115.

13.3K 858 328
                                        

+40 comentários.
Votem!!

Gavião:

Hoje, o dia estava sendo estressante; parece que tudo nesse caralho se juntou para dar errado.

Dn: A polícia tomou a carga – falou – parou o caminhão e já era, pô. Viu as drogas lá e recolheu tudo, levou o motorista pra delegacia. Só fez a divisa lá no Paraná.

Esfreguei a mão no rosto, respirando fundo.

Gavião: E como vai ser esse caralho agora? Porque quem está saindo no prejuízo sou eu. O filho da puta do Éverton disse que tava tudo certo, que a polícia não ia parar caralho nenhum, que ele já tinha resolvido isso.

Dn: Os caras estão tentando entrar em contato com ele para ver como vai ser – ajeitou o fuzil – vamos estar vendo a melhor forma.

Gavião: Vai ter que achar a melhor forma mesmo, porque se eu descer pra resolver esse caralho, não vai prestar. – apontei e ele concordou, saindo da sala.

Esfreguei a mão no rosto e respirei fundo. Hoje ia ter baile, estava tudo nos preparativos. Tava de boa, pô. Até acharem um dos menor mortos na mata. Ninguém sabe ainda como foi esse caralho e nem quem foi.

Juninho ficou de frente para ver essa porra. Eu estava dando mais oportunidades para ele aqui, pra crescer no crime. Mas antes tinha perguntado se era essa porra que ele queria mesmo, se era esse o rumo que ele queria para a vida dele. Porque se ele dissesse que queria sair, eu arrumava os bagulhos e ele saía de boa, já que o nome dele não é citado pelos canas e eu iria colocá-lo numa escola boa.

Mas ele disse que queria isso mesmo, que não via mais a vida dele sendo outra. Perguntei se ele tinha certeza e ele disse que sim, então tô preparando ele. Deixando mais responsabilidades para ele, deixando-o mais de frente nas atividades.

No dia que eu for, essa porra aqui vai ser dele e da Júlia. Saber que o pai deles fez história, mesmo que tenha sido banhada de sangue.

Olhei a mensagem chegar no meu celular. O Velho do outro lado falando que iria querer ver a Júlia hoje à tarde. Rum. Não vou nem responder.

Terminei de resolver as últimas coisas e peguei meus bagulhos, descendo para a CDD. Tinha que ir trocar uma ideia com o Fabinho, já que ele estava querendo saber o número do fornecedor das armas.

Gavião: quero atividade nesse caralho. – apontei e eles concordaram – qualquer BO, aciona o Th ou o Juninho.

Nando: qual foi, patrão? Passaram a visão que a Walesca acabou de descer junto com o menor dela para a casa da Heloísa. – Balancei a cabeça e não disse mais nada, só tirei a chave do pescoço e subi na moto, ligando e dando partida.

Walesca voltou depois da morte do Tomate, está morando em outra casa, não quis ficar na que era do Tomate, disse que não queria nada dele. Mas deixei claro no bagulho que, independente, o Guilherme tinha direito. Ela poderia largar mão do que tinha por direito, já que era a fiel dele, mas do menor, ela vai pegar querendo ou não.

Menor ficou triste sabendo da morte do pai, mas não tinha muito o que fazer. Walesca agora está ajudando a Heloísa a cuidar das crias e está abrindo um novo negócio. Guilherme, que se amarrou na Júlia, disse que iria cuidar dela e protegê-la, assim como ele fazia com a Gabi.

Walesca disse que ele chorou quando ela contou que a Helena tinha morrido.

Foda.

...

Fabinho: mas é isso mesmo, vou fechar com o mesmo fornecedor que você – balancei a cabeça e me levantei da cadeira.

Gavião: já deixei seu contato com ele – abri a porta da salinha e ele saiu logo atrás também – já vou metendo o pé, tenho mais bagulho pra resolver.

Lágrimas de ilusão. Histórias para pegar e não largar. Descubra agora