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4 dias depois...
Gavião:
O sol estava queimando, mas eu não me importava. Olhei ao redor, procurando alguém. Procurando-a.
Depois de quase uma semana mofando naquela cela fedorenta, saí pela porta da delegacia com uma sacola na mão e o peito vazio.
Gastei uma grana enorme para sair daqui. A grana suja que eu juntei com sangue e suor finalmente serviu para alguma coisa: me tiraram de lá antes de me jogarem no presídio.
Olhei para os lados, procurando-a. Minha mulher. A Helena.
Meu coração martelava, como se ela fosse aparecer a qualquer momento, me esperando no meio da rua, com aquele sorriso pequeno, meio triste. Mas só quem estava ali era a Heloísa. Senti minha garganta secar e neguei com a cabeça.
O rosto dela dizia tudo antes mesmo de abrir a boca.
Pálida. Olheiras fundas. Olhos vermelhos de tanto chorar. Meu sangue gelou.
Gavião: cadê ela? – perguntei, sentindo minha voz sair rouca e, na mesma hora, meu olho ardeu – cadê minha mulher?
Heloísa não respondeu. Só balançou a cabeça, mordeu o lábio, como se engolisse um grito.
Gavião: FALA, PORRA! — gritei, andando na direção dela.
Ela desabou. Chorou na hora, como se estivesse segurando o mundo nas costas.
Heloísa: Igor... a Helena... — a voz dela falhou. — A Helena morreu.
O chão desapareceu debaixo dos meus pés.
Gavião: Rum. É mentira. — balancei a cabeça, rindo de nervoso. — Mentira! Para com essa porra, Heloísa! — apontei na direção dela, sentindo a primeira lágrima descer.
Ela tentou se aproximar. Eu recuei.
Gavião: Tu tá louca! — gritei. — É mentira! Eu quero ver ela! Me leva pra ela!
Heloísa: Igor... o enterro já aconteceu... — a voz dela era só um sopro. Dei risada e neguei com a cabeça. Ela estava mentindo. A Helena não se foi.
Gavião: Para de brincar com essa porra, Heloísa. – olhei na cara dela, sentindo minha vista embaçada. – Ela pode estar bolada comigo. Eu entendo. Eu dou espaço para ela pensar. Mas não fala uma porra dessa. Não fala que ela me deixou. Que eles me deixaram. Eu só não fui ver ela no hospital, mas não foi porque eu quis.
Ela ficou me encarando e só negou com a cabeça, desviando o olhar e começando a chorar. Eu me desesperei. Comecei a girar no meio da rua, olhando para os lados como se ela fosse aparecer correndo para me abraçar.
Não faz isso comigo, minha gata, por favor.
Gavião: NÃO! NÃO! NÃO! — bati no peito, no rosto, tentando acordar daquele pesadelo.
Heloísa: Igor... — Heloísa tentou me segurar. — Ela... ela sofreu um acidente. O carro capotou. Tentaram salvar ela, mas...
Gavião: NÃO! — empurrei o ar, como se pudesse empurrar a verdade para longe. — EU QUERO VER! EU QUERO VER ELA!
Heloísa: Não dá, Igor! — ela chorava. — O corpo dela... estava... estava muito destruído... o caixão foi fechado.
Foi como se alguém enfiassse uma faca no meu peito.
Gavião: Como assim fechado?! — gritei. — Você não viu ela?
Heloísa balançou a cabeça, soluçando.
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Lágrimas de ilusão.
Fiksi PenggemarNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
