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27 de março.

Gavião:

Acordei sentindo um bagulho gelado na minha cara e virei, passando a mão e escutando um grito altão. Abri os olhos e encarei o pivete, que estava com um sorriso na minha direção.

Gavião: Rum – resmunguei, e ele gritou ainda mais, se jogando em cima de mim – qual foi, menor?

Vini: bobô – gritou de novo, beijando minha cara, e eu dei risada, sentindo um sono do caralho.

Gavião: vou te trazer pra dormir aqui mais não – segurei ele, fazendo-o sentar na minha barriga, e ele começou a pular – todo afobado, só podia ser filho do Juninho mesmo.

Vini: papai – balancei a cabeça – cadê papai?

Gavião: fazendo outro menor na sua mãe – falei, e ele me olhou, jogando a cabeça para o lado.

Helena: que horror, Igor – apareceu do nada no quarto – fala direito com ele.

Gavião: Rum, e eu tô mentindo? – ela negou com a cabeça e sorriu de lado, sentando ao meu lado. – Bom dia, minha gata. – Puxei o rosto dela pra dar um beijo, e o outro intrometido já se jogou no meio.

Vini: Vovó! – se jogou nos braços da Helena, e ela deu risada, segurando-o. – Bebezinho! – apontou para a barriga da Helena.

Helena: Fala com ele! – falou, e ele só começou a cutucar a barriga da Helena, falando nada com nada. Percebi o movimento leve que a barriga fez.

Sorri de canto e me levantei da cama, indo ao banheiro. Dei meu mijão, joguei água no rosto, escovei os dentes e voltei para o quarto. Puxei a Helena e dei um beijo nela. Hoje estávamos completando dois anos juntos e um ano de casados.

Gavião: Feliz dois anos de nós, minha gata! – cheirei o pescoço dela. – Te amo pra caralho, tá ligada, né?

Helena: Eu te amo! – me beijou. – Achei que você não ia lembrar.

Gavião: Rum – neguei e baixei a cabeça, beijando a barriga dela – fala com teu pai, menor. Tava todo agitado ontem à noite, sem querer deixar tua mãe dormir. – Beijei a barriga e alisei, sentindo o menor começar a se mexer e sorri de canto.

Vini: Neném, bobô – puxou meu rosto pra ele – neném.

Gavião: É, pô, teu tio. – Falei e ele riu, deitando a cabeça na barriga da Helena e pegando a chupeta dele, colocando na boca – tu já tá velho, tem que parar de chupar isso daí.

Helena: Deixa ele – riu – você vai sair hoje? – Olhei para ela.

Gavião: Tenho que resolver os bagulhos na boca – cocei a cabeça – mas de noite só vai dar nós dois, pô. – Puxei ela pelo pescoço e beijei sua boca – tá ligada já, né? – Ela riu.

Helena: Uhum – me beijou – nós dois e o Kauã.

Gavião: Nós dois e o Kauã – ela riu – tem que aproveitar, porque no próximo mês, quando ele nascer, já era pra mim.

Helena: Ai, amor – negou, ainda rindo – você tá muito fogoso esses dias. Estalei a língua e escutei um celular tocando; virei e vi que era o dela: a Heloísa ligando.

Atendi e deixei no viva-voz.

Gavião: Qual foi? Tem o que fazer, não? Liga pros outros a uma hora dessas da manhã.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora