+40 comentários.
Votem!!
Cobra:
Saber da morte da Helena foi um baque. Um bagulho que doeu de verdade, me pegou de surpresa e me deixou sem chão.
Eu e ela nunca tivemos nada sério. Nunca chegamos a ficar de verdade — no máximo, uns selinhos, porque nunca dava certo. Sempre tinha algo no caminho. Mas o que eu sentia por ela... era amor.
Eu sei disso porque, mesmo depois dos "não" dela, mesmo depois de saber que ela ficou com o Gavião pela primeira vez, mesmo depois de ele assumir ela como mulher, o sentimento não passou. Nunca morreu.
Era amor, pô. Eu ganhava o dia quando a via. Quando ela cumprimentava a gente com aquele sorriso no rosto. Quando falava direto comigo. Não tem explicação... mas eu sentia. O coração acelerava, a mão suava. Só de ouvir o nome dela eu já ficava assim. Mesmo depois de meses. Depois de um ano. Era sempre a mesma coisa. Se isso não era amor, então o que era?
A Helena era luz. O olhar, o sorriso... transmitiam paz, fé e esperança.
Não ficamos juntos. Não deu certo. Mas eu sempre vou amá-la. Sempre vou carregá-la comigo. Um amor proibido. Um amor que nunca vingou. Um amor que me custaria a vida se o Gavião soubesse.
Hoje, eu estava indo para Nova Holanda depois de meses sem botar os pés lá. E isso porque escolhi ficar na Cinco Bocas. Ver a Helena com o Gavião doía demais. Por isso, eu saí da NH e fui trampar em outro lugar. Mas hoje, eu fui lá por um motivo: o Gavião.
Ouvi uns moleques dizendo que ele não está bem. Que, depois da morte da Helena, virou outro cara. Que não aceita a morte dela. Diz que foi armação. Os moleques falaram que ele mal dorme, parece estar em outro mundo. Está prestes a endoidar.
O amor deles era doido. Abusivo, sim. Mas era amor. Do jeito torto que só quem é do nosso mundo entende. E, por mais que me doa admitir, ele amou ela. Do jeito dele. Do jeito que sabia amar.
Ele escondeu da facção que ela era filha do Carioca, só para protegê-la. Assumiu ela para geral, exigiu respeito.
E, por mais que eu sinta raiva dele pela morte dela, eu vi o quanto ele lutou. E vi o quanto ela o amava também.
E agora... agora a facção largou ele de mão. Nessas invasões que já duram dois meses, ele está sozinho.
Cobra: Cadê ele? — perguntei para o menor assim que cheguei na boca principal.
DN: Está na laje — respondeu, e eu só assenti antes de subir.
Passei pelo segurança, cheguei na laje e vi ele ali, sentado na cadeira, cabeça baixa, blusa caída no ombro. Botei a mão no bolso do casaco e fui me aproximando. O tempo estava para chuva.
Gavião: Que tu quer? — perguntou sem olhar, a voz rouca.
Cobra: Vim saber como tu estás — respondi, sentando em um caixote perto dele.
Quando me olhou, e papo reto, ele estava magro. Cansado. Olho fundo, cara de quem não dorme nem se alimenta direito há dias. Nunca vi ele assim. Só cheguei perto disso na época da morte da Gabi, quando ele vivia se afundando nas drogas.
Gavião: Levaram ela de mim, Cobra, e tu quer saber como eu tô? — riu sem humor, esfregando a mão no rosto. — Todo mundo virou as costas pra mim. Não tô falando de facção. Tô falando dos meus, da minha família...
Vi os olhos dele encherem-se d'água. Ele desviou o olhar.
Cobra: Eu fiquei sabendo, por isso vim aqui. Se tu quiser conversar, desabafar... não vou te julgar — falei, engolindo em seco.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
