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Gavião:
Th: Fernanda está grávida – encarei-o, tirando o cigarro da boca e soltei a fumaça.
Gavião: achei que já estivesse morta – falei, voltando a anotar os bagulhos. – Tu vai para a reunião hoje também?
Th: vou sim – sentei na cadeira à minha frente – porra, Gavião, a Fernanda está grávida. – Olhei sério para ele.
Gavião: e eu tenho o que a ver com essa porra? – perguntei sério – o filho é meu? – ele passou a mão na cabeça.
Th: o filho é meu – falei sério – eu não sei o que fazer nesse caralho. Como vou ter um filho com alguém que é filha do cara que é de facção rival à nossa?
Gavião: dá teu jeito, caralho – continuei sério – já era pra tu ter parado de ficar com ela há muito tempo. O papo foi dado que tu só precisava ficar com ela para pegar informações; depois disso, era para meter o pé.
Th: Eu sei, porra. Mas eu tô falando isso porque te considero pra caralho – estalei a língua – sou leal a tu e à facção. Não quero que essa porra vire uma merda.
Gavião: Já virou, porra - falei, encarando ele com o olhar sério - Tu não é mais menino. Já sabe o que fazer. Se esse bagulho estourar e o velho da Fernanda ou aquele primo dela aparecer, não vai ser bonito pra tu, não.
Falei do pai dela, o gordo, e do carioca maldito. Th ficou em silêncio, esfregando a mão no rosto e jogando a cabeça pra trás, como se estivesse sem saber o que fazer. Eu dei mais uma tragada no cigarro, sem perder o foco, quando ouvi o celular vibrar em cima da mesa.
Olhei rapidamente. Era um dos seguranças da Helena. Meu coração acelerou na hora. Meus pensamentos foram só no meu menor e na Helena.
Atendi, já com um pressentimento ruim. Antes que o maluco falasse alguma coisa, já levantei da cadeira, com o coração acelerado, escutando os tiros e gritos ao fundo.
Gavião: Onde é que tá a minha mulher, caralho? - perguntei, sentindo minha veia do pescoço pulsar e o sangue ferver nas veias.
Tota: Pa... patrão - tossiu, como se estivesse com dificuldade de respirar - Che... chegaram armados, a... atiraram - ele tossiu de novo, e a voz ficou abafada, como se estivesse morrendo. - Acho que... que pegaram a... a patroa. Eu tô fe... ferido, o Marcão mo... morreu.
Meu coração parou. A mandíbula trancou. Fechei os olhos com força, mas não consegui tirar o foco do telefone. Respirei fundo, tentando manter a calma, mas era impossível. Minha mulher e meu filho, caralho.
Tota: Foi... foi mal. Chegaram de bonde. Me... me desculpa. Já acionei os menor.
Nem dei resposta pra esse filho da puta. Desliguei na cara dele e abri a porta da sala com tudo. Vi o beco movimentado, os menor pareciam estar nervosos, como se já soubessem o que estava acontecendo. Olhei o careca subir os degraus da escada com tudo, mantendo o olhar em mim, e continuei sério, escutando os passos do Th atrás de mim.
Th: Qual foi? - escutei a voz dele atrás de mim.
O Careca chegou na minha frente, sem ar, visivelmente nervoso.
Careca: Patrão - ele falou, o suor escorrendo pela testa e a respiração ofegante - já tá sabendo? – Concordei com a cabeça, mas nada saiu da minha boca. Só senti o ódio subir.
Careca: Os outros menores desceram, mas a patroa já não estava mais lá. Levaram ela. O Boca e o Marcão... morreram.
Gavião: Eu vou matar aquele filho da puta - falei, tomado pelo ódio. Não precisava que falassem mais nada nesse caralho, já sabia quem tinha feito isso. – Prepara os menores, nós vamos invadir a Parada de Lucas.
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Lágrimas de ilusão.
FanfictionNunca espere demais da sorte ou dos outros; no fim, não há quem não decepcione você.
