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Helena:

Eu não sabia que o Igor tinha esse lado ou, pelo menos, ainda não tinha certeza. Ele estava com a cara virada, como se realmente estivesse magoado pelo fato de eu ter "lembrado" do Cobra e não ter lembrado dele. Eu já falei que estava brincando, porque eu realmente não lembrei, mas ele diz que eu estou mentindo.

E eu juro que achei até que ele iria chorar, porque os olhos dele brilharam na hora e minha consciência chegou até a pesar, mas ainda bem que ele não chorou.

Ele saiu dizendo que ia embora, que tinha não sei o que para resolver, e eu fui atrás dele. Agora estamos no carro.

Helena: Eu estava brincando - segurei o rosto dele, tentando puxá-lo para mim. - Eu não lembrei de ninguém.

Gavião: Tu tá mentindo, pô. Eu sei quando tu tá escondendo algum bagulho - falou ainda sem me olhar, e eu dei risada - ainda quer vir rir da cara do cara.

Helena: Eu não sabia que você era dramático - cruzei os braços - mas eu não estou mentindo.

Pelo menos nisso, eu não estava mentindo.

Gavião: Então foi ele que veio com o papo de que vocês já tinham ficado? - me olhou e eu neguei.

Aquela história já estava ficando esquisita. Não queria que ele fosse atrás do Cobra. Nem de longe. O Igor era imenso, forte, parecia uma parede. E o Cobra... bem, o Cobra era só um cara um pouco mais alto que eu, mas nem de longe chegava perto da força física do Igor. O pobre do Cobra não ia durar nem dois minutos se o Igor resolvesse ir tirar satisfação.

Helena: Minha cabeça está doendo - menti, colocando a mão na testa - acho melhor eu ir para casa, não estou me sentindo muito bem.

Gavião: rum - escutei ele resmungar e ligar o carro - vou te levar para casa e, quando eu chegar lá, você vai tomar remédio, entendeu? - concordei, deitando a cabeça no banco.

Helena: Você sempre foi assim? - ele me olhou de canto - ciumento, doidinho da cabeça.

Gavião: Não é ciúmes, não, Rihanna. Tô cuidando do que é meu. - falou, e eu olhei para ele sem entender, vendo-o dar um sorrisinho de lado.

Helena: Quem é Rihanna? - perguntei, e ele balançou a cabeça, negando e voltando a prestar atenção na frente.

Juntei as sobrancelhas e cruzei os braços, virando meu corpo um pouco para ele. Ele estava me chamando pelo nome de outra?

Helena: Você tá me chamando pelo nome de outra? - perguntei, e ele me olhou e deu risada. - Nossa. Ridículo isso, tá?

Gavião: Nome de outra o que, maluca? - resmunguei e virei o rosto. - Teu segundo nome é esse. - falou, e senti ele colocar a mão na minha perna, apertando de leve.

Helena: Eu perdi a memória, mas não sou burra, não. Sei que meu nome só é Helena Fonseca. Não tem nada de Rihanna. - escutei a risada dele e virei, vendo que ele realmente estava rindo.

Bipolar. Nesse instante, estava com ciúmes; agora, está rindo depois de me chamar pelo nome de outra. O carro parou na frente da casa da Helô, e eu ia abrir a porta para sair, mas, antes que eu fizesse isso, ele me puxou pela nuca e vi seu sorriso de canto.

E, infelizmente ou felizmente, o sorriso dele era lindo demais. Não tinha como ficar séria. Na verdade, ele era bonito.

Gavião: Tira esse bico da cara, pô - falou ainda com um sorriso de canto - se não vai me beijar, não tem pra que ficar com esse bico, não. - Senti ele apertar de leve o meu pescoço.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora