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2 meses depois...
Helena:
Juju: Mamãe – falou toda dengosa, deitando-se no meio dos meus peitos, e eu alisei o cabelo dela.
Helena: O que foi, meu amor? – olhei para ela.
Juju: Amo você – falou baixo, olhando para mim, e eu sorri, sentindo meus olhos arderem.
Helena: Também te amo muito, muito, muito. Daqui até a lua. – Beijei o rosto dela – do tamanho do infinito.
Juju: Do infinito? – Perguntou com os olhos arregalados, e eu dei risada, balançando a cabeça.
Helena: Do infinito ao além. Sabe por quê? – Ela negou – porque o infinito nunca vai ter fim e o meu amor por você vai ser assim. – Falei, e ela deu risada com vergonha e me abraçou mais.
Juju: Eu também te amo do infinito, mamãe. – Sorri feliz e continuei mexendo no cabelo dela.
A Júlia, com toda certeza, era tudo o que faltava na minha vida. Não importa o que eu passei para chegar até aqui, porque só de ter ela ao meu lado, me abraçando, falando que me ama todo santo dia... isso aqui vale tudo. Tudo.
Com certeza, me dói não ter acompanhado de perto o crescimento dela: seus primeiros passinhos, a primeira palavrinha, a primeira gargalhada. Mas, mesmo que eu só tenha chegado quando ela já tinha três aninhos, eu juro que fiz o melhor que pude.
Não foi nada fácil, sabe? Teve coisa que eu ocultei do Igor, porque, se ele soubesse, ia surtar ainda mais. Tipo a história da minha mãe.
Quando ela voltou pro Rio e foi atrás do Igor, pedindo pra ver a Júlia, foi por minha causa, porque a gente brigou. E não foi pouca coisa, não. Falei tudo que estava engasgado há anos. Chorei, gritei... disse que ela não tinha o direito de fazer o que fez: de me abandonar, de me fazer crescer com esse buraco no peito.
Que ela não tinha o direito de me fazer perder os anos mais preciosos da minha filha... os anos que nunca mais voltam. Que, se ela não quis ser mãe, não quis cuidar de mim nem me dar o amor que eu merecia, eu faria diferente com a minha filha. Que eu não era igual a ela.
Foi aí que ela voltou. Veio atrás da Júlia. Disse que queria ter contato, só para que eu pudesse ver minha filha por ligação, escondida. Mas esse não era o plano dela. O plano real era outro: começar a ver a Júlia e, na primeira oportunidade, pegá-la e levá-la até mim. Para a Bahia.
E, por mais que o meu coração gritasse de saudade, eu disse a ela para não fazer isso. Porque, se ela fizesse, ia botar tudo a perder. O Igor ia surtar. Ia procurar ela até no inferno. E, quando a achasse... não ia querer saber de mais nada além de matá-la.
E eu sabia que, mesmo com toda a treta entre o Igor e o Carioca, os dois iam se juntar para ir atrás dela. E ela podia ter certeza: nem velório ia ter.
E outra... do que adiantaria ela levar a Júlia para a Bahia, se eu ainda estava presa? Não fazia sentido. E, no fundo, por mais que doesse, eu preferia ver a Júlia sendo criada aqui. Com o pai, com o avô, com os primos e os tios. Do que sozinha, lá com a minha mãe.
Juju: Mamãe... — ela murmurou, encostando em mim. — Você me dá um gatinho? – Dei risada.
Helena: Você não já pediu um cachorro para seu pai?
Ela balançou a cabeça, toda manhosa.
Helena: Então, para que um gato? E você já tem um coelho lá na casa do seu avô?
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Lágrimas de ilusão.
FanfictieNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
