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Helena:
Já estava há mais de três dias vivendo esse pesadelo no morro. A violência não dava trégua, e a gente mal conseguia sair de casa. O barulho de tiros, as explosões, os gritos... tudo estava insuportável. Parecia que o mundo estava desmoronando, e o pior é que ninguém sabia quando isso tudo ia parar.
O que me fazia ficar ainda mais perdida e confusa era quando começavam a falar sobre ele: o Carioca. Não era a primeira vez que o nome dele surgia, mas, cada vez que diziam algo sobre ele, minha cabeça parecia que ia explodir. E a dor... Aquela dor fina e cortante que vinha como um flash, sempre que mencionavam-no.
Algo estava ali, na minha memória, tentando aparecer, mas eu não conseguia me lembrar de nada. Só sentia essa dor, esse desconforto forte e uma sensação de desconhecimento misturada com medo.
E então, apareceu a foto. A foto do Carioca comigo. Quando mostraram a imagem, um calafrio percorreu meu corpo. Eu não sabia quem ele era, quando tinha tirado aquela foto ou o que significava. Só sabia que aquela foto mexia comigo de uma forma estranha, como se algo estivesse bloqueado dentro de mim. Não entendia, não lembrava. Mas o simples fato de olhar para aquela imagem me fez sentir uma dor tão forte na cabeça que quase me deu um apagão.
Eu já sabia, ou melhor, fui informada depois de que aquele tal de Carioca era inimigo do Igor. Mas, quando aquela foto foi tirada, eu não sabia. Eu não fazia ideia do que ele representava ou do quanto aquela imagem ia se tornar uma ameaça para o Igor.
Mas, naquela hora, depois de ver aquela foto, tudo o que eu sentia era um medo estranho, como se algo na minha memória tentasse me alertar, mas eu não fosse capaz de entender.
Tudo aquilo mexia comigo, mas era como se a resposta estivesse fora do meu alcance. Eu não sabia quem era o Carioca, não sabia nada, mas sentia que aquilo tudo estava me afetando de uma forma que eu não conseguia controlar. E eu só queria entender por que a simples visão daquela foto me fazia sentir tanto medo e essa dor tão intensa.
Eu até perguntei para a Helô, umas vezes, se eu já tinha tido algum tipo de conversa ou contato com o Carioca antes da foto. Mas ela sempre disse que não, que eu nunca falei dele. Nem ela sabia quem ele era de fato, só ouvia falar. Que aquele cara da foto parecia só mais um seguidor meu no Instagram, alguém que acompanhava minhas postagens. E eu realmente achava que era isso. Até o acidente, tudo era tão distante.
Mas agora, com a foto aparecendo de novo, a dor na minha cabeça parecia piorar cada vez que ele era mencionado. Eu ainda não entendia o porquê de toda essa reação. O que ele tinha feito para mexer tanto comigo, sendo que eu nunca tinha dado importância para ele?
Eu estou tentando juntar as peças de algum jeito. Estou me esforçando para lembrar do que aconteceu, mas quanto mais eu tento, mais a dor na minha cabeça aumenta. É como se eu estivesse tentando forçar uma memória que não existe mais. Cada vez que tento lembrar de algo, é quase impossível manter os olhos abertos; a dor é forte demais.
Entrei no meu Instagram, fui nos stories arquivados, passei por tudo, mas são tantos e a conta já tem tanto tempo... Estou tentando me concentrar, vendo tudo, procurando algo que faça sentido, mas nada parece se encaixar. Já até anotei algumas coisas que achei que poderiam ser importantes, mas é como se tudo estivesse apagado. Nada se conecta, nada vem à tona. Eu só não lembro de nada.
Desisti de procurar. Larguei o celular e o caderno de lado, coloquei as mãos no rosto, sentindo as lágrimas escorrerem enquanto o barulho dos tiros e gritos ainda ecoava lá fora. Por que há dias em que tudo parece estar bem e, em outros, parece que nada se encaixa? Quem realmente é esse carioca? O que ele significa ou significou na minha vida para me deixar assim, desse jeito, perdida e sem respostas?
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Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
