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Gavião:
Nego acha que nós somos bobos, mas nós não somos, não. Tô ligado na do Cobra. Muito antes de assumir a Helena, eu já sabia do interesse dele por ela. Quando ela vinha para os bailes, o filho da puta ainda tentou ficar com ela, mas, pelo que sei, não conseguiu muita coisa.
Assumi ela e, mesmo assim, ainda vi, às vezes, ele encarar ela. Na época em que fui selecionar os que iriam ficar para a segurança da Helena, ele ainda se ofereceu como quem não queria nada, e eu já tinha deixado claro que não queria ele de papo com a minha mulher; se eu pegasse algum bagulho, não iria prestar nada para ele.
Ele se afastou. Toda vez que eu saía com ela e ele estava na parte da minha segurança, ele desviava o olhar, e eu gostava assim. Em um dia desses, quando a Helena estava internada, vi ele na frente da casa da Heloísa, conversando com ela, e já cismei legal no bagulho.
Heloísa ainda ficou meio nervosa quando me viu, mas não falou nada, e eu tentei ignorar aquela situação. Depois de ter visto o cobra conversando com a Helena no corredor do banheiro, fiquei ainda mais nervoso. O ódio subiu, parceiro. E me segurei pra caralho para não falar e nem fazer nenhuma besteira com a Helena ali perto.
Helena ainda veio com o papo de que ficou com ele no passado. Rum. Ela ainda disse que não tinha sido ele quem tinha dito, e achei logo que ela tinha lembrado dele e não de mim. O caralho mesmo.
Passei o resto da tarde com ela, consegui me distrair e ainda consegui um beijo, mas mesmo assim minha mente ainda estava neles dois no corredor. E de uma coisa eu tinha certeza, pô: não vai passar batido. Já tinha dado o papo para ele, mas se ele quer pagar para ver, eu mostro, pô.
Ninguém fica para tirar onda da minha cara, não.
Tem gente achando que eu mudei. Que, depois do que aconteceu com a Helena, eu virei outro cara. Até que tô tentando, pô, mas é só pra ela, porra. Só por ela. Pro resto, vai ser a mesma coisa. Ou pior: se alguém tentar tirar minha paz, não vou entender legal. Não vou deixar ninguém brincar comigo, não. Só ela merece essa versão mais tranquila, esse Gavião que tenta se controlar. Mas o resto? Vai ver o de sempre. Não tem mudança para ninguém além dela.
Tomate: tô cismado com a Walesca - falou, e eu olhei para ele de canto, enquanto fumava o meu e pensava nas merdas que estavam por vir.
A favela tava em paz, e isso é bom, tá ligado? Mas ficar na paz por tanto tempo assim é saber que, quando a merda vier, vai vir grande pra caralho.
Tomate: tô achando que ela tá tramando algum bagulho. Ela tá mais na dela do que o normal.
Gavião: deve tá mesmo - dei mais uma tragada e olhei a vista da favela.
Tomate: Tu acha? - estalei a língua e continuei pensando nos bagulhos - ela não é nem doida, pô. Se ela fizer algum bagulho, não vai prestar para ela.
Encarei ele sério e ele me encarou também.
Tomate: Tô passando a visão para você, pô. Walesca não é santa que tu acha que é, não.
Gavião: Eu não acho porra nenhuma, não. - estalei a língua, olhando para ele mais sério - Mas a visão que eu vou passar é que, independente dela ser tua fiel ou não, ela ainda é mãe do Guilherme, do teu filho - falei sério - e a única que cuida dele é ela e a tua sogra. Se tu fizer merda, não vou entender legal esse bagulho.
Eu não tava brincando. Não ia deixar ninguém botar em risco minha paz, e muito menos o equilíbrio da minha favela.
Tomate: Eu sei, eu sei, porra - falou - mas tô te falando, caralho, Walesca não é nenhuma santa.
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Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
