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Lágrimas de Ilusão não secam fácil.
Elas cortam, elas queimam, e
a gente sangra sem ninguém ver.
2 meses depois...
Juninho:
Estava quieto na laje, fumando um, sentindo uma dor no peito que parecia não passar. Já se passaram dois meses e, ainda assim, parece que foi ontem. Eu ainda acordo no susto, achando que vou escutar a voz dela gritando meu nome lá de baixo.
Dois meses e o Gavião ainda em guerra com o Carioca. Dois meses e o silêncio da Heloísa ainda grita mais alto que qualquer tiro. Dois meses e eu sem saber como continuar, mas tentando por eles.
Ainda acho que vou ver a mãezona entrando pela porta, me chamando e me dando esporro com aquele olhar que me desmontava. Ainda dói. Dói como da primeira vez.
Escutei um risinho e olhei para o lado. Vinícius veio correndo com as pernas abertas na minha direção. Camile vinha logo atrás, mandando-o ir devagar.
Vini: papai! – gritou, se agarrando nas minhas pernas.
Juninho: Tô fumando, pô. – Falei sério, mas por dentro já estava derretido. Meu moleque já estava grande. E eu não sei se ficava feliz ou não por isso. Porque ele vai crescer e não vai lembrar da mãezona, da mulher que deu todo o suporte para ele nascer bem.
Camile: E eu tô falando pra tu parar com essa merda, Juninho. Pelo menos quando ele tiver perto. – Respondeu firme, puxando o Vini com cuidado e ajeitando a blusinha dele, que estava toda levantada da correria.
Suspirei, jogando o baseado longe, e me abaixei pra pegar o moleque no colo. Ele me abraçou forte, botou a cabecinha no meu ombro e ficou quietinho. Só isso já me quebrou, papo reto.
Juninho: Foi mal, Camile, é que hoje tá foda. – Murmurei, sem conseguir encarar ela direito.
Vini: Sono – Falou, passando a mão no meu rosto. Era nesses momentos que eu respirava um pouco melhor. Ele me fazia lembrar que ainda tinha coisa boa nessa vida fodida.
Mas a real é que o peito ainda pesa. Todo santo dia.
Eu lembro do enterro da mãezona como se tivesse preso nele até agora. Aquele caixão fechado, a Heloísa gritando, o Gavião preso, o desespero de geral, a mídia em cima, gente pra caralho lá, gente até que eu nunca vi na vida e chorando por ela. E eu com uma vontade de sumir no mundo. Nunca chorei tanto na minha vida. Nunca doeu tanto.
E o pior foi depois. Ver tudo nos jornais. Cada matéria falando da mãezona como se ela fosse só a "esposa do traficante" ou "filha do rival". Ninguém sabia porra nenhuma da mulher gigante que ela era. Da mãezona que cuidou de mim quando eu só fazia merda, da amiga que segurava as pontas de todo mundo e ainda sorria.
A polícia conseguiu recuperar a última ligação dela com a Heloísa. Vazaram o áudio. Virou notícia. Virou escândalo. Mas pra mim... virou pesadelo. Porque ali, na voz fraca dela, dava pra sentir a dor dela. O quanto ela estava desesperada, com medo e sem chão. O quanto ela estava decepcionada com o Gavião.
E papo reto, não sei se consigo perdoar. Se um dia vou conseguir perdoá-lo.
O Gavião traiu-a. Mentiu. E ainda teve coragem de levantar a mão. Foi por causa daquilo que ela caiu da escada. Foi ali que perdeu a memória. Ela esqueceu quem era, quem amava... esqueceu até da gente. E mesmo assim, voltou para ele. Porque o amor que ela sentia era maior que tudo. E foi esse amor que a matou. Que me fez perder minha mãezona.
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Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
