Ele foi atrás e fingia tropeçar, o que fazia com que a Júlia desse mais risada ainda. Neguei com a cabeça e tirei algumas fotos deles.

Juju: Vem pra água, mamãe! – gritou toda feliz, e eu dei risada, deixando as coisas na areia e indo até eles. – Tá muito linda a mamãe.

Helena: Tô mesmo? – ela concordou, pulando do colo do Igor para o meu – e você tá mais linda ainda. – Enchi ela de beijos e ela deu risada.

Senti a mão do Igor na minha cintura e ele beijou de leve meu pescoço. Dei risada e a Júlia colocou a mão no rosto dele.

Juju: Minha mamãe.

Gavião: E minha mulher – foi tentar beijar de novo e a Júlia olhou.

Juju: É mamãe? – Dei risada.

Helena: Ele tá mentindo – falei e o Igor me olhou – tá se emocionando fácil, amor. – Me afastei um pouco com a Júlia e ele cruzou os braços – se bem que você sempre se emocionou, né? Antes mesmo de eu te beijar pela primeira vez.

Gavião: Se eu soubesse que tu ia me zoar até na frente da nossa filha, nem tinha me apaixonado.

Helena: Mas se apaixonou, né?

Ele riu de canto, sem responder, e a Júlia ficou olhando de um para o outro como se entendesse tudo.

Juju: Papai ainda ama a mamãe, né?

Gavião: Amo sim, filha.

Fiquei em silêncio por um segundo, ajeitando o cabelo da Júlia, que voava com o vento. Ele falou de forma tão simples, tão natural, que foi impossível ignorar.

Juju: Então por que você não mora com a gente?

Gavião: Porque às vezes a gente precisa dar um tempo, né? Mas eu tô sempre por perto.

Helena: Muito por perto, até — falei, meio irônica, e ele soltou um riso sem graça.

Gavião: Culpa tua. Eu não consigo ficar longe.

Juju: Vamos fazer castelo de areia?

Helena: Bora — falei, animada, e saímos do mar. Igor pegou um baldinho pequeno e começou a cavar ao lado dela.

A Júlia ignorou qualquer climão e começou a cavar um buraco na areia.

Juju: Vamos fazer um castelo gigante, mamãe! E o papai faz a ponte.

Helena: Tá bom. Mas sem guerra de areia, hein — avisei, apontando pro Igor.

Ele levantou as mãos, fazendo-se de inocente.

Gavião: Eu? Jamais.

A gente se sentou na areia e começou a ajudar a Júlia. Vez ou outra, ele me olhava de canto. Não falava nada, mas o olhar dizia tudo.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora