Capítulo 83

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Quando já estávamos perto das três árvores eu fiquei muito tensa com o silêncio de jass, ele parece normal aqui do meu lado e não fez nenhum comentário no meio da nossa caminhada, tudo que passava pela minha cabeça era como eu poderia dizer que não... Posso mais ir na sua casa, mas também eu desconfio que meu pai quis dizer que não me queria mais perto dele. Ele ia dizer isso... Tenho certeza mas eu o interrompi e ele completou com outra coisa por cima. Prometi a mim mesma não fazer aquilo de novo, é tudo que eu nunca me imaginei que iria fazer na minha vida. Acho que foi porque ele queria me impedi de ver jass, mas eu nunca poderia concordar com isso, não podia ficar calada e ouvir ele dizendo uma coisa dessa. Estou me revoltando com ele dentro da minha cabeça mesmo sabendo que isso é errado, não sei porque estou fazendo isso...
-tenho que ficar longe de novo?
Ele perguntou quando estávamos perto da árvore que eu gostava de ficar antigamente. Ele estava sério mas parecia que estava escondendo sua raiva, não adianta ficar desse jeito, ele sabe oque meu pai pensa dele. Não quero ter que explicar de novo, então em resposta só balancei a cabeça continuando andando mais rápido.

Quando passei pela terceira árvore eu me dirigir até o centro ficando lá me abraçando de novo meio nervosa mas não completamente, não tenho motivo pra está assim. Ele deve ter muita coisa pra falar comigo, principalmente no assunto que me levou a ficar de castigo. Tentei ficar calma e andei até o tronco da árvore caída, me sentei lá ficando impaciente e muito nervosa. Comecei a brincar com a casca do tronco embaixo de mim e balancei minhas pernas em uma forma de me deixar mais calma.
...
-temos muitas coisas pra conversar
Sua voz não me assustou porque estava longe, fiquei na mesma posição ainda brincando com a casca do tronco quase querendo ignora-lo chateada com ele. Mas eu tenho meu motivo, pensei muito até chegar nessa atitude infantil, mas foi a única coisa que conseguir decidi mesmo, mas tenho que ouvir oque ele tem a dizer. Por isso não fiz contato visual enquanto ele se aproximava de mim se sentando devagar do meu lado me deixando tensa. Sentia seus olhos em mim, mas mesmo assim não me mexi e abaixei minha cabeça para o lado ainda mexendo nas cascas do tronco como se isso fosse resolver minha situação.
-eu nunca achei que poderíamos chegar a esse assunto
Suas palavras me perfuraram e eu fiquei sem ter oque pensar a respeito delas, eu não sabia que tipo de conversa ele queria ter comigo. Mas eu suspeitava de uma coisa, e ela não era agradável de se discutir. Então eu tive que encara-lo para confirmar minha suspeita.
-queria saber se você...
-pai não
Interrompi quase gemendo de tanta vergonha que passou por mim nesse momento, não aguentei ficar olhando pra ele e eu levantei dali ficando em pé de costas pra ele passado as duas mãos na minha cabeça bagunçando meu cabelo arregalando os olhos tentando não sair correndo daqui e me esconder em um buraco.
-filha...
-para pai
Pedi séria me virando na sua direção apertando meus punhos, não era raiva. Eu só não sabia como encerrar esse assunto de uma forma mais delicada e paciente, eu só não quero nunca mais tocar nele. Eu fiquei olhando pra ele vendo seu rosto se desmanchar em uma expressão envergonhada também. Eu quero sair daqui!
-não era oque você pensou todo esse tempo pai! Eu...
Parei e me segurei para não chorar, mas não conseguir e tampei meu rosto com as mãos percebendo que vou passar um momento constrangedor quando pensei no que eu ia dizer pra ele. Eu tenho que fazer isso, não adianta mais esconder. Pedi desculpas a mim mesma e suguei o ar para dentro e me preparei olhando pra ele séria e firme.
-eu... Não fiz nada do que você pensou naquela hora, mas é verdade... Não da forma que você pensa pai... E também eu estava tentando explicar isso à cinco dias atrás mas você nem sequer fez o favor de me ouvir!!
Arregalei os olhos quando terminei e tampei minha boca depois dando três passos para trás surpresa com tudo que falei mesmo sendo metade da verdade eu me sentia horrível e ao mesmo tempo aliviada. Mas depois eu percebi que ele não estava como pensei que ficaria, em vez do que pensei ele estava calmo com a expressão normal um pouco triste mas ele olhava para o chão. Não acreditei nisso, não acredito que fiz isso...
-quer que eu peça desculpas por não ter te escutado então?
Fiquei em silêncio e ele foi levantando os olhos devagar até encarar meu rosto, tudo que disse nesse momento não significou nada pra ele. Nenhuma palavra adiantou, só desperdicei minha coragem.
-infelizmente não posso fazer isso, não me arrependo de ter feito aquilo com você, pois mereceu cada dia que passou lá... Não sei oque te deixou desse jeito, suspeito de ter sido aquele garoto, esconde a existência dele de mim a quanto tempo!?
-porque está brigando comigo por causa dele!!? Ele não tem culpa de nada nisso tudo, quem me deixou cinco dias trancada em um porão foi você!! E no final das contas não admite que tá errado porque na verdade eu não tive motivos nenhum pra ir pra lá!!
...
-chega!
Rosnou dando um passo na minha direção e eu me encolhi deixando meus olhos no chão tentado respirar normalmente. Mas não conseguia, dava pra sentir o quanto ele estava furioso comigo mesmo não estando nem olhando pra ele, eu sei exatamente oque falei, só não consigo acreditar. Eu estou desrespeitando ele... Mas eu tenho razão... Mas... Não quero que ele fique bravo comigo. Olhei pra ele que estava se sentando no tronco de árvore respirando fundo uma vez e depois encarou o nada passando as mãos no rosto, pela primeira vez parecia que ele não ia fazer nada comigo dessa vez. Mas ele deu a última palavra e quero que continue assim porque não quero mais fazer isso.
-pater dimitte me
Pedi quase chorando com a voz falhando, eu não quero mais brigar com ele desse jeito. Quero que me perdoe, não quero mais me senti assim.... Ele ainda não respondeu e continua olhando o nada na sua frente, mas depois abaixou os olhos e ficou muito sério ainda pensando na sua resposta com certeza. Eu estava pedindo, se ele não quiser me perdoar não tem problema. Sei que gritei com ele, mereço outro castigo pior.
-tudo bem
Falou depois de alguns segundos e me olhou de forma mais calma mas ainda um pouco frio comigo. Mesmo assim eu fui me sentar do seu lado deixando as lágrimas caírem e depois o abracei sendo coberta pela sua capa logo depois. Fiquei ali chorando me sentindo melhor enquanto ele fazia carinho no meu cabelo com sua mão direita. Era um alívio sentir isso, não sei porque disse aquilo, não importa agora se foi algo injusto comigo, é bem melhor senti que ele me perdoou.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora