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Walesca:

Conhecer o Thiago, vulgo Tomate, foi a maior desgraça da minha vida. No começo, parecia tudo tão perfeito, como se fosse um conto de fadas. Ele dizia que eu era a mulher da vida dele, que nunca sentiu nada tão forte por alguém.

Falava que queria formar uma família comigo, e eu acreditava. Como não acreditar? Ele parecia ser o homem dos meus sonhos. Mas, no fundo, tudo não passava de uma ilusão. Uma farsa.

Tudo começou lindo, mas logo no primeiro desentendimento, ele já quebrou um copo na parede. Depois, começaram os socos na parede, os xingamentos. E foi só uma questão de tempo até ele me bater pela primeira vez. A desculpa veio no dia seguinte, dizendo que aquilo nunca mais aconteceria, que ele me amava, que eu era tudo para ele. Eu acreditei. Mais uma vez.

Quando fiquei grávida, achava que tudo poderia melhorar, que talvez o bebê fosse a razão de ele se transformar. Mas, no meu puerpério, a pior coisa aconteceu: descobri que ele estava me traindo com a minha melhor amiga, a madrinha do meu filho.

Comecei a me ver em um pesadelo, onde ele me batia, pedia desculpas e ainda me fazia de piada para todo mundo na comunidade. Eu já não sabia mais o que fazer; era humilhação atrás de humilhação.

E aí veio o golpe final: minha mãe me abandonou.

Ela simplesmente disse que não queria mais saber de mim, que tinha desistido e que a última coisa que ia ouvir sobre mim seria que eu tinha morrido. E eu entendi. Não era porque ela não me amava, mas porque ela me amava tanto que não conseguia mais ver o quanto eu estava me destruindo naquele relacionamento.

Eu ficava me iludindo, acreditando que as coisas iriam mudar, que o Tomate iria mudar por mim, pelo nosso filho, pela nossa família. Mas não mudou. Nunca mudou. E chegou uma hora em que eu cansei. Cansei de perguntar onde ele estava, com quem estava, o que estava fazendo. Cansei de me preocupar com ele. Ele não era mais a minha prioridade.

E então, me dediquei ao meu filho. O Guilherme, ele é o meu maior amor. Ele é o único que sempre foi digno de todo o meu carinho. Dei tudo de mim para ele. Juntei dinheiro, dei tudo o que pude para que ele tivesse um futuro melhor. Até consegui abrir um espaço no morro. "Naill Design Ferreira", coloquei o nome, mas... até isso virou uma farsa. Eu só cuidei de reformar o lugar e comprar as coisas para o trabalho.

Depois, aluguei para uma menina e passei a ganhar mais dinheiro do que se estivesse trabalhando ali. Mesmo assim, eu não parei, continuei acumulando dinheiro e, com o tempo, consegui colocar duas casas no asfalto para alugar.

No fim, fui longe. Comprei uma casa em Goiás. Bem longe daqui, longe de todo esse inferno. Passei meses planejando como eu e o Guilherme poderíamos sair de tudo isso, sem olhar para trás. Não ia ser fácil. Não ia ter como conversar com o Tomate, ele nunca iria aceitar que eu fosse embora, especialmente com o Guilherme. Eu também não ia deixar meu filho com ele.

Às vezes, a raiva me consumia. Cheguei a pensar em fazer algo extremo: matar o Tomate, ir embora e começar uma nova vida. Mas logo percebi que eu não chegaria nem à entrada do morro. A facção e o próprio Gavião iriam atrás de mim assim que soubessem que eu tinha matado o braço direito dele. E, no fim, eu sabia que aquilo não era o melhor caminho.

Apesar de tudo, e mesmo com todos os defeitos que o Tomate tinha, ele sempre foi um bom pai para o Guilherme. À sua maneira, mesmo sendo ausente, ele nunca deixou faltar nada para o nosso filho. O Guilherme, graças a Deus, é um bom menino. Eu posso ter falhado em muitas coisas, mas na educação dele eu fiz tudo certo. Eu e ele, juntos, superamos muita coisa. E, se tem algo que posso me orgulhar, é do homem que ele vai se tornar.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora