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4 meses depois
11 de julho...

Helena:

Já tinham se passado quatro meses desde que o Igor me pediu em casamento e me convidou para morar com ele. E, bom, eu aceitei. No começo, tive bastante receio, porque, sei lá, querendo ou não, é tudo novo para mim.

Para ele, pode até ser a continuação do que tínhamos antes, mas, para mim, era e ainda é um recomeço – ou talvez um começo. Nem eu mesma sei como explicar. Mas o que sei é que o que estamos vivendo juntos é incrível.

Pode ser porque ainda estamos no começo – só tem 4 meses –, mas está tudo tão maravilhoso. Tem dias em que ele passa a maior parte do tempo fora de casa, resolvendo as questões da vida dele e as invasões, que ainda não pararam, mas diminuíram um pouco. Mas eu também tenho o meu trabalho, né?

Estou fixada na ONG como coordenadora e também sou responsável pela entrega de cestas básicas para os moradores da comunidade. Sempre tento fazer algo para ajudar por aqui, e sinto o amor que eles têm por mim, o que é a coisa mais incrível do mundo.

As crianças, sempre que me veem, correm até mim, me abraçam e me chamam de "tia Helena". Eu morro de amor por elas.

Mas voltando ao assunto da minha relação com o Igor, está tudo indo bem, graças a Deus. Ele sempre demonstra querer melhorar, e vejo que ele também busca paciência. Me trata bem, diz todos os dias que me ama e pede para eu não deixá-lo. Às vezes sinto como se ele tivesse algum receio, mas também sinto que ele realmente me ama, sabe?

É incrível viver com ele, porque, comigo, ele é companheiro, compreensivo e demonstra um lado que não vejo com mais ninguém. Com as outras pessoas da rua, ele tem uma postura mais rígida. Aqui, ele é o Igor – o meu Igor, o que me ama, o que quer sempre me proteger. Às vezes é sensível, outras vezes um pouco "cavalo", mas é como se ele tivesse se moldado para mim, e eu amo isso.

Claro que, às vezes, temos nossas discussões – difíceis de acontecer, mas ainda temos. Mas isso é normal em qualquer relacionamento. Das poucas discussões que tivemos, eu consigo até contar nos dedos, e todas foram resolvidas de forma tranquila.

Agora, eu estava voltando de um passeio com as meninas, já que hoje era o aniversário da Walesca. Ela tem sido uma amiga e tanto, mesmo não sendo tão presente fisicamente. Ela sempre me manda mensagens e tenta me ajudar com algumas coisas. E, além disso, ainda tem o Gui, que é um menino maravilhoso.

Acho a Walesca uma mulher muito guerreira, e realmente acredito que ela merece muitas coisas boas na vida.

Me considero muito abençoada pelas minhas amizades. A Helô, a Walesca, a Samara, a Dani e a Camile. Foram e são elas que me ajudam a me manter, a não desistir de acreditar que um dia eu vou lembrar de tudo.

Meu triozinho aqui no morro são elas, a Helô e a Walesca. A Camile tem as amizades dela, que fez na escola, e mal sai com a gente, mas, mesmo assim, ainda é nossa garotinha.

Mile: Vou pegar o Vinícius – falou, abrindo a porta e saindo do carro assim que paramos na porta da casa da mãe da Walesca.

Ela tinha ficado com o Vinícius e o Gui para que eu, a Walesca, a Helô e a Camile pudéssemos sair. Saímos do carro também para agradecer à mãe da Walesca e falar com o Gui.

Walesca: Obrigada por hoje, meninas – sorriu, nos olhando. – Hoje à noite vou sair com minha mãe e o Gui.

Heloísa: Amanhã nós nos encontramos para o pagodizinho de domingo – falou, e ela riu.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora