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Gavião:
Gavião: Se liga aqui no pai – me agachei no tamanho dela – eu vou pro pagode...
Juju: Não, pai – cruzou os braços sem nem deixar eu falar e estalei a língua.
Gavião: Deixa eu terminar de falar, pô – resmunguei – eu vou pro pagode, vou te deixar com o Guilherme lá na casa da vó dele, mas, assim que acabar lá, eu te pego para te deixar na casa da sua mãe.
Juju: E o que você vai fazer nesse pagode? Não quero você perto de mulher. – Cresceu o bico.
Gavião: Vou ver sua mãe, pô. – Falei e ela ficou batendo o pé, igualzinho a mãe dela – quando eu te buscar para te deixar na sua mãe, você pede pra eu dormir lá, tendeu?
Juju: Mas por que? Você e a mamãe estão juntos? – Perguntou alegre e eu dei risada – eu vou ter meu papai e minha mamãe juntos? Como a tia Helô e o tio Luís?
Gavião: Ainda não – falei e ela tirou o sorriso – ainda vou ver se tua mãe me quer. Mas ó, quando tiver lá, tu pede pra eu dormir com vocês, tendeu?
Juju: Tá bom, papai – me abraçou pelo pescoço – fala direitinho com a mamãe.
Passei a mão no cabelo dela e sorri de canto. Era o que eu mais queria, pô. Queria a Helena de volta. Mostrar para ela que eu realmente mudei. Que o que eu mais quero é ela de volta para a gente criar nossa filha juntos. Nossa família.
Peguei a mochila da Júlia e saímos de casa. Fui até a casa da mãe da Walesca e deixei ela lá. Assim que ela viu o Guilherme, já foi correndo abraçar ele e sorri de canto. Guilherme é meu menor, pô. Considero meu filho.
Dei o papo para a coroa lá e peguei minha moto, descendo para o pagode. Hoje ia ser a comemoração do aniversário do Juninho. Como ele estava em missão, passou o aniversário longe e não deu para comemorar. Chegou hoje de madrugada e, como ia ter pagode, ele disse que ia comemorar hoje mesmo.
Cheguei no pagode e já dava pra sentir o clima bom: gente rindo, dançando, bebendo. Desci da moto devagar, ajeitei a chave no pescoço e fui andando pelo meio do povo. Olhei ao redor até meu olhar bater nela e senti até o peito apertar, papo reto.
Ela estava linda pra caralho. Vestido branco colado, cabelo solto, rindo à toa junto com as meninas, um copo de bebida em uma mão e a outra segurando de leve a cintura.
Fui caminhando ainda com o olhar nela. Ela ainda não tinha me visto, mas meu olhar tinha grudado no dela.
Juninho: achei que não ia vir, paizão – chegou com tudo e encarei ele de canto. – Cadê meu presente?
Gavião: Rum. Meu presente já é minha presença – falei e ele deu risada. Sorri de canto. – Tão onde?
Juninho: naquela mesa lá – apontou e comecei a andar na direção da mesa. – Vi que tu chegou já encarando a mãezona, pô. Qual foi? Quer voltar e não tá sabendo pedir?
Gavião: ela que não me quer de volta mesmo – falei, e ele deu risada. – Tá rindo de quê, moleque? Camile também não te quer de volta.
Juninho: tu que acha, pô. Quem vai me rejeitar? – estalei a língua. – Tá ligado que eu não achei legal o que tu fez com ela, né? – encarei ele. – Mas dá pra ver que tu ainda ama ela e ela ainda te ama, pô. Só que tu vacilou pra caralho.
Gavião: e eu me arrependo – falei, sentindo aquela dor no peito, e respirei fundo. – Vou lá sentar. – Bati no ombro dele e fui em direção à mesa.
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Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
