Acordei com um pássaro assobiando bem em cima de um galho da árvore. Eu abri os olhos devagar e vi que ele era verde com as assas marrom escuro, eu fiquei olhando pra ele até que resolveu voar para longe, ele só veio para me acordar então?
Decidi me levantar logo e percebi que tinha uma coisa branca do meu lado, levantei o pano escuro que estava em cima dessa coisa branca e vi que era um vestido meio amarrotado por eu ter dormido em cima dele, eu o peguei com uma mão ainda coberta e meio sonolenta demais para prestar atenção nele. Era simples e branco demais como minha pele, ele sempre me dá o mesmo vestido. Mas eu não reclamava por gostar de usa-los. Passei meus dedos nas suas alças e resolvi troca-lo para ver como ficava, eu percebi que ainda estava um pouco molhada por causa de ontem à noite. Mas o troquei rápido ansiosa pra me senti seca e deixei o velho pendurado no mesmo galho de árvore que o pássaro estava. Vi meu reflexo na água do rio passei a mão nos meus cabelos escuros arrumando um pouco me sentindo bagunçada. Eu sempre ficava com medo de ver meus olhos trocarem de cor para um branco inexplicável que eles ficam quando sinto algo diferente. Como no dia que eu estava com raiva do meu pai e eu olhei meu rosto na água e fiquei assustada com isso que fiquei sem ver meu reflexo durante muito tempo. Mas agora estão normais com as pílulas pretas como sempre, assim eu me sinto mais normal e mais um pouco humana.
Resolvi anda por aí como sempre faço todos os dias, mas não vou muito longe por ser proibida. Não gosto quando não posso ir onde quiser, mas também não consigo suportar os castigos. Deixei isso pra lá e me concentrei em me distrair e procurar alguma coisa interessante para fazer. Como encontrar algo para comer, isso não é muito necessário pra mim, mas gosto de fazer isso. É mais uma das coisas que fazem me sentir humana. Não gosto de senti que sou um ser do qual meu pai vive falando, eu queria me lembrar do meu passado. Principalmente se eu fui criança ou não, uma das coisas que me torturam e que não posso perguntar à ele. Eu nunca vou saber mesmo... É melhor me conformar.
Cheguei perto e uma árvore de caju. Eu não gosto muito desse fruto, mas não tem mais nada, eu não me lembrava mais o gosto que tem. Tanto tempo que não como alguma coisa que até não sei como se faz direito isso.
Subi na árvore sem dificuldade e peguei oque estava mais perto, me encostei no tronco grosso e fiquei sentada ali com uma das pernas penduradas. Mordi primeiro uma parte que estava mais alaranjada e mastiguei com cuidado sentindo o azedo e doce ao mesmo tempo, fiz uma careta mais não era tão ruim. Até eu senti a acidez da fruta ficando no céu da minha boca e na minha língua. Eu joguei fora o resto no chão e fiquei com preguiça de procurar outra coisa por aí, minha fome não era muito forte por eu não ser... Normal. Mas não me incomodava em sentir o gosto das coisas que ainda não experimentei. Acho melhor ir agora porque acho que vai chover novamente, não quero chegar tarde demais na árvore que deixei meu outro vestido, ele pode ser levado pelo vento e ser jogado no chão se sujando com a lama.
Desci da árvore e andei para o sul querendo encontrar outro tipo de fruta, não sou acostumada em comer carne. Somente uma vez, e foi um peixe, não era tão ruim. Mas eu não gostei muito e decidi me alimentar somente de frutas mesmo. Passei por uma poça de água que se formou aqui por causa da chuva vi alguns sapos se afastarem de mim enquanto passava por dentro molhando minhas pernas até meus joelhos. Pisei do lado de uma cobra e ela quase me mordeu se eu não pulasse a tempo, esses bichos são os únicos que eu não suporto. Andei mais depressa e sair da poça de água com um pouco de raiva dela, não importa se ela só estava se defendendo.
A única coisa que encontrei foi uma família de cervos lambendo alguma coisa que estava no chão, parecia uma coisa redonda e amarela, talvez outro tipo de fruta. Quando me aproximei eles não saíram de perto de mim ou tentaram me expulsar, apenas apanhei uma que estava no chão e fiquei olhando eles fixamente, mas depois eles me ignoraram e resolveram continuar fazendo oque estavam fazendo antes. Eu me abaixei ali e fiquei observando eles enquanto comia essa fruta que parecia um pêssego, mas não era. Eu gostei e tentei ver qual árvore ela tinha caído. Mas não tinha nenhuma envolta, só as menores que não pareciam ter dado esse fruto. Isso é estranho mas eu comecei a ouvir barulhos estranhos vindo de perto dos cervos que estavam todos parados e atentos demais. Nesse exato momento meu instinto foi correr dali junto com os cervos, mas eu conseguir escutar um rosnado estranho bem próximo de mim e dos cervos que tinham passado na minha frente. Tentei ver alguma árvore que eu pudesse subir e me proteger desse predador que eu sabia que não ia desisti.
Por sorte eu conseguir pular a tempo me agarrando em um galho da árvore que era fina e lisa demais. Eu conseguir suspender minhas pernas antes que ele pudesse puxa-las. Fiquei em pé sobre o galho de árvore e quando eu olhei para baixo, tinha uma espécie de lobo andando de um lado para o outro me observando lá debaixo. Eu não estava com medo, já estou acostumada com esse tipo de coisa, mas não sei porque ele veio atrás de mim e deixou os cervos de lado.
-vai embora!
Gritei um pouco irritada, e procurei alguma coisa para jogar em cima dele. Mas não tinha nada perto de mim além de folhas. Então eu fiquei com o pressentimento de ficar presa aqui. Eu fiquei olhando pra ele enquanto ele parecia sorrir pra mim de um jeito estranho. Mas não parecia muito perigoso na minha opinião, eu não sei porque ele veio atrás de mim!
Me abaixei e encostei meu corpo no tronco da árvore. Meu vestido estava sujo por algum motivo, tinha uma mancha marrom bem do lado dele na ponta da saia. Eu olhei aquilo com raiva dessa criatura peluda e fedorenta! Porque não vai embora!?
Me assustei quando vi que ele pulou e conseguiu passar suas unhas pela minha perna direita deixando um arranhão enorme ali. Eu gritei de dor e me encolhi quando percebi que tinha deixado ela pendurada quando ele quase leva ela junto com meu corpo. O sangue começou a escorrer e depois não senti mais dor, só uma ardência insuportável naquela região. Olhei pra baixo e vi que ele estava sentado olhando pra mim quase sorrindo de novo. Eu fiquei extremamente irritada com isso e quase desci daqui nessa hora se não fosse pelo medo que sentia. Meu pai vai me matar por ter sujado o vestido que ele me deu com tanto carinho! É tudo culpa dessa besta idiota!
-sai daqui!
Gritei o mais alto que conseguia e fiquei surpresa quando ele já estava correndo pra dentro da floresta me deixando confusa. Eu não sei se foi porque pedi ou porque ele desistiu de tentar me pegar aqui em cima. Só sei que agora eu sujei meu vestido com sangue e não consigo pensar em outra coisa além de outro castigo bem dado por meu pai.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
